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MALORIE – JOSH MALERMAN | RESENHA

25 setembro, 2020 por

Malorie – a sequência de Caixa de Pássaros: Livro esse que foi o desejo de MUITOS leitores. Porém, existe àquela gama de fãs que afirmam ter sido um livro desnecessário. Você está em qual time? Amou ou odiou Caixa de Pássaros? Ficou feliz com o lançamento de Malorie, ou queria que as coisas tivessem ficado no ponto final do livro anterior?

Seja qual for sua opinião, hoje eu tô aqui para falar dessa minha experiência com Malorie. Porém, por antecipação, minha experiência com Caixa de Pássaros, obviamente. Lançado ‘lá fora’ em 2014, a obra supracitada foi um livro que explodiu em sucesso muito rapidamente. O ponto principal desse primeiro livro é que, nosso mundo foi invadido por criaturas estranhas e medonhas. Ninguém sabe de onde vieram, se suas razões são malignas, ou qualquer outra coisa.

Além disso tudo, essas criaturas misteriosas ‘fazem’ com que quem olhe para elas, simplesmente enlouqueça! Entretanto a pior parte desse enlouquecimento, é que em extensão disso, a pessoa se mata – não antes de matar a todos a seu redor. O que se pode fazer a respeito desse caos? Parar de enxergar! Isso mesmo. Não abrir os olhos e usar vendas.

No entanto, como fazer para se acostumar a viver permanentemente sem um dos mais importantes sentidos que temos? E esse é o drama em Caixa de Pássaros. Todavia, não é difícil imaginar a quantidade de problemas que chegaram com a necessidade dessa adaptação (o ato de não enxergar). E o fato de ter que resolver toda e qualquer situação SEM ABRIR OS OLHOS.

Eu li esse primeiro livro numa respirada só. E não sou de ficar lendo somente um livro de cada vez… Mas, a escrita do autor me pegou de jeito, a narrativa é boa pra caramba, e eu PRECISAVA saber o que ia acontecer. Como tudo iria terminar? E como trabalhamos com a sinceridade aqui, eu sou do time que nunca mais quis ler nada do Malerman. Sério! Fui com muita expectativa para o final da obra. E não foi entregue nada nem perto do que eu esperava.

Anos se passaram e o autor sempre afirmando que não faria uma “continuação” do tal livro. Lançou mais uns 3 livros, e eu passei longe. Porque não tinha interesse em ser decepcionada de novo. Ouvi elogios e muitas críticas a seus livros seguintes. E vontade eu não tive de conhecer nenhum deles.

Até que em pleno 2020, o ano mais doido de nossas simples vidas, chega o anúncio que Malorie estava pronto. Que sim! Nós teríamos as respostas que tanto ansiamos lá em 2016 (no meu caso). Demorou, mas chegou. Sei lá se a pressão se deu por parte de fãs, ou se foi o lado financeiro que pesou. O primeiro livro ganhou uma super adaptação pelo serviço de streaming Netflix, com nada mais, nada menos, do que Sandra Bullock no papel da protagonista.

O filme foi muito bem recebido, segundo reportagens que li, e agradou muita gente. Só que… e as respostas? Quando viriam? E assim nasceu meu interesse em dar mais uma chance ao Malerman. E eu fui com a mente bem leve e livre. Juro que cheguei à Malorie despretensiosamente, porém muito atenta.

Aqui em Malorie, as crianças que nasceram lá no início dessa turbulência que acometeu o mundo como conhecíamos, e a protagonista se recusava a nomear, agora eles têm nome: Tom e Olympia. Eles cresceram, e estão com 16 anos. Malorie os criou de forma igual, com todas as regras rígidas que ela acha necessário que sejam seguidas para continuarem sãos e juntos, e também como irmãos.

É por ser tão rigorosa, traumatizada e até controladora, que eles ainda estão vivos. A vestimenta da família se dá de tal forma: moletons de mangas compridas, luvas, e o mais importante, SEMPRE o mais importante, as vendas! Elas nunca podem deixar de serem usadas. A mulher acredita que somente o toque das criaturas podem levar à loucura.

