Resenha: O Cemitério Maldito

Falar de Pet Sematary, ou simplesmente ‘ O Cemitério ‘ pra nós aqui no Brasil, ao mesmo tempo em que é fácil, também é difícil. Por quê? Pra mim, o ato de conversar sobre as obras de King é prazeroso e estimulante. Sendo ele um autor que tanto gosto, ‘O Cemitério‘ é uma de suas obras que mais mexeu comigo, e estou falando LITERALMENTE! Esse livro mexeu com a minha cabeça… E eis aí o motivo de também ser difícil falar sobre ele. Porém para você entender o quão difícil e dolorido pra mim foi lê-lo, você terá que dar uma chance para a família Creed, e se perder nessas 424 páginas da obra publicada pela editora Suma. Caso você adquira um exemplar novo por agora, você ainda ganhará um bônus: uma jacket da nova adaptação do filme O Cemitério Maldito.

“A dúvida era se seria melhor deixar as coisas como estavam ou tomar alguma providência.”

Reza a lenda, para aqueles que gostam de ficar futucando sobre a vida e obra do autor, que King relutou muito para publicar esse livro, uma vez que “tocar” em entes queridos e morte da forma que ele fez aqui é algo muito delicado. Ele achou que seria extremamente desagradável mostrar ao mundo essa história. Você sempre se colocará no lugar do patriarca da família Creed e pensará: “e se fosse comigo?”. O que importa é que mais uma vez sua esposa (Tabitha S. King) conseguiu convencê-lo a “dar a luz” a mais uma obra de horror.

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Também existem informações que a ideia para compor esta obra se deu em uma situação quase trágica que a família King passou com Owen, o filho mais novo de Steve e Tabby. Então, em minhas fantasias eu penso que o autor deve ter visto um filme, ou mais provavelmente um livro, passar em sua mente no momento desse sufoco e pensou: “não vou passar por isso sozinho”. Foi um sucesso! E alguma informação desse tipo você consegue lendo as páginas iniciais do exemplar. King gosta muito de conversar com seu Leitor Fiel.

“As pessoas deviam questionar estes sentimentos de dúvida em vez de questionar o que o coração mandou que elas fizessem.”

Uma vez que o autor explicou isso tudo para você, e que você tenha lido ou relido essas informações iniciais que aqui deixei, você está prontíssimo para entrar no clima que queremos. Você está ao mesmo tempo curioso e temeroso. Ansioso e apreensivo. Preparado, mas com um pouco de medo do que virá.

E nada melhor como pegar o livro agora e conhecer todos os segredos que ‘O Cemitério‘ tem guardado – desvendar mais uma vez os segredos da alma humana. Estou para ver alguém que consiga me fazer melhor “olhar para dentro” do que King e seus livros de terror/horror. Observação: dá tempo de ler o livro todinho antes da estreia do novo filme, gente.

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Falar sobre ‘O Cemitério‘ sem tirar a emoção do leitor não é fácil, pois existe um desencadeamento de situações entrelaçadas que levam de fato à história principal, mas farei o meu melhor!

Louis Creed é um jovem médico de Chicago, que casado com Rachel e tendo dois filhos (Gage e Ellie), se muda para o Maine (CLARO!!! Para onde mais seria?), para uma enorme e linda casa de campo. O motivo é um novo e bom emprego para esse pai de família em uma universidade. Logo que eles se mudam para a nova e quase isolada casa, eles conhecem Jud, seu vizinho e muito simpático velhinho que passou toda sua vida por aquela região. Jud leva a família para um passeio exploratório nas redondezas da casa nova dos Creed. E nesse passeio eles acabam conhecendo um “simitério” que há décadas abriga o descanso eterno de animais de estimação das crianças daquela cidadezinha.

“Qualquer mulher que conheça alguma coisa, poderia lhe falar que nunca conseguiu ver o que realmente se passa no coração de um homem. O solo do coração de um homem é mais empedernido. Um homem planta o que pode… E cuida do que plantou.”

O que descobrimos é que além desses túmulos de animais – túmulos esses que apresentam com suas inscrições em letras infantis o primeiro contato de fato da infância com a morte – existe um cemitério secreto (e amaldiçoado) em uma terra indígena de um povo conhecido como Micmac. Um cemitério que de uma forma sombria e desestruturada, significa vida.

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Os acontecimentos após esse passeio da família e do senhor Jud irão construir a verdadeira história que ‘O Cemitério‘ quer tratar: quais são as consequências quando queremos tanto alguma coisa que não nos importamos com o que virá depois? Iremos tentar entender a forma como essas pessoas lidam com a morte, ou, mais frequentemente, como eles se recusam a lidar com a dita cuja.

Mas, eu não quero e não vou ficar entrando em detalhes, pois por mais que esse clássico dos anos 80 tenha mais de 400 páginas, os detalhes são distribuídos de maneira esparsa, e quero passar longe de roubar sua experiência. Por mais que seja uma experiência dura, ela deve ser vivida por cada um. E o leitor que assim como eu for mãe ou pai, sentirá na pele a importância (nua e crua) das decisões que Louis precisou tomar.

“Às vezes, morto é melhor”.

Sobre o autor

Stephen King para mim continua sendo um dos grandes mestres do horror, e sua habilidade em encontrar nosso ponto fraco e nos fazer refletir sobre assuntos corriqueiros da vida continua fazendo seus escritos serem vivos, fortes, e contundentes. E se você se interessou em ler essa história, fique ligado porque em breve traremos nossa crítica sobre o novo filme de ‘O Cemitério Maldito‘ (Pet Sematary, 2019). Ah, para aqueles que gostam de referências e easter eggs, temos sutis pinceladas nesse enredo da família Creed (Salem e O Iluminado, para você ficar “ligado”).

“Na vida real as pessoas sempre agem assim… Fumam, não usam cintos de segurança, mudam-se com a família para a margem de estradas movimentadas…”

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Título: O Cemitério
Autor: Stephen King
Ano: 2013
Páginas: 424
Editora: Suma de Letras
Gênero: Suspense, Mistério, Terror | Adicione a sua lista do Skoob | Onde comprar: Amazon