“Não Fale Com Estranhos” foi um livro publicado em 2015 nos Estados Unidos, e em 2016 aqui no Brasil. Eu vim falar um pouco sobre a mais nova série liberada na plataforma de streaming Netflix. A verdade é que grande parte das pessoas que me conhecem sabe como sou fã de Harlan Coben. O autor é carinhosamente chamado de ‘O Mestre das Noites em Claro’ pela editora Arqueiro, e por nós, fãs alucinados. E vocês devem entender o motivo.

Que ele é ‘o cara’ eu já sabia. Mas, ele foi lá e fechou um contrato gigantesco com a Netflix. Então, o que sabemos é que 14, isso mesmo, QUATORZE livros já publicados (e alguns que ainda estão por vir) do mestre Coben serão adaptados. Dia 30 de janeiro foram liberados os 8 episódios da primeira adaptação dessa leva. Estou falando de “Não Fale Com Estranhos” (The Stranger). Quer saber o que achei? Vamos lá.

Porém, antes, quero dizer que tive uma excelente experiência com a primeira série relacionada ao Harlan, e produzida pela Netflix: “Safe” é uma série daquele tipo ‘imparável’. Você quer maratonar até saber que chegou ao fim. Ao contrário de “Não Fale Com Estranhos”, contudo, em “Safe” temos um roteiro original assinado pelo autor, e que não se originou de uma obra já existente.

“Não Fale Com Estranhos” vem para não só ressaltar, como também provar, que todos guardamos segredos – potencialmente destrutivos. Que todo mundo tem algo em sua vida que prefere esconder. Uma coisa que não quer que ninguém nunca descubra. E também veremos o poder que um segredo tem. Ou vários segredos… Enfim! Iremos acompanhar como o desvendar de um segredo foi criando raízes e alcançando diversas pessoas de uma pequena cidade britânica.

Adam Price (Richard Armitage) é um advogado, casado com Corinne (Dervla Kirwan) e pai de dois filhos – Thomas (Jacob Dudman) e Ryan (Misha Handley). Sua esposa está em viagem, participando de uma conferência de professores. E acaba sobrando para Adam participar de um jogo de futebol entre pais e filhos, com a turma de seu filho caçula, Ryan.

É enquanto Adam está no Clube de Futebol com seus filhos, que uma ‘estranha’, vivida pela atriz (Hannah John-Kamen) vai a seu encontro, e lhe entrega uma bomba que pode vir ruir sua estrutura familiar. O segredo tem a ver com uma possível ‘gravidez fake que sua esposa encenou há uns 2 anos. Falar sobre um episódio tão triste da vida da família, pois a gravidez terminou em um aborto traumático, abala Adam que fica remoendo essa história.

O mote de essa ‘estranha’ ter entregado esse segredo a Adam não é revelado, uma vez que a moça não lhe chantageia e nem pede nenhum valor monetário. Mesmo abalado, ele ama sua esposa e seus filhos. E quer entender o que está acontecendo, pois a ‘estranha’ insinuou até que seus dois filhos podem não ser realmente seus. E ninguém merece conviver com essa pulga atrás da orelha.

Temos vários flashbacks durante os episódios, onde podemos ver tanto Corinne grávida, mas nunca nua perto do marido. Também vemos um ultrassom, e Corinne chorando, arrasada por conta do aborto que sofreu. Não obstante, quando Adam interpela Corinne, apesar de ela não negar a gravidez fake, lhe diz que não poderá conversar no momento sobre isso, pois há muito mais coisas por trás de tudo. O que deixa o protagonista arrasado. Sem chão… E sem saber para onde correr.

Em outro nicho de interesses, temos Johanna Griffin (Siobhan Finneran), uma detetive que está contando os dias para se aposentar. Conhecemo-la em meio a uma ligação com sua amiga Heidi (Jennifer Saunders), onde comenta sobre a separação de seu marido. Ela tem um jovem parceiro no trabalho chamado Wesley Ross (Kadiff Krwan). E nesse primeiro momento juntos, eles vão a uma cena de crime onde foi encontrada uma alpaca decapitada. Ah, e com uma marca de mordida (humana) em uma de suas patas.

Em meio a essa investigação, a dupla encontra roupas espalhadas pela floresta. Depois um tênis… E enfim, um garoto nu e muito machucado, porem ainda vivo. Ele é Dante, um dos colegas da escola de Thomas, o filho mais velho de Adam e Corinne. Nesse ritmo vamos vendo cada vez mais as histórias sendo interligadas. Com o detalhe que a ‘estranha’ reveladora de segredos não para de agir! A moça que explode a vida dos outros, conhecida como a ‘estranha’, tem um objeto mágico feito o Joe da série “Você”: um boné da invisibilidade – olá Anabeth Chase (ok, essa foi para os fãs de Percy Jackson, admito)! Tá, isso foi uma tentativa de piada. Me desculpem.

A série acaba por arrolar muitas personagens, cada qual com sua história pessoal e seu segredinho ‘sujo’. Teve horas que pensei que em 8 episódios eles não seriam capazes de conseguir ajustar um final satisfatório para cada história. Mas, não percebi fios soltos ao chegar ao fim da adaptação. Confesso que rola um pouco o sentimento de “isso não tem no livro”. É normal! Tá tudo bem… Todos fazem isso uma hora ou outra. Mas, acredito que a essência da obra “Não Fale Com Estranhos” está ali. Não mudaram a grande revelação final, e isso eu achei muito importante.

Concluindo, eu recomendo muito a série para aqueles que são fãs de um bom mistério com investigação policial. E clamo aos fãs de carteirinha que se atentem às referências. Temos duas citações diretas à série de livros do Myron Bolitar, e temos a figuração do próprio autor – que é também um dos produtores executivos da série – durante uma cena nos primeiros episódios. Foi uma maratona intensa pra mim, mas que realmente valeu a pena esperar essa estreia a qual eu contava os dias.