Crescendo dessa forma, com medo de enxergar, e condicionados a já acordarem de olhos fechados, a vida de Tom e Olympia não passa perto de ser algo que os adolescentes gostariam que fosse. Eles não podem conversar com ninguém, e também nunca saem para lugar algum. Seguem estritamente os mandos e desmandos de Malorie – ela é a única, entre eles, que sabe como as coisas foram antes dessas criaturas chegarem e enlouquecerem o mundo.

Olympia é uma garota que se refugia em seus livros, enquanto Tom fica criando suas invenções, brincando de forma que o tempo passe… e quem sabe, ele desenvolva uma forma de enxergar as criaturas sem perder o domínio de sua mente. Até que certo dia algo inesperado acontece, e Malorie e seus filhos decidem sair em uma espécie de aventura.

Eles decretam que irão para outra região, uma longa viagem, e sem poder enxergar o mundo ao redor. Malorie decide que seus filhos e ela precisam sobreviver acima de tudo. E não mede esforços para mantê-los dentro do limite estipulado por ela.

Malorie sabe o que é perder amigos e familiares – eles não, por terem nascido já em meio ao caos. Assim como a necessidade e urgência da protagonista e sua família de se deslocarem causando o menor ruído possível no mundo para não serem notados, a escrita de Malerman também acompanha esse frenesi. Mais uma vez me vi grudada às paginas escritas por ele, sem conseguir largar por nada. Li em um dia, desejosa em descobrir enfim algumas respostas que não tive no primeiro livro.

Obviamente algumas coisas sempre saem errado nesse tipo de “aventura” que a família está vivendo. Eu, pessoalmente, achei a Malorie meio chata. Muito cri-cri. Ela foi moldada por desespero, traumas e traição. Suas lembranças são horríveis e doloridas. E embora eu tenha empatia por todo seu sofrimento e resiliência, fiquei o tempo todo esperando que alguma bomba explodisse entre ela e seus filhos.

Às vezes o ato de ser uma mãe super protetora e cuidadosa demais (E COM MOTIVOS MIL!!!), é algo que leva a deterioração dos relacionamentos. E fiquei torcendo para que tudo desse certo para os 3 protagonistas, uma vez que seus dramas anteriores nos deixaram comovidos e envolvidos o tempo todo.

Recomendo a leitura de Malorie para aqueles que ficaram ansiando por um algo a mais. Que sentiram vontade de revisitar aquele caótico mundo de criaturas que ninguém sabe como são. A recomendação é para quem gosta da escrita do Malerman também. Super ágil, e com incisões cirúrgicas.

Porém, não recomendo ir para essa leitura achando que finalmente você terá as respostas concretas que buscou ao chegar ao final de Caixa de Pássaros. Mesmo que algumas personagens retornem em Malorie, nem tudo pode ser tão revelador o quanto você tenha esperado. Sinto muito.

Finalizando, eu gostei da leitura. Fiquei bem satisfeita com o que o autor fez nesse livro. Reitero que não sei se por ser incrivelmente rendável, ou se pra sanar o desejo de alguns fãs, esse livro nasceu. Veio ao mundo e, fiquei feliz por ter lido e sabido um pouco mais sobre essa terra devastada, e sobre pessoas icônicas, que agem e pensam de forma diferente da protagonista.

Malorie é toda introspectiva em seu modo de agir e pensar! Ah, fique de olho em Tom e Olympia. Eles são ótimos! São adolescentes com personalidades distintas, porém, abençoados com uma visão diferente do mundo.

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Título: Malorie 
Autor: Josh Malerman
Ano: 2020
Páginas: 288 
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção científica, Suspense, Terro
Onde comprar: AMAZON

 

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1 Comentário

  • Angela Cunha
    setembro 26, 2020

    Eu faço parte do time que amou Caixa de Pássaros, mas que também está bem apreensiva com esse segundo livro, apesar de ter quase certeza, de que irei amar rs
    Ainda não consegui comprar o meu exemplar, mas pretendo fazer isso em breve e admito que pretendo reler Caixa para poder pegar o gancho melhor!!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor