RESENHA: O Dia em que o Presidente Desapareceu - James Patterson e Bill Clinton

Quem conhece o famoso (e rico) autor de thrillers James Patterson? Eu já li um bom tanto de obras suas, e embora minhas leituras fossem parte de séries, eu sempre fui surpreendida com a história fechada em cada livro. Ele tem uma boa fórmula, e tem fãs fiéis.

E quem se lembra do ex-presidente dos Estados Unidos da América Bill Clinton? Seja por seus anos como 42º presidente eleito da maior potência do mundo; pelos escândalos que abalaram o fim do seu mandato; ou por ser marido da candidata que perdeu as eleições presidenciais que elegeram Donald Trump, Hillary Clinton; tenho certeza que ele é uma figura também bastante conhecida.

Agora, algo que não figura entre nossos pensamentos mais longínquos, é que um dia essas duas figuras públicas pudessem se unir para nos trazer um thriller político. Eu fiquei muito surpresa. Então, vou falar um pouco sobre essa leitura e qual foi minha opinião quando cheguei ao fim das substanciais 504 páginas. Os editores fizeram um estardalhaço a respeito de ser uma obra construída através de “detalhes e informações privilegiadas que apenas um presidente pode saber” – quando na verdade, nem era isso tudo.

RESENHA: O Dia em que o Presidente Desapareceu - James Patterson e Bill Clinton

No início dessa trama temos o então presidente Jonathan Lincoln Duncan se preparando para uma sessão de Comissão Especial, onde encararia – a oposição – o tubarão e presidente da Câmara Lester Rhodes. O problema é que o presidente Duncan negociou com um terrorista que tem como determinação acabar com os Estados Unidos – seu nome, Suliman Cindoruk. E a Câmara como os demais do Congresso exigem saber o que e por que o presidente do país está envolvido nessa situação, onde sua resposta é a mesma de sempre: “Eu não vou discutir a questão”, ou outras afirmações que explicam que só quem tem certos privilégios políticos poderiam ter esse tipo de informação. Foi por segurança, para proteger o país, ele sempre ressalta.

Ah, a Câmara está atrás de conseguir um impeachment contra ele. É possível ver as inferências e semelhanças entre Duncan e Clinton, especialmente nos discursos de John Duncan ao longo da obra, que sugerem o mesmo ideal progressista seguido por Bill Clinton e pelo partido Democrata (onde se elegeu presidente por dois mandatos consecutivos).

 

“Mas aqui estou. Chegou a hora. Vamos ver se eles tinham razão”.

No fim das contas, o presidente se vê envolvido em uma guerra cibernética, onde através de um vírus de computador, Cindoruk pretende ativar uma verdadeira “bomba” tecnológica contra todo o sistema informatizado americano (computadores, servidores, dispositivos eletrônicos, etc.). A história toda é passada em pouquíssimos dias, e o desaparecimento do presidente é estratégico.

A ideia dessa guerra cibernética é muito viável e achei a forma como foi desenvolvida, plantada e disseminada, algo muito inteligente e vil. Será que nossos autores poderiam estar alimentando a imaginação de cyber-terroristas? Eu sou leiga no assunto, e fiquei muito impressionada e assustada com a possibilidade de se apagar todo o sistema informatizado de um país.

Você não teria mais como acessar seu plano de saúde, ou suas economias em seu banco. Haveria escassez de alimento e água potável, bem como de combustíveis. O país estaria às portas da “Idade das Trevas”, termo usado em “O Dia em que o Presidente Desapareceu” para se referir ao que se tornaria o país sem a rede mundial de computadores.

“Nada de política hoje! Não quero ninguém preocupado com o que pode acontecer depois. A merda do circo está montado aqui e agora, pessoal. Qualquer decisão que eu tomar hoje é um risco. Estamos na corda bamba sem rede de proteção. Se eu tomar a decisão errada, seja em que direção for, estamos fodidos. Não dá para jogar no seguro. Só existe o certo e o errado”.

O Dia em que o Presidente Desapareceu - James Patterson e Bill Clinton

Graças à preparação de Duncan, sendo um ex-militar, herói de guerra e alguém torturado numa prisão em Bagdá, os Estados Unidos tiveram alguma chance e esse livro passou das primeiras 200 páginas. Ele é uma pessoa com contatos importantes, e tem à sua volta um grupo seleto e bem preparado para lidar de forma cáustica com a crise que se aproxima.

Não posso esquecer-me de mencionar que temos uma mercenária que aparece em alguns capítulos que intercalam as narrativas do presidente Duncan. Ela é conhecida pelo codinome Bach (ela é fissurada em música clássica), e está grávida. Enfim… É um adereço bastante complexo a essa trama já tão cheia de personagens, países envolvidos, crimes cibernéticos e tal.

Os momentos mais lentos que senti lendo essa história foram aqueles onde o presidente passava muito tempo conversando com seus assessores e com os líderes mundiais. Em várias situações ele está lá discutindo quais melhores formas de agir através do Skype com os membros de seu gabinete. Mas, o ponto mais importante nesse período que o presidentes estava “desaparecido”, era ter que lidar com toda essa crise local (e mundial), e ao mesmo tempo ter que tentar descobrir sozinho quem do seu gabinete e de sua confiança, era o traidor que vazou o código “Idade das Trevas”.

As notícias que rondam a internet é que o canal Showtime adquiriu os direitos de O Dia em que o Presidente Desapareceu para uma adaptação televisiva. Patterson e Clinton fizeram um bom trabalho em um livro um tanto fantástico, porém divertido. Conseguimos nos emaranhar juntamente com as personagens no meio da confusão toda. Quem traiu? Onde está o presidente? O que ele não pode contar à Câmara e ao país? Ele sofrerá o impeachment, ou ele “sobreviverá” a esse caos e tentara uma reeleição?

São muitos questionamentos que vão desabrochando a cada página. Mesmo com os capítulos irritantemente curtos (coisa de duas páginas, que raiva!), a gente fica lá agarrado até o fim para descobrir onde tudo vai parar.

 

Os autores deram ênfase em personagens femininas bastante fortes politicamente e moralmente. O que agradará quem está cansado de ver mulher em livros de thriller somente como interesse amoroso ou foco de psicopatas e/ou acidentes. Nesse enredo, elas são importantes, marcantes e decisivas.

Agora se Duncan é ou não é um avatar de Clinton, creio que não teremos essa afirmação por mais que os entendidos em política saibam exatamente onde qual dos dois inseriu suas próprias palavras ao longo da trama.

A edição entregue pela editora Record é linda. A fonte da capa é em alto relevo, tendo ao fundo uma foto da Casa Branca durante a noite. O clima bastante pertinente a uma alusão à “Idade das Trevas”. A fonte é muito confortável à leitura, e o papel é de ótima gramatura. o thriller político O Dia em que o Presidente Desapareceu me agradou e levou 4,5 estrelas no Skoob.

“Foi por isso que o presidente dos Estados Unidos desapareceu”.

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Ficha Tecnica 
Título: O Dia em que o Presidente Desapareceu 
Autor: James Patterson e Bill Clinton 
Ano: 2018 
Páginas: 504 
Editora: Record | Gênero: Ficção, Thriller, Política 
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