Killer Clown é sobre John Wayne Gacy. Considerado um dos piores assassinos dos Estados Unidos, nesse livro iremos conhecer a história desse cara. Aparentemente simpático, e alguém que gostava de fazer amizade com pessoas ‘importantes’, Gacy estuprou, torturou e assassinou pelo menos 33 jovens rapazes, em Cook County, Illinois.

Lendo esse livro, que saiu aqui no Brasil em 2019 pela editora DarkSide Books, eu pude perceber que pouca coisa remete à fantasia de palhaço que ele invariavelmente utilizava. Ele ficou conhecido como o Palhaço Assassino, pois tinha fotos dele fantasiado em apresentações filantrópicas que fazia. Em sua casa também havia quadros dele mesmo fantasiado, bem como alguns itens que ele jurava ser para uso enquanto se apresentava. Porém, descobriremos no decorrer dos fatos, que não era bem assim.

John Wayne Gacy foi um empresário bem sucedido, um empreiteiro conhecido, e até querido de muitas pessoas. Era sociável, trabalhador, e gostava de se colocar em evidência. Ele também gostava de se associar a figuras importantes. Foi representante do Partido Democrata, e sempre era possível o ver marcando presença em grandes eventos políticos. Possuía fotos apertando a mão de nada mais, nada menos, do que da então primeira dama dos Estados Unidos – Rosalynn Carter.

Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino

KILLER CLOWN - TERRY SULLIVAN E PETER T. MAIKEN

Mas se tinha algo que Gacy não sabia lidar, era com sua sexualidade. Gostava de frisar sempre que possível sua bissexualidade. Todavia, perpetuou seus crimes contra adolescentes e jovens do sexo masculino. Algo dentro de si nunca deixou que ele se declarasse como homossexual. Contudo, ele tinha uma paixão doentia e incontrolável por homens jovens. E as atrocidades que perpetrava tinham um foco muito definido: adolescentes (sempre do sexo masculino) e rapazes.

Gacy era um pai dedicado para seus filhos e enteados. Ele foi casado por mais de uma vez, e se gabava aos amigos e conhecidos sobre sua performance na cama e espalhava sua fama de “pegador”. No entanto, as provas físicas soterradas abaixo de sua própria casa, dentre outros objetos que estavam dispostos nos cômodos de sua residência, levaram de fato, aos seus percalços sexuais. Sua inclinação homossexual, aliado a sua psicopatia, levou 33 jovens rapazes à morte de forma brutal. Muitos desses ainda adolescentes, em busca de trabalho e de um dinheiro a mais para realização do sonho de trocar de carro, por exemplo.

O que hoje sabemos, é que a maldade de um ser humano, de um psicopata, roubou essas vidas. Levou esses jovens de suas famílias. Essa maldade, essa perversidade, transportou essas jovens vidas para aproximadamente 30 covas comunitárias. O Palhaço Pogo, aquele que de forma beneficente, era um divertimento para crianças. Esse mesmo cara, por trás de toda tinta e maquiagem. Ele era o mal e o perigo incorporado em uma fantasia de bom e exemplar cidadão.

 TERRY SULLIVAN E PETER T. MAIKEN

Killer Clown é longo, e acontece de forma lenta. Temos a narração feita pelo promotor do caso, Terry Sullivan. Assim, acompanhamos todo o trabalho da polícia e seus métodos para enlaçar Gacy em alguma rede tecida pela justiça. Entretanto, enquanto lia essas páginas, eu não conseguia enxergar o que era proposto pela polícia, nem o porquê de agirem daquela forma. Muitas das vezes eu os imaginei como aqueles policiais de filmes do tipo ‘pastelão’. Achei que eram deixados para trás, sempre por um John Wayne Gacy muito mais ligeiro e esperto que eles. Às vezes eu me senti cansada. Mas, jamais desisti do ímpeto de saber toda a história por trás da máscara de Pogo, o Palhaço Assassino.

E só no fim, nas partes do julgamento e pós-julgamento que entendi o motivo daqueles relatos iniciais. Chatos às vezes, porém explicáveis. A polícia traçou uma forma inteligente e convincente de ter Gacy às mãos. E aparentemente, pelo que podemos ver tanto pela história narrada, quando por Gacy não estar mais hoje entre nós – ele foi executado no dia 10 de maio de 1994, por injeção letal –, a estratégia foi realmente eficaz.

Killer Clown é sobre John Wayne Gacy.

Acrescento que para mim, uma das melhores partes de Killer Clown, é quando o autor fala a respeito das pessoas que fizeram parte desse mutirão da justiça, que perseguiram, processaram, prenderam e executaram um dos mais conhecidos psicopatas e serial killers do século XX (Gacy executou seu último assassinato em 1978, e morreu apenas em 1994 pelas mão da justiça americana).

Concluindo, gostaria de ressaltar a qualidade da edição que nos foi entregue pela DarkSide Books. Além de uma obra belíssima e bem acabada, com detalhes internos muito bem escolhidos dentro do tema que a investigação propõe… A editora se preocupa em trazer não só ficção para seu público, mas também informações fatuais. No caso de Killer Clown: Retrato de Um Assassino, ficamos a par dos detalhes da investigação do caso, bem como do julgamento de Pogo, aka John Wayne Gacy, o Palhaço Assassino.

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Título: Killer Clown Profile (Crime Scene)
Autor: Terry Sullivan, Peter T. Maiken
Ano: 2019
Páginas: 416
Editora: DarkSide Books
Gênero: Baseado em fatos reais, Crime, Não-ficção
Nota: 3/5
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