Locke & Key é uma série da Netflix, que é adaptada dos quadrinhos (considerados do gênero terror) escritos por Joe Hill. Esse é o segundo filho de nada mais, nada menos, o mestre Stephen King. A história reúne mistério e suspense, porém, eu não tive a oportunidade de ler tais obras. Sendo assim, minha experiência é toda com a série, que não sei se foi adaptada de forma mais fiel ou livremente.

Descobrimos no início da trama, que a família Locke acaba de passar por um trauma muito grande – composta pelo pai, Rendell Locke (Bill Heck), a mãe Nina Locke (Darby Stanchfield), e os três filhos, Tyler (Connor Jessup), e Kinsey (Emilia Jones) e Bode (Jackson Robert Scott). Rendell é um orientador escolar, e tenta auxiliar um aluno problema, Sam Lesser (Thomas Mitchell Barnet).

Sem muitas explicações nos primeiros episódios, só iremos acompanhar um rompante de Sam, quando o mesmo invade a casa dos Locke, em Boston, munido de uma arma. Ele aterroriza os membros da família, e tragicamente, atira no seu orientador. Sam diz: “Diga o que preciso saber sobre Key House” antes de puxar o gatilho. Rendell morre, e Nina salva sua família quando acerta o garoto com marteladas na cabeça. É trauma demais para dar conta, concordam?

Locke & Key

A família de Rendell é proprietária de uma grande mansão, em Matheson, Massachusetts. Rendell e seu irmão mais novo, Duncan (Aaron Ashmore) cresceram na Key House. Um lugar que aparentemente esconde diversos mistérios e segredos. Um detalhe interessante é que Duncan não tem lembranças de sua infância e de nada que aconteceu enquanto morava em Matheson.

Nina acredita que será melhor para ela e seus filhos se eles se mudassem para essa casa. Ficariam mais perto da história da família Locke e mais próximos de seu pai, que não podia mais estar entre eles. Porém, o início, como todo recomeço, não foi fácil. Os filhos adolescentes precisavam lidar cada um com seus medos, inseguranças e até mesmo remorsos. O caçula, não tinha muito o que fazer, então resolve desbravar a mansão e desencavar alguns de seus segredos.

Logo iremos descobrindo que a Key House possui um conjunto de chaves mágicas. Elas ‘desbloqueiam’ algumas habilidades. Uma transporta para qualquer lugar através de uma porta, se você já tiver visto a porta para onde quer ir. Uma outra destrava literalmente sua cabeça – ou seja, você conseguirá entrar na sua mente (ou na mente de quem tiver inserido a chave) e navegar entre lembranças passadas com a pessoa como guia.

Existe uma chave que muda a forma e aparência de quem tiver colocado a chave na fechadura que aparece em seu queixo, aproximadamente. E assim por diante… Bode é quem começa a ouvir sussurros como se as chaves o chamassem. Na verdade, entendi que as chaves se reconhecem como um legado de Tyler, Kinsey e Bode, os descendentes diretos de Rendell Locke.

Como nada pode ser fácil demais, e como a família King não brinca em serviço, essa casa tem um “demônio”, um eco do passado de Rendell e seus amigos. Ela se chama Dodge (Laysla De Oliveira) e tem uma enorme obsessão a respeito de colecionar as chaves para si. A moça engana Bode logo no início da série, e foge de onde estava aprisionada.

Os filhos de Rendell pouco sabem a respeito da vida anterior do pai. Ele mal falava desses tempos. Porém, é de conhecimento público que ele fazia parte de um grande grupo de amigos íntimos. Alguns deles se acidentaram enquanto nadavam, e morreram tragicamente. A vida dos demais ficou marcada para sempre por conta dessa catástrofe. E aos poucos, Tyler, Kinsey e Bode vão descobrindo mais sobre a adolescência do pai, sobre o poder de cada chave, sobre os mistérios relacionados a elas, e como Dodge pode ser terrível.

Ao longo de 10 episódios, iremos acompanhar essa trama que me aparentou ser muito bem desenvolvida. Contudo, como ressaltei anteriormente, não tive acesso as HQs originais. E com isso, li algumas reclamações na Web a respeito da série não entregar tudo que era preciso. Que respostas ficaram pendentes, e que os atores deixaram a desejar. Pode ser questão de interpretação, questão de gosto, e isso é algo que você só vai saber quando aproveitar para conhecer os Locke.

Não é uma série de terror, com monstros terríveis, ou sustos inesperados. Então acredito que não seja nada que te faça passar longe na hora de escolher algo para assistir no catálogo da Netflix. É um bom entretenimento. E no fim, você realmente percebe as peças se encaixando – como também deseja que uma segunda temporada venha com outras explicações.

CURIOSIDADES

  • Joe Hill tem muitas semelhanças com seu pai, Stephen King. E não é só na aparência não. Num dos últimos episódios temos um cameo do autor. Coisa que o pai dele é famoso por sempre fazer. Eu adorei!
  • Laysla De Oliveira, a Dodge, tem sangue brasileiro e fala português fluentemente. Ela é uma das protagonistas da série.
  • Duncan Locke, vivido por Aaron Ashmore tem um irmão gêmeo idêntico. Ambos são atores. Duncan é conhecido por Smallville, por exemplo. Seu irmão Shawn já é conhecido por seu papel de Homem de Gelo nas franquias de X-Men.
  • Não foi divulgada ainda uma data de estreia para a segunda temporada de Locke & Key, mas a série foi renovada com sucesso. E segundo os criadores da série, novos designers de chaves já estariam sendo produzidos.
  • Sobre a HQ “Locke & Key: BEM VINDO A LOVECRAFT” – Escrito por Hill e com arte de Gabriel Rodriguez, Locke & Key conta a história de Key House, uma improvável mansão da Nova Inglaterra onde a família Locke se refugia para tentar escapar de um assombroso passado de dor e assassinato.