Projeto Gemini é o mais novo filme estrelado pelo ator Will Smith. Nesse longa, onde a direção é assinada pelo cineasta, produtor, roteirista e vencedor do Oscar, o taiwanês Ang Lee, Smith vive o papel de Henry Brogan. Ele é, se não o melhor, um dos melhores agente de elite/assassino do governo de todo o planeta. Ademais, após uma missão complicada, Brogan quer se aposentar. Assim poderemos acompanhar o que o tal Projeto Gemini pensa a respeito dessa resolução de Henry.

Certamente que sou uma entusiasta dos filmes de ação… Adoro o movimento das câmeras, as cenas inusitadas e os atores quase sempre, beirando atitudes impossíveis de darem certo na vida real – embora compreenda o nível irreal de quase tudo. Então, não pense que vai ler uma crítica detonando o filme de Ang Lee, porque eu realmente gostei das quase duas horas que passei no cinema. E isso tudo foi uma experiência com uma nova e sofisticada tecnologia cinematográfica.

Brogan passa a ser inusitadamente perseguido por um jovem agente, que embora desconhecido, é letalmente treinado. O rapaz é uma arma ambulante. Ele luta tão bem quanto Henry, e ele atira da mesma forma que Henry. E esse mistério não demora a ser desvendado, porém, um pouco antes da revelação, nossos cérebros podem sentir a sensação de um ‘bug’. É bastante estranho ver um Will Smith de 51 anos se arrebentando todo numa luta contra um Will Smith de 20 e poucos anos. É sério! Nosso cérebro não é treinado para esse tipo de situação.

O porquê do jovem agente poder praticamente prever os movimentos de Brogan, e vice-versa, é resultado de experiências realizadas pela organização militar privada sombria chamada  Projeto Gemini. Operada pelo conhecido – e megalomaníaco, diga-se de passagem –, Clay Verris. E é através de Clay, e de toda a preparação recebida no Projeto Gemini, que Clay Junior passa a estar sempre no lugar que Henry Brogan está. É uma busca implacável, e sem chance de se esconder. E para gerar um pouco mais de drama, Henry conta com um antigo amigo, Baron, e uma agente do DIA, Danny Zakarweski, para o ajudarem nos planos de estar sempre um passo a frente do seu perseguidor.

Ando vendo a crítica bater forte na qualidade digital e de renderização do filme. Há uma cena de perseguição sobre motos, que eu tive a plena sensação de que estava presenciando um jogo de vídeo game, desses mais realistas. Mas, não acho que o filme foi todo prejudicado não. O jovem agente, é na verdade uma versão 30 anos mais nova do melhor agente conhecido até então. E isso pra mim foi muito convincente. Cá pra nós, é muito fácil imaginar um “Um Maluco no Pedaço” (Fresh Prince of Bel Air) atuando com sua versão “velha”. E eu gostei. Sim… eu sei. Mas, já disse que sou mesmo entusiasta do gênero. E não sou especialista na área do cinema. Deixa eu me divertir em paz! hahahaha

“É apenas diferente, você tem que fazer o filme de maneira diferente. Eu acho que por causa disso, me fez querer criar Junior, porque você não pode se maquiar, apagar rugas e fazer um penteado diferente, agir e chamar isso de ‘mais jovem’ ou escolher o filho de Will Smith para que atue com ele e chamar isso de ‘clone’.” ~ Ang Lee, justificando o uso da tecnologia High Frame Rate 3D.

A qualidade das imagens em 3D foram surpreendentes. Achei tudo muito realístico. Em uma cena dentro d’água é impressionante ver como as bolhas praticamente sobem em cima da gente.

“3D+ é um formato digital  evolutivo de projeção a 60 quadros por segundo –  mais do que o dobro da taxa tradicional de quadros do cinema (24 quadros) – dando ao público uma experiência em 3D amplificada e totalmente imersiva. (…) Essa evolução na narrativa visual dá ao público a experiência cinematográfica mais imersiva que se pode desfrutar atualmente no cinema.”

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O interessante é que Henry Brogan está “pendurando as chuteiras”, está se sentindo velho e tem dificuldades de se olhar no espelho para encarar o que se tornou. Em contraponto, seu principal e letal perseguidor é a irônica imagem de sua juventude. A afronta total de forma mais plena. É ter de fugir de si mesmo, sabendo que isso não é possível. O jovem Clay Junior também não facilita nada sempre chamando Brogan de “velho” – reforçando ao antigo agente a vontade de nunca mais encarar um espelho mesmo.

Enfim, o doppelgänger de Brogan irá precisar refletir em quem é, e em como pode parecer tanto com o agente “velho” que ele não consegue matar de forma alguma. Também surge a curiosidade dos motivos de Brogan prever seus movimentos. O garoto de 23 anos é treinado para matar. Ser essa arma letal é o que dá sentido à sua vida. E como será ser confrontado com tudo aquilo que ele pensava ser verdade? Precisará ver sua pseudo identidade ruir à sua frente, e decisões precisarão ser tomadas.

“Não, Danny diz, você precisa estudar ciências humanas! Você precisa se conectar ao passado para florescer no futuro.”

Projeto Gemini estreia hoje (10/10) nos cinemas do Brasil, e você pode ir até lá se gostar de filmes com muita ação, explosões, tiros e agentes bem treinados. Também pode ir lá se quer conferir essa nova maneira de fazer e filmar um filme – mesmo que nenhum dos nossos cinemas tenha a capacidade de reproduzir o filme na qualidade exigida e desejada por Ang Lee. Você também pode escolher ir assistir esse filme, mesmo que seja só para depois sair falando mal para os seus amigos. Afinal de contas, o que mais podemos fazer?! Entretanto, escolha seu motivo, e não perca essa exibição.

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Data de lançamento 10 de outubro de 2019
Duração: 1h 57min
Direção: Ang Lee
Elenco: Will Smith, Mary Elizabeth Winstead, Clive Owen
Gênero: Ação, Ficção Científica , Drama Thriller
Nacionalidades EUA, China
Distribuidora: Paramount Pictures