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NADA ORTODOXA | CRITICA

31 março, 2020 por

O novo drama da Netflix de quatro episódios “Nada Ortodoxa” é baseado na autobiografia best-seller de Deborah Feldman de 2012,quando ela escreveu sobre deixar a comunidade Satmar Hasidic em Williamsburg, no Brooklyn para começar uma vida nova em Berlim.

A emoção das cenas é tanta que parece mais um filme um pouco mais longo e em uma única vez é possível maratonar sem cansar a jornada interpretada por Shira Haas, atriz da série “Shtisel”, personagem principal da trama.

Criada na seita, Etsy escapa de um casamento arranjado aos 19 anos de idade, enquanto estava grávida de seu primeiro filho. A escandalosa rejeição das “raízes hassídicas” traçam um caminho familiar de resistência, muito bem abordadas nas sequencias que se seguem.

Enquanto as circunstâncias particulares a cercam com um poder único, a história de Etsy também é contada pela perspectiva da tradição emergente de contos que cercam a natureza opressiva das comunidades judaicas ultraortodoxas e às pessoas que lutam com o impulso de seguir em frente.

Nada Ordotoxa Netflix

No início pode até parecer uma série um pouco maçante, mas no decorrer, vira uma importante lição, onde é sempre possível recomeçar. Não importa o que aconteça.

Nada Ortodoxa  se aprofunda ao tratar da cultura judaica, mas ela vai além ao transpor o cenário para uma Berlim contemporânea. Assim, ressaltando o impacto e a importância dos ensinamentos vindo com essa mudança e a musica como trajetória de fundo dessa jornada em todos os sentidos.

Também é possível acompanhamos na série a versão da história de Yanky (Daddy Yankee), marido de Etsy e seu irônico primo Moishe (Jeff Wilbusch) na tentativa de rastrear-lá como numa espécie de caçada judaica.

Mesclar a narrativa da vida da protagonista, com essa espécie de perseguição, torna-se um charme para o texto e, consequentemente, um atrativo para o público seguir com a história.

Nada Ortodoxa

Vale ressaltar que, para destacar e reafirmar esse posicionamento, Nada Ortodoxa intercala cenas em que ela é vista pela primeira vez pela família de seu futuro noivo “arranjado” e medo, tristeza e uma mistura de ingenuidade e admiração pelo que ela descobre em Berlim. Duas realidades tão distantes, mas que convivem próximas.

A cineasta Maria Schrader fez um belíssimo trabalho ao capturar rituais e detalhes hiper específicos com o máximo os close-ups no rosto dos atores, aproximando-se para capturar momentos de angústia contidos e liberados.

Assim, vemos mulheres mal tratadas no intuito de estarem sendo protegidas dentro da estrutura religiosa e toda essa evolução, vencendo as diferenças que uma coisa gratificante e bonita de se ver.

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