CINEMA

CRÍTICA | MIDSOMMAR – O MAL NÃO ESPERA A NOITE

17 setembro, 2019 por

MIDSOMMAR – O MAL NÃO ESPERA A NOITE

Midsommar – O Mal Não Espera a Noite é um filme de terror sueco que tem sua estreia oficial no Brasil no dia 19 de setembro, porém houveram sessões disponíveis como pré-estreia no dia 13, sexta-feira. Nós aqui do Coisas de Mineira tivemos o privilégio de acompanhar a exibição desse filme no dia 12 de setembro, quinta-feira. Vamos conferir o que conseguimos entender desse filme cult?!

O cineasta Ari Aster é conhecido por seu trabalho no filme Hereditário (Hereditary, 2018) e o curta The Strange Thing About the Johnsons (2011). Também recebeu o título de o “Maestro do Terror”, é um roteirista e cineasta norte-americano de 33 anos, e afinal, seu trabalho tem sido aclamado pelo público.

RESENHA | MIMDHUNTER – J. DOUGLAS, M. OLSHAKER

“Da mente visionária de Ari Aster surge um conto de fadas cinematográfico encharcado de pavor onde um mundo de escuridão se desdobra em plena luz do dia.”

Então, Midsommar é um filme que já chega deixando os cinéfilos com grandes expectativas. Tudo se dá pela fama que Aster alcançou na direção do já citado e tão elogiado pela crítica, Hereditário. Nesse novo longa, iremos acompanhar um filme recheado de misticismos, rituais e cultura bastante distante do que já conhecemos.

O filme começa com Dani (Florence Pugh) em um momento de tensão em sua casa, pois está sem contato com sua irmã e não recebe notícias de seus pais. Conforme perceberemos, sua irmã foi diagnosticada com transtorno bipolar. E Dani, por sua vez, não tem uma saúde mental muito em dia. Podemos perceber o quão aflita e ansiosa a jovem fica nesses primeiros minutos de abertura da história.

Dani tem um namorado há aproximadamente 4 anos, que ela tem como suporte durante suas oscilações de humor e problemas familiares. Ele se chama Christian (Jack Reynor) – e aparentemente não está mais conseguindo lidar com o relacionamento dos dois. Ele forma um quarteto de amigos com Josh (William Jackson Harper), Mark (Will Poulter) e Pelle (Vilhelm Blomgren).

MIDSOMMAR – O MAL NÃO ESPERA A NOITE

E, após um trauma enorme sofrido por Dani, Christian a convida para uma viagem acadêmica com seus 4 amigos, a uma comunidade na Suécia, terra natal de Pelle. Lá eles acompanharão o dia a dia dessa aldeia conhecida por executar a celebração do Midsommar.

“Ela está mudando de um relacionamento codependente [com Chris] para outro [relacionamento codependente] até o final do filme. É como a família codependente definitiva.” ~ Ari Aste

Eu acredito que Midsommar é um filme daqueles que você precise ter um tempo para ir digerindo. Para mim foi impossível concatenar as cenas e a história tão logo elas eram apresentadas. Eu me senti muito perturbada, e isso se deu, claro, por a viagem dos 5 amigos ter se tornado algo muito estranho e até violento.Mas, isso a gente meio que já esperava, obviamente, uma vez que o diretor disse que seu interesse era em fazer um horror folclórico.

Embora estejamos certamente expostos à comunidade bastante peculiar de onde Pelle é oriundo, Midsommar para mim é todo sobre Dani. Sobre seu desespero – aliás, eu não conhecia a atriz e me encantei (através da empatia TOTAL que tive por ela) com a cena que ela chora ao receber uma notícia fatídica. Eu não me recordo de ter assistido nenhuma cena com tamanha transmissão de desolação e desespero. Ela urrava, ela se encolhia, ela gemia e chorava.
Midsommar é sobre Dani, porque as metáforas utilizadas durante o filme nos relembra a todo instante seu relacionamento com Christian tendendo cada vez mais ao fracasso.

MIDSOMMAR – O MAL NÃO ESPERA A NOITE

“A linguagem deles é empatia, e Dani é um personagem que precisa desesperadamente de alguma empatia.” ~ Ari Aste

Posteriormente, convivendo por alguns dias na comunidade rural da Suécia, Dani redescobre um novo sentido para o mundo. Ela enxerga como seria pertencer a algo, fazer parte de um meio. Dani pôde sentir o acolhimento que Chris poderia ter oferecido, mas escolheu se calar e não se manifestar.

