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O GRITO | CRÍTICA

15 fevereiro, 2020 por


O Grito (The Grudge, 2020) é um filme que não veio para ser inovador. Venhamos e convenhamos, O Grito foi uma refilmagem, de um filme japonês (lá dos anos 2000). Assim, esse longa de 2020 é algo além de um reboot, mas não sei o que é… E talvez, seja uma insistência em uma franquia que já entregou aquilo que tinha para dar.

Eu posso ser um pouco criteriosa, mas essas obras são pouco assustadoras para filmes de terror. Acredito que o que mais me incomode, são os momentos onde os “fantasmas” abrem a boca e ficam fazendo aquele som horroroso e gutural. Então, sim. No quesito desagradável que os filmes de terror geralmente almejam ser, esse conseguiu. Só que senti falta de algo diferente, de sustos bem elaborados e uma história com mais explicações.

O Grito é baseado no roteiro original de Takashi Shimizu. Então tem ainda aquele pano de fundo que nos mostra uma casa japonesa que ficou amaldiçoada após terem ocorridos assassinatos em seu interior. Aparentemente gerado à partir de muita raiva, essa entidade acompanha aqueles que adentram tal residência. E dessa forma uma americana que estava trabalhando nessa casa amaldiçoada, sentiu vontade de retornar pra sua casa nos Estados Unidos. Com ela, o fantasminha nada camarada resolveu ir junto.

Ok. Então teremos essa entidade raivosa que não sabe administrar o que aconteceu consigo. Ela irá aparecer para todas as pessoas que entram na residência que ela habita atualmente. E desgraças de largas proporções alcançam essas pessoas. Neuroses, visões, assombramentos, medo, síndrome de perseguição e o mais variado repertório de incômodos acomete àqueles que passaram pela porta dessa casa americana – que veio a ser amaldiçoada pela aquela mulher que veio lá do Japão com uma entidade a tira colo (isso, você vê no pré-creditos iniciais).

A detetive Muldoon (Andrea Riseborough) mudou-se recentemente com seu filho para a cidade de Cross River. Ela perdeu seu marido em uma luta contra o câncer. Ela vive com seu filho pequeno, que sente falta do pai – como não poderia deixar de ser. Logo no seu primeiro caso, ela percebe uma conexão com um endereço: o número 44 da Reyburn Drive. Existe outro caso relacionado a esse endereço, envolvendo assassinatos. E para não fugir ao clichê, a detetive Muldoon fica um tanto quanto obcecada com a investigação passada.

Entre essa história principal, acontecem alguns flashs. E através deles nós conhecemos os agentes imobiliários Peter Spencer (John Cho) e sua esposa Nina Spencer (Betty Gilpin). Eles são responsáveis em alugar ou vender o imóvel do número 44 da Reyburn Drive. Mas, não sabiam de forma alguma na enrascada que estavam se metendo.

E para não parecer que a entidade japonesa amaldiçoou pouco a casa da Reyburn Drive, conhecemos outro morador desse endereço. Ele é William Matheson ( Frankie Faison ), e está buscando ajuda para ‘sacrificar’ sua esposa que está com deterioração da saúde mental em alto estado. O senhor Matheson percebeu a tênue linha entre a vida e a morte naquela casa. E ele acredita que se sua amada esposa por 50 anos, poderá lhe fazer companhia após a morte. Que história! Daria um ótimo enredo em um filme que desse mais chance a esse plot.

Todos os envolvidos com essa casa da Reyburn Drive foram amaldiçoados e precisam enfrentar “seus demônios” pós adentrarem a casa. E também vemos o que aconteceu com o ex-parceiro de Goodman (Demián Bichir), o atual colega de trabalho de Muldoon. Ele fica extremamente preocupado com a insistência da detetive com esse endereço maldito. Outras pessoas do trabalho até a relembram que ela tem um filho, e deveria deixar toda essa história de lado.

O que consigo compreender nessa história é que uma entidade muito raivosa acaba por prender em uma maldição abominável pessoas que de forma inocente, adentram a residência onde um massacre aconteceu – e tudo devido a esse ódio arraigado desde lá, na casa do Japão. É uma forma de assombro bastante cruel, pois não é nada que a pessoa esteja “procurando” encontrar. Ela simplesmente “contrai” essa maldição muito indesejada. E acho que O Grito peca, em não nos explicar o que gerou a raiva inicial. Qual foi o crime lá no Japão, e como foi que aconteceu. O filme acaba se assegurando naquilo que já trazemos como bagagem de filmes passados.

 

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Lançamento: 13 de fevereiro de 2020
Duração: 1h 34min
Gênero: Terror
Direção: Nicolas Pesce
Elenco: Andrea Riseborough, Demian Bichir, John Cho
Distribuidora: Sony Pictures

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2 Comentários

  • Marilene
    fevereiro 16, 2020

    Adooooro filmes,esse mundo do cinema super me atrai, mas quando o assunto é assombração,coisas “do além”,procuro ficar por fora mesmo,rsrs, um bom suspense já é de bom e adoro,mas para quem aprecia o gênero, taí uma boa resenha,pra está mais por dentro do que é a história.Show de bola,Carol!!

    • Carol Nery
      Carol Nery
      fevereiro 16, 2020

      Mari, tão querida… Obrigada por apoiar até quando falo dessas coisas feias que você não assistiria!!! hehehee
      Você é super parceira. <3