Não Há Segunda Chance é um livro que há muitos anos estava em falta nas livrarias. Publicado anteriormente por outra editora, os exemplares desse livro quando encontrado beiravam – como de costume, a respeito de livros raros – uma pequena fortuna. Contudo, se tem algo que os fãs de Harlan Coben não podem reclamar aqui no Brasil, é da falta de uma editora dedicada às obras do autor. A Editora Arqueiro abraçou pra si de uma forma exemplar os direitos de publicação de Coben, o que nos deixa imensamente gratos.

A verdade é que muitos livros de séries no gênero Thriller são publicadas aos pedaços. Algumas editoras começam a publicar, logo após outra editora está publicando os demais livros, o que causa um hiato (e falta de tradução) de dois, três, quatro livros de uma série. E eu sei do que estou falando! Infelizmente não consigo fazer a leitura de uma obra completa em seu idioma original. Levaria séculos para terminar uma leitura. E sou daquelas bem chatas que gosta de acompanhar cronologicamente o desenvolvimento das personagens recorrentes de uma coleção de livros.

Ok! Então chegamos à grata surpresa que foi, ao republicar alguns títulos de Coben com uma nova identidade visual, a Arqueiro nos informar que sim, teremos “No Second Chance” novamente nas prateleiras das livrarias brasileiras. E essa emoção não foi pouca não. Eu já havia lido essa história anteriormente. Fã de carteirinha do homem aqui, neném! Mas, ter essa obra repaginada era quase uma questão de necessidade fisiológica.

“(…) me pergunto o que eu não faria para protegê-la. Entregaria a minha vida num segundo. E, verdade seja dita, se fosse necessário, entregaria a sua também”. – Marc, a respeito de Tara, seu bebê.

E, bora falar um pouquinho sobre a trama. A trama e sinopse dessa obra nos mostra que o assunto é muito sério. Que eu, como mãe de duas criaturinhas lindas e maravilhosas, iria ter uma empatia do tamanho do mundo e sofreria junto com o pai ou a mãe da história que teríamos a seguir. E não deu outra! Porque Coben consegue pegar uma família suburbana, infringe a esse pessoal o medo mais aterrador (não mexe com meus filhos, cara) e transforma suas vidas ao ponto de até o FBI figurar nessas páginas. 

Marc Seidman, um médico especialista em cirurgias plásticas reparadoras, acorda no primeiro capítulo do livro em um hospital sem saber bem o que está acontecendo. Então, vamos descobrindo junto com Marc que ele foi alvejado por tiros em sua casa. Ele quase não resistiu. E que sua esposa, Monica, morreu. Ah, se já não foi notícia ruim o suficiente, sua filha Tara está desaparecida. A menina não foi encontrada nos 12 dias que Marc esteve desacordado. Todas as informações são muito confusas, e Marc não se lembra de nada que aconteceu naquela manhã fatal. Nem de ouvir o barulho de uma janela quebrada, o que viria a ser a forma que os malfeitores adentraram seu lar.

Todo esse drama já nos é passado nas primeiras páginas, e eu me vi muito agoniada. É impossível conceber a ideia de um filho estar sumido, e há 12 dias, sem chance de saber se está vivo, se está bem. Piora MUITO quando essa criança tem apenas 6 meses de vida, e obviamente, precisa de todo cuidado que os pais sabem como fazer. E o desenrolar de toda trama se dá através de Marc metendo a cara em toda e qualquer pista que o levasse ao rastro de Tara.

“Como já disse, casas são cimento e tijolos. Nada mais.”

NÃO HÁ SEGUNDA CHANCE – HARLAN COBEN

Já envolvido em desvendar essa história, Marc visita Edgar, o pai de Monica e descobre que os “sequestradores” entraram em contato, fazendo o pedido de 2 milhões de dólares para que eles tenham Tara de volta. Seu sogro é rico, e embora esteja de luto pela perda de sua filha, Monica, o homem topa desembolsar a grana para que Tara retorne para os braços de sua família. Os sequestradores mandaram uma prova que estavam com a menina, e isso deixou tanto o pai, quanto o avô, na expectativa do impasse se resolver.

