O Lado Bom da Vida é um livro do autor Matthew Quick, lançado pela editora Intrínseca em 2013. Seu título original é Silverlinings Playbook e ele foi adaptado para um filme de mesmo nome em 2012, protagonizado por Bradley Cooper (Patrick) e Jennifer Lawrence (Tiffany), rendendo à atriz um Oscar, além de incontáveis outros prêmios, entre eles filme do ano, melhor edição e melhor diretor. O filme também traz grandes nomes do cinema, como Robert DeNiro.

A história trata de Pat Peoples, um ex-professor que está saindo de uma temporada internado em um hospital psiquiátrico e voltando para a casa dos pais. O motivo? Bem, nem ele mesmo se lembra direito. Ele só sabe que sua esposa Nikki queria ficar um tempo longe dele e agora ele precisa reconquistá-la. Precisa ficar bem novamente para poderem retomar as coisas.

O que Pat não se lembra, porém, é o motivo pelo qual foi internado. Ele também acredita que passou apenas alguns meses no hospital, quando na realidade ficou lá pelos últimos anos da sua vida. E as coisas não melhoram em nada quando ele vai pra casa e seu pai se recusa a falar com ele, seus amigos não dizem nada sobre o motivo de ele ter acabado no hospital e Nikki se recusa a vê-lo.

“O mundo vai quebrar o seu coração de 10 formas diferentes até o domingo. Isso é garantido. Não dá para explicar isso. Ou as loucuras dentro de mim e de todo mundo. Mas adivinhe? Domingo é o meu dia preferido de novo. Eu penso no que todos fizeram comigo, e eu me sinto um cara muito sortudo.”

Contudo, ele vêm tentando juntar os pedaços de sua memória, tentando montar o quebra-cabeça que sua vida se tornou. Sua única certeza é que ele acredita nos finais felizes, no amor e no lado bom das coisas. E como já diz o quote mundialmente famoso, ele está tentando ser gentil ao invés de ter razão. Ao mesmo tempo, Pat se tornou viciado em fazer exercícios físicos, seja para aliviar a tensão e a ansiedade, seja para tentar melhorar seu corpo.

De fato, é durante uma de suas corridas matinais que ele percebe a presença de uma pessoa correndo com ele: Tiffany, sua vizinha, que já tinha sido apresentada a ele num jantar entre amigos. Ela é depressiva e incompreendida pelas pessoas ao seu redor e se aproxima de Pat de uma forma um pouco rápida demais, mas os dois se entendem e se compreendem de uma maneira que o resto das pessoas não consegue fazer. Eles começam a sair e conversar e Tiffany escuta mesmo quando Pat só consegue falar de Nikki sem parar.

Nesse sentido, vi muitas pessoas falando sobre o quanto O Lado Bom da Vida é uma versão adulta de As Vantagens de Ser Invisível e preciso concordar. Apesar de ser um livro muito divertido e de leitura fácil, quando pensamos sobre a história, percebemos que ela é um pouco mais sombria do que o autor deixa transparecer com seu estilo bem humorado de contá-la. É profunda e complexa e seus personagens são muito bem construídos em cima de suas próprias histórias catastróficas.

“O mundo encontrará várias e várias maneiras de te machucar, mas você vai encontrar uma pessoa que te traga tanta felicidade e que te ame tanto que as feridas do mundo não vão mais te atingir, porque ela te protege, ela te ama, e acima de tudo você ama ela.”

Algo que se sobressai é que todos ali enfrentam problemas, seja em maior ou menor escala. E podemos acompanhar isso de perto, pela visão um pouco inocente de Pat. Ele foi diagnosticado com transtorno bipolar, apesar de esse não ser o foco do livro. Depois de muito tempo no hospital, ele passa a considerá-lo um lugar ruim e quer desesperadamente sair dali. Uma de suas principais motivações quando chega em casa, inclusive, é que ele não quer voltar para o lugar ruim.

Seja como for, a delícia de se ler O Lado Bom da Vida é justamente poder acompanhar como Pat começa a lidar com as coisas de uma forma leve. O livro todo, aliás, é escrito de forma muito leve, com capítulos mais curtinhos que tornam a leitura bem dinâmica. Quick escreve de forma fácil de ler e que nos impulsiona sempre a continuar. É possível acabar a leitura em um dia, dois.

Sendo uma leitura fácil, é possível também apreciar a relação de Pat e Tiffany crescer e se aprofundar. Tanto quanto o auxilia, Tiffany se apaixona por ele, em um nível tão grande que passa a escrever cartas para ele fingindo ser Nikki. Isso faz Pat criar ainda mais esperanças de reatar seu relacionamento e mostrar a ela que mudou e que sente muito a sua falta.

Sob o mesmo ponto de vista, vemos também o quanto Pat idealiza Nikki. Talvez pela falta de memória, talvez pelo sentimento de culpa de não ter dado tanta atenção a ela quando estavam juntos. O fato é que ele enxerga uma mulher que na realidade não existe, porque Nikki o traiu e o abandonou, apesar de Pat não se dar conta disso e nem se lembrar do porquê. Esse mistério existe não apenas para ele, mas para o leitor também.

“Não quero ficar no lugar ruim, em que ninguém acredita no lado bom das coisas, no amor ou em finais felizes.”

Por outro lado, o livro também foca em amor aos esportes, sendo também o único ponto em comum entre Pat e seu pai a paixão pelo time de futebol americano dos Eagles. Inúmeras vezes, ele narra o grito de guerra do time, fala sobre partidas e sobre assistir aos jogos com seu pai e seu irmão. A frequência com que o autor fala sobre jogos, jogadores e cita outros dados do time pode ser um pouco enfadonha, porque é realmente alta. Mas é algo que pode passar despercebido no livro.

E já que falei sobre algo ruim no livro, posso acrescentar que a ingenuidade de Pat às vezes pode ser muito irritante. Apesar de saber que isso se deve a problemas psicológicos e de que ele está em tratamento, Pat pode ser muito delusional às vezes, acreditando que sua vida é apenas um filme e que no final tudo ficará bem, ele voltará com Nikki e serão felizes para sempre.

Contudo, de uma forma muito, muito leve, Matthew Quick é capaz de discorrer sobre as possibilidades infinitas da vida, sobre saúde mental, sobre as rasteiras que levamos ao longo de nossas vidas, sobre se levantar e por vezes cair novamente. Mas, principalmente, ele nos dá uma lição sobre nunca desistir.

O Lado Bom da Vida não é um livro que tenha muita ação ou muitos acontecimentos marcantes. Mas, sem dúvidas, é um livro que nos faz refletir amplamente e nos deixa contagiados pela positividade de Pat. A leitura é muito gostosa e, apesar de o tema ser um pouco sombrio, nos proporciona uma sensação de esperança. Vale a leitura e vale também assistir o filme!

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O Lado Bom da Vida

FICHA TÉCNICA:
Título: O Lado Bom da Vida
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 256
Ano de Publicação: 2013
Gêneros: Romance, Jovem adulto
NOTA: 5/5
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