Pesquisando um pouco sobre o filme, descobri que muitas situações vistas no longa tem a ver com a cultura escandinava e germânica – ou cultura nórdica, como um todo. Algo que achei deveras interessante foi a explicação que Pelle dá a seus amigos a respeito da divisão das fases da vida que sua comunidade pratica. Sendo os 72 anos o ápice, o limite de dias vividos. Vemos oferendas e sacrifícios. Acompanhamos rituais – uns muito bonitos, outros um tanto medonhos e agoniantes, e descobrimos juntos com Dani como a comunidade vive e se perpetua.

“Nós colocamos nossos idosos em asilos, e isso deve ser perturbador a eles.”

Midsommar é extremamente silencioso. Não é um filme com rompantes acústicos. E conforme as cenas se dão, eu fui percebendo como o jogo de câmera é fantástico. Fiquei extremamente encantada, e olha que sou bastante leiga em assuntos técnicos do cinema. Com suas aproximadamente 2 horas e meia de filme, temos uma trama lenta. Que acontece sem aquela ânsia de pegar o público desprevenido. Muito pelo contrário, o filme exige da gente muita atenção – e reflexão pós sessão.

MIDSOMMAR – O MAL NÃO ESPERA A NOITE

Em um longa cult, um pouco psicológico e muito antropológico, Ari Aster nos entrega um filme praticamente todo distante de tecnologias. Centrado em um só lugar, com um só povo. E você poderá ir descobrindo pouco a pouco se esses aldeões e seu Culto lhe arrancarão arrepios ou tão somente uma experiência cinematográfica alucinógena.

Após toda essa minha catarse, recomendo que você assista esse longa com olhos adaptativos, tanto à novas verdades, quanto à uma fotografia impecável – se atente aos edifícios, às mesas onde são feitas as refeições, e principalmente aos papéis de parede utilizados dentro dos dormitórios. Inegavelmente você não saíra da sala de cinema da mesma forma que entrou.

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Data de lançamento: 19 de setembro de 2019
Duração: 2h 27min
Direção: Ari Aster
Elenco: Florence Pugh, Jack Reynor, Will Poulter
Gênero: Terror, Horror Folclórico
Nacionalidade: EUA
Distribuidora: Paris Filmes

 

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25 Comentários

  • Stefania
    outubro 01, 2019

    Amiga, este filme me deixou literalmente boquiaberta, e seus comentários vem muito de encontro ao que assisti e senti. Texto perfeito, mais uma vez arrasou.

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 01, 2019

      Stef, que saudades de você por aqui! Obrigada pelo carinho de sempre. Esse filme realmente é daqueles que nos fazem ficar regurgitando, né?? Uma hora desce!!! Como é forte. Gostei muito também.
      Abraços

  • Garoto de Outro Planeta
    setembro 25, 2019

    Que legal sua resenha, ou deveríamos chamar de análise? Achei bem mais completa e crítica que a maioria dos textos que vejo em blogs de cinema ou literatura. Até aprendi algumas coisas kk

    Não conhecia esse filme, fiquei curioso para conferir, apesar de estar em uma fase de estar consumindo mais coisas fantasiosas.

    Beijos!

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 26, 2019

      Aaahhh, que prazer ler um comentário desse, gente. Obrigada de verdade!!! Eu tento falar um pouco do que senti e compreendi sobre o filme, mas sem que isso tire o brilho especial para quem ainda vai assisti-lo. Espero ter conseguido nessa crítica.
      Beijocas

  • Paula Marcondes
    setembro 25, 2019

    Já quero assistir pra ontem. Eu tenho adorado alguns filmes de terror da atualidade e creio que estou frete a um que irei gostar.

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 26, 2019

      Paula, a proposta dele é muito boa. Mas, realmente acredito que poucas pessoas irão gostar. Geralmente a gente tem um padrão e não quer que ele seja quebrado. Se você for ousada como eu, vai amar essa história louca. Abraços.

  • Erika Monteiro
    setembro 23, 2019

    Oi Carol, tudo bem? Primeiro achei o nome do filme muito “estranho”. Ao ler nunca imaginaria o enredo. Acredito quão difícil seja para a família ou pessoas próximas conviver com alguém assim. Ainda mais mudando de humor ou atitude o tempo todo. É preciso paciência e compreensão. Não lembro de ter ouvido o nome desse diretor e nem ter assistido filmes produzidos por ele. Mas por ser num país diferente fiquei curiosa. Um abraço, Érika =^.^=

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 24, 2019

      Verdade, Erika. O nome do filme é o nome do festival que os amigos foram presenciar, lá no interior da Suécia.
      Eu só havia ouvido falar em Hereditário. Mas, parece que o cara é bem promissor.
      Grande abraço!!