Obviamente, a polícia não deveria ser informada. Mas, o pai de Tara avisa à polícia respeito dessa entrega de resgate. Marc já estava na “mira” dos detetives – como possível assassino na esposa e mentor de todo esse circo que virou a história –, pois realmente tudo estava muito suspeito. No entanto, eu acreditei nele, no desespero dele para encontrar a filha. Entretanto seu casamento com Monica não estava bem das pernas, e os detetives vieram com diversas perguntas quando descobriram que a mulher engravidou para “forçar” um casamento.

 “- Se você não estiver sozinho, desaparecemos. Se for seguido, desaparecemos. Se eu farejar um policial, desaparecemos. Não há segunda chance. Entendeu?”

Deu tudo errado nesse primeiro contato, os dois milhões foram para as mãos dos bandidos, e nada da Tara de volta. Frustração define! No entanto, ainda tínhamos MUITAS páginas pela frente. E Coben não nos decepciona. A trama de Não Há Segunda Chance envolve o leitor daquele jeito que fez o autor ser conhecido como O Mestre das Noites em Claro. A gente precisa desesperadamente descobrir se Tara realmente está viva, se Marc é inocente, se a menina vai voltar para o pai, e que confusão foi essa onde Marc quase morreu, e Monica não resistiu para contar a história.

Passam-se 18 meses é os bandidos resolvem que quando disseram: Não Há Segunda Chance, não precisava ser algo tão radical assim. Bora lá tentar mais uma entrega da menina, maaasss é óbvio que eles queriam mais 2 milhões em mãos. O avô da menina topa? Sim, ele repassa novamente a grana, mas avisa ao genro que não tem fontes infindáveis de dinheiro. E que dessa vez as coisas precisavam dar certo. Dessa vez Marc conta com a ajuda de sua ex-namorado que ressurgiu em seus caminhos. Rachel Mills é uma ex-agente do FBI e ajuda ao pai desesperado a tentar comprovar que sua filha está bem, e a repassar o valor do resgate sem voltar de mãos abanando dessa vez.

“A sanidade é uma linha fina.”

NÃO HÁ SEGUNDA CHANCE – HARLAN COBEN

Com todos esses acontecimentos pegando fogo na nossa mente, é claro que Coben insere uma trama paralela, de uma ex-atriz mirim que sinceramente, não bate muito bem dos pinos. A mulher tem um nível de sadismo muito preocupante. Ela só se envolve com o tipo de pessoa errada, onde um é um assassino feioso e grandalhão, o outro é um advogado não muito confiável, e até uma médica que faz partos clandestinos. É uma salada digna de um romance de Coben! A gente fica sem saber para onde correr. Conheceremos até um pessoal da Sérvia. Porque confusão pouca, é bobagem.

Digo que a solução de todos os mistérios do livro chega. Na verdade, essa solução não para de chegar. A cada momento um mistério é resolvido. Em cada parágrafo algo novo é desvendado. Não dá nem tempo de você raciocinar e pensar que o autor possa ter deixado passar algo aqui, e que essa história tem pontas soltas. E, de toda a trama, eu só não gostei de uma das escolhas de Coben. Não Há Segunda Chance como um todo foi muito emocionante, e essa releitura, me fez novamente deixar umas lágrimas correrem pelo rosto.

“Recostei-me e tentei digerir tudo aquilo. Luzes de alerta piscaram, mas não tive certeza do que queriam dizer.”

 

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Titulo: Não Há Segunda Chance
Autor: Harlan Coben
Ano: 2020
Páginas: 336
Editora: Arqueiro
Gênero: Ficção, Romance policial, Suspense e Mistério
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