Midsommar – O Mal Não Espera a Noite é um filme de terror sueco que tem sua estreia oficial no Brasil no dia 19 de setembro, porém houveram sessões disponíveis como pré-estreia no dia 13, sexta-feira. Nós aqui do Coisas de Mineira tivemos o privilégio de acompanhar a exibição desse filme no dia 12 de setembro, quinta-feira. Vamos conferir o que conseguimos entender desse filme cult?!

O cineasta Ari Aster é conhecido por seu trabalho no filme Hereditário (Hereditary, 2018) e o curta The Strange Thing About the Johnsons (2011). Também recebeu o título de o “Maestro do Terror”, é um roteirista e cineasta norte-americano de 33 anos, e afinal, seu trabalho tem sido aclamado pelo público.

RESENHA | MIMDHUNTER – J. DOUGLAS, M. OLSHAKER

“Da mente visionária de Ari Aster surge um conto de fadas cinematográfico encharcado de pavor onde um mundo de escuridão se desdobra em plena luz do dia.”

Então, Midsommar é um filme que já chega deixando os cinéfilos com grandes expectativas. Tudo se dá pela fama que Aster alcançou na direção do já citado e tão elogiado pela crítica, Hereditário. Nesse novo longa, iremos acompanhar um filme recheado de misticismos, rituais e cultura bastante distante do que já conhecemos.

O filme começa com Dani (Florence Pugh) em um momento de tensão em sua casa, pois está sem contato com sua irmã e não recebe notícias de seus pais. Conforme perceberemos, sua irmã foi diagnosticada com transtorno bipolar. E Dani, por sua vez, não tem uma saúde mental muito em dia. Podemos perceber o quão aflita e ansiosa a jovem fica nesses primeiros minutos de abertura da história.

Dani tem um namorado há aproximadamente 4 anos, que ela tem como suporte durante suas oscilações de humor e problemas familiares. Ele se chama Christian (Jack Reynor) – e aparentemente não está mais conseguindo lidar com o relacionamento dos dois. Ele forma um quarteto de amigos com Josh (William Jackson Harper), Mark (Will Poulter) e Pelle (Vilhelm Blomgren).

MIDSOMMAR – O MAL NÃO ESPERA A NOITE

E, após um trauma enorme sofrido por Dani, Christian a convida para uma viagem acadêmica com seus 4 amigos, a uma comunidade na Suécia, terra natal de Pelle. Lá eles acompanharão o dia a dia dessa aldeia conhecida por executar a celebração do Midsommar.

“Ela está mudando de um relacionamento codependente [com Chris] para outro [relacionamento codependente] até o final do filme. É como a família codependente definitiva.” ~ Ari Aste

Eu acredito que Midsommar é um filme daqueles que você precise ter um tempo para ir digerindo. Para mim foi impossível concatenar as cenas e a história tão logo elas eram apresentadas. Eu me senti muito perturbada, e isso se deu, claro, por a viagem dos 5 amigos ter se tornado algo muito estranho e até violento.Mas, isso a gente meio que já esperava, obviamente, uma vez que o diretor disse que seu interesse era em fazer um horror folclórico.

Embora estejamos certamente expostos à comunidade bastante peculiar de onde Pelle é oriundo, Midsommar para mim é todo sobre Dani. Sobre seu desespero – aliás, eu não conhecia a atriz e me encantei (através da empatia TOTAL que tive por ela) com a cena que ela chora ao receber uma notícia fatídica. Eu não me recordo de ter assistido nenhuma cena com tamanha transmissão de desolação e desespero. Ela urrava, ela se encolhia, ela gemia e chorava.
Midsommar é sobre Dani, porque as metáforas utilizadas durante o filme nos relembra a todo instante seu relacionamento com Christian tendendo cada vez mais ao fracasso.

MIDSOMMAR – O MAL NÃO ESPERA A NOITE

“A linguagem deles é empatia, e Dani é um personagem que precisa desesperadamente de alguma empatia.” ~ Ari Aste

Posteriormente, convivendo por alguns dias na comunidade rural da Suécia, Dani redescobre um novo sentido para o mundo. Ela enxerga como seria pertencer a algo, fazer parte de um meio. Dani pôde sentir o acolhimento que Chris poderia ter oferecido, mas escolheu se calar e não se manifestar.

Pesquisando um pouco sobre o filme, descobri que muitas situações vistas no longa tem a ver com a cultura escandinava e germânica – ou cultura nórdica, como um todo. Algo que achei deveras interessante foi a explicação que Pelle dá a seus amigos a respeito da divisão das fases da vida que sua comunidade pratica. Sendo os 72 anos o ápice, o limite de dias vividos. Vemos oferendas e sacrifícios. Acompanhamos rituais – uns muito bonitos, outros um tanto medonhos e agoniantes, e descobrimos juntos com Dani como a comunidade vive e se perpetua.

“Nós colocamos nossos idosos em asilos, e isso deve ser perturbador a eles.”

Midsommar é extremamente silencioso. Não é um filme com rompantes acústicos. E conforme as cenas se dão, eu fui percebendo como o jogo de câmera é fantástico. Fiquei extremamente encantada, e olha que sou bastante leiga em assuntos técnicos do cinema. Com suas aproximadamente 2 horas e meia de filme, temos uma trama lenta. Que acontece sem aquela ânsia de pegar o público desprevenido. Muito pelo contrário, o filme exige da gente muita atenção – e reflexão pós sessão.

MIDSOMMAR – O MAL NÃO ESPERA A NOITE

Em um longa cult, um pouco psicológico e muito antropológico, Ari Aster nos entrega um filme praticamente todo distante de tecnologias. Centrado em um só lugar, com um só povo. E você poderá ir descobrindo pouco a pouco se esses aldeões e seu Culto lhe arrancarão arrepios ou tão somente uma experiência cinematográfica alucinógena.

Após toda essa minha catarse, recomendo que você assista esse longa com olhos adaptativos, tanto à novas verdades, quanto à uma fotografia impecável – se atente aos edifícios, às mesas onde são feitas as refeições, e principalmente aos papéis de parede utilizados dentro dos dormitórios. Inegavelmente você não saíra da sala de cinema da mesma forma que entrou.

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Data de lançamento: 19 de setembro de 2019
Duração: 2h 27min
Direção: Ari Aster
Elenco: Florence Pugh, Jack Reynor, Will Poulter
Gênero: Terror, Horror Folclórico
Nacionalidade: EUA
Distribuidora: Paris Filmes