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O PREÇO DA VERDADE – DARK WATERS | CRÍTICA

30 setembro, 2020 por

O preço da verdade – Dark Waters disponível na Prime Vídeo (Amazon) é um filme baseado em fatos reais, inspirado no artigo O advogado que virou o pior pesadelo da DuPont (tradução livre de The lawyer who became DuPont’s worst nightmare), de Nathaniel Rich e publicado pela revista do The New York Times, a história mostra o impacto que a empresa química DuPont causou na pequena cidade de Parkersburg (em torno de 30 mil habitantes) da Virgínia Ocidental com o despejo de produtos químicos em um rio.

Depois de se tornar sócio de uma grande firma de advocacia, a Taft Stettinius & Hollister, conhecida por defender gigantes do setor químico, Rob Bilott (interpretado por Mark Ruffalo), recebe a visita de um fazendeiro, Wilbur Tennant (Bill Camp), munido de caixas de filmagens e fotos de seu rebanho que estava morrendo, ele desconfiava que a causa era a contaminação de um riacho que cruzava suas terras, a água ingerida pelos seus animais poderia estar recebendo resíduos da DuPont, que tinha uma fábrica ali perto.


Wilbur, que conhecia a avó de Robert (ela morava perto de Parkersburg), não tinha mais a quem recorrer, parecia que a Dupont controlava a pequena cidade, políticos, jornalistas, veterinários, advogados locais, ninguém se interessou pela morte de seu rebanho, depois de ver as fotos e os vídeos dos animais envenenados, o advogado aceitou o caso e topou entrar com uma ação judicial contra a DuPont, isso em 1999.

Com suas pesquisas, Robert descobriu que essa contaminação foi devido a substância PFOA (ácido perfluorooctanoico), também conhecido como C8, que recebeu o nome fantasia de Teflon pela multinacional americana, depois de seu processo de polimerização.


O Teflon é um plástico bastante resistente empregado para revestir utensílios domésticos, como panelas e frigideiras, foi descoberto em 1938 pelo químico Roy Plunkett em um laboratório da DuPont em Nova Jersey, ele fazia experimentos para a criação de um gás refrigerante que pudesse ser usado em geladeiras como alternativa ao CFC (clorofluorcarbono), a partir de 1950 foram produzidos bilhões de utensílios de cozinha revestidos com esse material que a empresa tinha conhecimento de ser tóxico, a 3M,firma que produzia e vendia a substância para a DuPont, chegou a alertá-la: informou que o PFOA tinha potencial cancerígeno e mutagênico em ratos (fêmeas prenhas expostas à substância). Em resposta a DuPont, tirou mulheres jovens da linha de produção do Teflon sem explicar os motivos.

O filme foi dirigido por Todd Haynes (“Longe do Paraíso”), conhecido por seus filmes independentes e considerado pioneiro do “New Queer Cinema” (movimento cinematográfico que surgiu no início dos anos 90)e produzido por Ruffalo, que talvez esse seja o principal motivo para ele protagonizar a obra.

O roteiro foi escrito por Matthew Michael Carnahan e Mario Correa, não nos conta sobre o passado de Rob Bilott, não se sabe se em algum momento da vida ele se vendeu para fazer parte do grande jogo corporativista e nem o verdadeiro motivo dele ter aceitado o caso do fazendeiro Wilbur Tennant, colocando seu emprego em risco, de todo modo, a trama foi muito bem desenvolvida.

Ruffalo internaliza muitos sentimentos e os expressa nas sutilezas do personagem, que dedica anos da vida e da carreira para encontrar a solução do caso, ficando comprometido mental e fisicamente, o que acaba interferindo em seu casamento com Sarah Barlage (Anne Hathaway), que se destacou no seu papel de mãe, esposa e ex advogada, com algumas cenas memoráveis.

Enfim, O Preço da Verdade mexeu muito comigo, não tinha noção que esse composto artificial, o C8, está presente no sangre de uns 99,7% das pessoas e de acordo com uma análise de dados dos CDCs, de 2007, também está presente nos bebês recém nascidos, no leite materno e no sangue do cordão umbilical e que tudo isso foi culpa de uma empresa que fechou os olhos para esses problemas e só quis lucrar.

Assista ao trailer: 

Assistam O Preço da Verdade – Dark Waters! Vejam a briga de mais de 20 anos (e ainda continua até hoje) de um advogado que tenta minimizar, pelo menos financeiramente, milhares de pessoas que sofreram diretamente com as consequências desse composto na cidade de Parkersburg. Os personagens reais dessa história fazem figuração no filme, é bem interessante vê-los atuando.

Ah, para ninguém jogar suas panelas de Teflon no lixo depois de ler essa crítica, é essencial que as panelas sejam utilizadas de forma segura, o Teflon é relativamente estável a temperaturas inferiores a 260 graus, não se deve “pré aquecer” as panelas de Teflon (colocar a panela ou frigideira vazia no fogo), nem permitir que elas continuem sobre a chama por muito tempo depois que o líquido dos alimentos tiver evaporado.

Para os caso de panelas que estiverem com a superfície antiaderente danificada ou descascando, é importante descarta-las junto com o lixo reciclável, para que tenham um destino ecologicamente correto e não acabem contaminando o ambiente com ainda mais Teflon. Não que tenhamos muita escolha, ele já está em toda parte, inclusive dentro de nós. E vai continuar – para sempre.

Leia mais em: https://super.abril.com.br/especiais/a-verdade-sobre-o-teflon

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Título: O Preço da Verdade – Dark Waters
Estreia: 13 de fevereiro de 2020 (Brasil)
Duração: 2h 6m
Distribuidor: Focus Features
Gênero: Drama/Suspense

 

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