Maria e João (Gretel & Hansel, 2020), do diretor Oz Perkins, é uma releitura atualizada para os tempos modernos do clássico infantil João e Maria (aquele mesmo, que você ouvia quando infante). Por Gretel, ou no nosso caso, Maria, ter ganhado o primeiro lugar no título, já sabemos que mudanças virão.

Estrelado por Sophia Lillis, de It (2017 e 2019), Maria e João busca trazer uma história de descoberta dos verdadeiros poderes de Maria, distanciando um tanto bom do enredo conhecido por nós desde crianças. Acontece que no início deste longa, as crianças realmente são abandonadas (ou ‘tocadas’ de casa) por sua mãe. A escassez de comida parece estar levando as pessoas aos atos mais cruéis, hediondos e as fazendo realmente flertar com a loucura.

Primeiramente, na história original, escrita pelos irmãos Grimm, Hansel e Gretel (ou João e Maria), após serem abandonados na floresta, encontram uma casa toda feita de guloseimas. As crianças – que estão esfomeadas – acabam por ceder à tentação de adentrar essa casa feita de doces. Mas, não contavam com o fato de a dona dessa residência ser uma bruxa. Além disso, uma bruxa canibal… E essa bruxa surpreendentemente gosta de se alimentar de criancinhas rechonchudas.

Na adaptação de Perkins, Maria e João também encontram esse abrigo em meio à floresta, enquanto buscam chegar a um povoado que os acolha. Maria tem 17 anos e, João (Samuel Leakey) apenas 8. Essa questão da idade, e de o nome da garota Maria vir à frente do nome de João, são algumas das primeiras diferenças que percebemos – confrontando com a história original que permeia nosso imaginário saudosista, claro.

Maria e João é mais sobre Maria, e menos a respeito de João. E ao longo das cenas, percebemos esse protagonismo de Maria, mesmo porque ela é a irmã mais velha; e aquela que zela pelo cuidado do irmão caçula. Outra questão que logo perceberemos, é que a casa da bruxa não é mais feita completamente de doces. Contudo, no interior da residência é encontrado todo tipo de guloseimas atrativas e saborosas (e feitiçaria!). Assim sendo, João é automaticamente atraído por esse banquete digno de realeza.

A partir do momento que conhecemos a bruxa má – ela chama Holda –, interpretada pela atriz Alice Krige, iremos perceber como ela tenta influenciar os sonhos e a vida de Maria. Ela estará constantemente buscando despertar o interesse de Maria em um misterioso poder que a garota aparentemente tem dentro de si. Até cita para a adolescente saber que ela ‘conversa’ com as coisas – e em uma cena divertida, você verá Maria conversando com cogumelos na floresta. Consecutivamente, João não tem espaço nos planos da bruxa, embora Maria demonstre muito apego e cuidado com ele. Mas Holda só vê uma finalidade para João. Talvez, ser devorado por ela… Quem sabe?!

O clima de Maria e João é soturno, geralmente as cenas são escuras, e também misteriosas. Sentimos um clima de tensão, beirando as margens de um tipo de terror – afinal, o longa pode ser considerado um horror folclórico. Os figurinos são muito bem casados com o estilo retratado na história. E o detalhe das pontas dos dedos da bruxa serem pretos também é algo a se reparar e deixar registrado. Fica a dica: preste atenção à fotografia desse filme. Cenas muito bem feitas serão apresentadas.

Finalmente, concluo lhe alertando que se você tem interesse em obras que retratem uma mulher descobrindo sua força, sua capacidade, seu poder… Você estará em boas mãos permitindo-se conhecer Maria e João em 1h27 min de filme. Com algumas cenas propositalmente confusas, e focos de luz trabalhados de forma a realçar os rostos dos atores – deixando um clima sombrio na atmosfera –, esse filme, afinal, é uma boa pedida de entretenimento (menos se você quiser fidedignidade conforme a história original).

CURIOSIDADES

1. As filmagens de Maria e João começaram em novembro de 2018, em Dublin (Irlanda). Encerraram-se em dezembro de 2018;
2. Maria e João foi escrito por Rob Hayes, com o diretor Osgood Perkins;
3. O conto João e Maria, escrito pelos Irmãos Grimm foi publicado pela primeira vez em 1812;
4. A troca na ordem dos nomes se deu porque Perkins queria dar liberdade, evolução e protagonismo à Maria – ou seja, que ela fosse o foco da história. Queria que ela fosse um pouco mais velha que João, e não com a idade tão próxima como conhecemos na história dos Grimm.

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Data de Estreia: 20 de fevereiro de 2020
Duração: 1h 27min
Gênero: Terror, Fantasia, Suspense
Direção: Osgood Perkins (II)
Elenco: Sophia Lillis, Alice Krige, Samuel Leakey
Distribuidora: Imagem Filmes