  • Raíssa Zaneze
    setembro 23, 2019

    Oi Carol! No grupo de cinema que eu faço parte, esse filme foi bastante comentado. Honestamente, não é o tipo de filme que eu seja muito fã. Até vejo, mas acho que é aquilo de “época”. Tem época que me sinto de boa para ver qualquer tipo de filmes, tem outras, onde só ler o seu post, por exemplo, já fique angustiada.
    Li que ele pode ser uma aposta para premiações, mas, nunca se sabe. Se for, acho que vai ser aí que acabei vendo ele. Parabéns pelo post. Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 24, 2019

      Compreendo, Raíssa. Eu fiquei com vontade de vê-lo justamente pelo hype sobre o diretor. Mas, bom… não é um tipo de filme que a gente tá pronto pra topar em qualquer hora e lugar. hahahaha
      Abraços e obrigada pela visita.

  • Ana Caroline
    setembro 21, 2019

    Olá, Carol.

    Eu quero muito assistir Hereditário, apesar do filme dividir as opiniões.
    Esse filme do diretor não me chamou a atenção, além de ser longo, a história me parece ser super monótona, e você ainda citou que acontece de forma lente. Gosto de filmes com mais ação, mais movimentados.
    Confesso que se eu assisti-lo, acabo dormindo, mas pelo menos para você foi uma trama boa.

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 24, 2019

      Ana, eu acho que se o seu pique exige filmes mais agitados, talvez esse aqui te cause sono mesmo. Ele é bem estranho. E faz a gente ficar “regurgitando” tudo que vê. hahahhaa
      Mas, quem sabe você não curta mesmo o Hereditário, né??
      Abraços

  • […] CRÍTICA | MIDSOMMAR – O MAL NÃO ESPERA A NOITE […]

  • Mari
    setembro 19, 2019

    Não é um tipo de filme que eu gosto de assistir, na verdade acho até que não me faz bem. Mas fiquei curiosa e gostei muito das suas considerações tanto pela história quanto pela personagem principal.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 21, 2019

      Olha Mari, eu super te compreendo. É um filme bem diferente, e que meche com a cabeça da gente. Não é todo mundo que dá conta mesmo não. Eu me diverti. Mas, fiquei com muita coisa pra digerir depois…
      Beijão

  • Nique Bittencourt
    setembro 19, 2019

    Ebaaa. Adoro filmes de terror, estava a procura de um pra assistir, valeu!

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 21, 2019

      Aproveita a dica. Esse filme meche com a cachola da gente…
      Abraços

  • Eduardo Moretti
    setembro 19, 2019

    Nossa tenho mta vontade assistir esse filme, com sua resenha então essa vontade só aumentou. O trailer dele tbm me chamou mta atenção. Bjs.

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 19, 2019

      Que legal Eduardo. Fico feliz que eu tenha conseguido passar alguma das emoções sentidas com a obra.
      Abração

  • Jacqueline Vasconcelos
    setembro 18, 2019

    Oi,tudo bem ?

    Já ouvi falar bastante de Hereditario e agora Midsomar, mas ainda não assisti. Porém a proposta das obras são bastante interessantes e aumenta bastante a vontade do público para assisti. Amei sua resenha bastante completa, sincera…amo avaliações assim, pois ajudam demais, você arrasou.

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 19, 2019

      Que legal Jacqueline. Fico feliz que tenha te agradado… Espero que consiga assistir aos filmes.
      Grande abraço e valeu mesmo.

  • Leitura Enigmática
    setembro 18, 2019

    Nossa, já desejo demais assistir esse filme, eu sou fã de filmes de terror e depois que assisti ao trailer, minha curiosidade ficou muito aguçada. Não espero a hora de assistir.

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 18, 2019

      É um filme que fica na mente da gente, viu? Eu repensei ele durante muito tempo! hahahaa E ainda debati com uma colega que estava na mesma sessão.

  • Rafaela Silva
    setembro 18, 2019

    Primeiro que fiquei impressionada com a sua resenha extremamente detalhada, amei!
    Eu vi o trailer e fiquei louca para assistir, mas não sabia que era tão bom assim… já quero.
    Amei o post.

    • Carol Nery
      Carol Nery
      setembro 18, 2019

      Que responsa que fiquei agora, Rafaela!! haahhaa Espero que o filme seja uma experiência interessante pra você também. Esse é daqueles que a gente precisa digerir depois.
      Obrigada pelo comentário carinhoso. Beijão.