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O DUQUE QUE EU CONQUISTEI – SCARLETT PECKHAM | RESENHA

10 agosto, 2020 por


O duque que eu conquistei é o primeiro livro da série Os segredos de Charlotte Street e é o livro de estreia da autora Scarlett Peckham, que chega ao Brasil pelas mãos da editora Arqueiro.

Nesse primeiro livro, vamos acompanhar Poppy Cavendish, uma mulher considerada excêntrica por seus vizinhos, e quase uma solteirona com seus 25 anos. Ela estava sob tutela de seu tio Charles, que a abrigou após a morte de seus pais, mas que vem a falecer, e Poppy se vê na iminência de perder seu horto de plantas exóticas, que até então era a promessa de um futuro independente, para o herdeiro de seu tio. Por isso, ela tem apenas 15 dias para levar suas plantas para um novo endereço, e quase nenhum dinheiro.

“O mundo não fora feito para moças solteiras ambiciosas. Era preciso ser bastante exigente e impopular se quisesse uma chance de sucesso.”

Até que Lady Constance Stonewell e seu irmão, o Duque de Westmead, a procuram para que ela decore com suas plantas a mansão de Westhaven para um baile de reinauguração. O Duque precisa de uma esposa, e a irmã oferece um baile para encontrar a futura duquesa. No início, Poppy fica bastante resistente, mas Lady Constance não poupa o dinheiro do irmão, e ele também oferece o trabalho braçal de seus ajudantes para a remoção do horto. Ela reluta, mas o duque se mostra tão gentil, e com o relógio tiquetaqueando, ela vai agir contra seus instintos e aceitar a proposta de trabalho.

Mas, não se engane, O Duque que eu conquistei tem mais a oferecer que uma trama previsível. Acontece que o Duque de Westmead tem um passado cheio de mistérios. O pai do duque não é bem conceituado nas redondezas, e teve lá sua cota de escândalos. Archer Stonewell, o atual duque, também traz cicatrizes profundas – não só físicas como emocionais. Entretanto, ele precisa de um herdeiro, e para isso procura uma moça sem muitos recursos intelectuais. Ele só quer alguém para continuar com o título, mas sem afeto envolvido.

“O que ele queria era uma mulher que o visse como um título e um cofre de banco. O tipo de esposa que, quando desfrutasse de certos confortos invejáveis, lhe daria um herdeiro e não esperaria que ele tivesse mais do que um interesse estritamente legal no processo.”

Lady Constace e Poppy começam seu planejamento para o grande baile, e a presença recorrente dela na propriedade acaba aproximando-a do sisudo duque, e uma estranha afinidade surge, mas eles não dão importância, afinal nenhum dos dois têm interesses românticos.

O baile tem início, e a decoração de Poppy é desfrutada por todos, inclusive por ela, que é convidada a participar. Após o baile, uma nota sobre o evento sai em um jornal, deixando a moça com a reputação manchada. É então que Archer se decide, e propõe uma transação comercial para Poppy: eles se casam, ela lhe dá um herdeiro, e ele lhe dá condições de tocar seu negócio sozinha.

Será que esse casamento arranjado, cheio de segredos, poderá resistir as fissuras que começam a surgir entre os dois? Archer guarda um segredo nebuloso, que ele não ousa compartilhar com ninguém, e ela não consegue entender seu marido, às vezes tão próximo, mas que se distancia com tanta facilidade… Será que essa parte sombria do duque acabará por colocar um fim no acordo dos dois?

Como uma grande fã de romances de época, logo que vi o lançamento desse livro pela editora Arqueiro, já coloquei na minha lista de desejados. O que o fez sair da lista e ser imediatamente lido foi a introdução de BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) na trama – afinal, estamos falando de uma história acontecendo por volta do século XVIII!

“Sem esse alívio, seu verdadeiro eu transbordava – todo desordem, sentimento e tristeza.”

Ainda assim, quando comecei a leitura de O Duque que eu conquistei, me encantei muito antes da menção à prática: afinal Archer, apesar da descrição como um homem de negócios frio, na verdade só tem máscara, é super gentil e consegue perceber as qualidades de Poppy rapidamente, o que a impressiona logo no início. E ela… que mocinha! Além do fato de ser uma botânica – como eu, é forte, guerreira, inteligente e sagaz. Escolheu não se casar porque sabe que isso, naquele período, significaria perder sua autonomia, por isso decide ficar só. Mas acaba se rendendo as promessas do Duque, que percebe possibilidades de expansão nos negócios com plantas exóticas.

Por tudo isso, o envolvimento dos dois é super maduro, só faltando, como sempre, um pouquinho mais de diálogo. Eles conversam muito sobre negócios, mas ele esconde muito suas cicatrizes.

E foi assim que fui me encantando pela história e, quando chegamos à prática do BDSM propriamente dito, foi de uma forma leve, nunca sendo o foco da trama, e por isso as cenas foram muito bem conduzidas – ouso dizer que menos descritivas que muitas cenas hot que encontrei em livros do mesmo gênero. Há apenas o reforço do que a prática busca, que é a confiança e o consentimento entre as partes.

“Eu estou lhe dando permissão para fazer o que quiser. Você pode ser misericordiosa ou me fazer sofrer. Recusar prazeres ou dá-los em tamanha abundância que seja uma tortura. Quero que você me use de qualquer maneira que possa imaginar.”

Por tudo isso, posso dizer que foi uma estreia magnífica, porque O duque que eu conquistei traz uma estória ágil, romântico, devasso sem ser vulgar, bons diálogos, além de trazer momentos de superação e de um amor capaz de curar qualquer cicatriz. Já espero ansiosa pelo próximo volume, que vai trazer as peripécias da irmã do duque, a espevitada Constance Stonewell!

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Título:  O Duque que eu conquistei
Autora:  Scarlett Peckham
Ano:  2020
Páginas: 297
Editora:  Arqueiro
Gênero:  Romance de época
Onde comprar: AMAZON 

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