Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro é um filme que revive o terror da infância na vida desses adolescentes de 1968.
Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro é um filme que trouxe uma palavra à mente enquanto eu o assistia. Essa palavra é NOSTALGIA. Esse longa foi produzido pelo já vencedor do Oscar Guillermo Del Toro. A estreia é hoje, dia 8 de agosto. E você pode conferir agora o que eu achei desse filme.

Temos terror e temos contação de histórias. O que poderia ser melhor? Senti falta só de uma boa fogueira e uma calada noite. Só viria a coroar esse filme que me transportou para o antigo terror praticado na indústria cinematográfica. Segundo Del Toro, a coletânea de histórias contadas nesse longa, foi feita à partir de histórias assustadoras que metiam medo nele quando criança.

O mote é um pouco do que já conhecemos: adolescentes em busca de aventura, e essa tem seu prelúdio na noite de Halloween de 1968. O maior impacto nessa época eram as convocações dos jovens americanos para lutarem na Guerra do Vietnã. Usando e abusando (mas, sem se tornar exagerado ou caricato) do cinema ‘oldschool’. Entretanto, mesmo não sendo uma época contemporânea minha, essa pegada foi o que eu mais gostei nesse filme.

Em Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, a cidade é Mill Valley. Temos na linha de frente os amigos Auggie, Chuck e Stella (sendo ela uma verdadeira entusiasta do terror, e aspirante a escritora). Eles são os adolescentes não populares e saíram fantasiados de Pierrot, Homem Aranha e Bruxa, respectivamente.

Esses jovens formam um trio de “losers”, e resolvem se vingar de um jovem popular e com tendências violentas. Para o trio, esse é o último Halloween que eles irão sair fantasiados. Porém, aquela história de colocar cocô em saco de papel e botar fogo nele, foi só o início dessa história de terror.

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro

Quando os três estão fugindo do valentão, eles acabam parando em um drive in, e conhecem Ramón. O garoto acaba formando um quarteto com os jovens, e se envolvendo em uma briga que não era dele. Aparentemente ele ficou encantado com Stella, e decide sair e se divertir com os três amigos a fim de aprontarem em seu último Halloween. Entretanto, os jovens não imaginavam que “As Histórias Machucam. As Histórias Curam”.

Já há algumas gerações histórias sobre a família Bellows se propagam como lendas, assustando as crianças e as mantendo longe de sua mansão “mal assombrada”. Sarah era a filha repudiada dessa família. Vocês irão descobrir os motivos no decorrer do longa, bem como se darão conta que as histórias que Sarah conta são escritas com sangue. E, obviamente, o nosso quarteto principal acaba por descobrir o alçapão onde a família Bellows encarcerava Sarah.

Enfim, Stella acaba por encontrar o livro em que Sarah contava suas histórias. E como adolescente fazendo coisa errada “é mato” em filme de terror, Stella, além de pedir para que Sarah lhe contasse uma história, ela ainda faz a proeza de levar o livro macabro consigo. Stella não tem uma história de vida feliz, pois sua mãe abandonou sua família quando ela era uma menininha. Seu pai, o espetacular ator Dean Norris (Hank Schrader de Breaking Bad), vive pelos cantos, vendo TV, e constantemente desanimado, ademais como numa letargia congênita. Então a menina age bem livre, leve e solta em toda essa confusão.

Assim sendo, Stella percebe que uma nova história está sendo escrita em páginas que dantes estavam em branco. A primeira história no retorno de Sarah como contadora é sobre um espantalho. Por coincidência (ou não, claro!), o jovem arruaceiro que persegue o quarteto tem um espantalho no milharal de sua casa. E assim nossa primeira história de terror é descrita, contada, e interpretada perante as câmeras. Eu gostei muito mesmo dos efeitos, da sincronicidade da escrita com as cenas acontecendo concomitantemente.

Um filme com clima do nosso amado terror dos anos 80, não trabalha com sustos e com nada muito inovador. Lembrou-me bastante daquele ritmo de Contos da Cripta e Goosebumps… Acredito que Del Toro tenha escolhido trabalhar com a simplicidade, com a imaginação e com o que uma criança guardaria do que foi assustador durante sua infância.

Se eu acho clichê a filha aprisionada e renegada voltar, contar suas histórias escritas com sangue, e os jovens que a despertaram irem desaparecendo da face da Terra um após o outro? Pode ter certeza que a resposta é sim. E o pior nisso tudo, é que as histórias iam sendo escritas para cada um deles conforme seu próprio inferno pessoal, suas fobias guardadas no seu íntimo. Contudo, nada disso faz com que Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, com suas quase 2h, não seja um bom divertimento para os apreciadores daquele estilo do antigo cinema de contar terror.

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro

Eu descobri que Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro foi uma série de livros. Os contos eram escritos por Alvin Schwartz, e eram extremamente horripilantes para as crianças daquela época. Ah, nas informações que busquei, consta que as ilustrações de Stephen Gammell eram piores do que os contos. Elas sim vivificavam o terror e tornavam reais os pesadelos.

Em um filme de terror, com uma mensagem quase que subliminar sobre o ato de desapegar… Conquanto com plots de ação, pincelados com plots mais lentos para dar contexto às histórias principais, Histórias Assustadores Para Contar no Escuro me ganhou, me convenceu. E eu senti que na cena final o diretor norueguês Øvredal (de Autópsia de Jane Doe) nos deixou aquela ponte de ligação para uma possível continuação. Afinal de contas, as histórias de terror nunca acabam. As Histórias Machucam. As Histórias Curam.

 

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Data de lançamento: 8 de agosto de 2019
Duração: 1h 51min
Recomendação: 14 anos
Direção: André Øvredal
Elenco: Zoe Margaret Colletti, Michael Garza, Gabriel Rush
Gênero Terror
Distribuidora: Diamond Films
País: Estados Unidos
Ano: 2019