TEATRO

HEATHERS | TEATRO MUSICAL

18 novembro, 2019 por

Se você acompanhou pelo instagram nossa maratona de musicais em São Paulo, com certeza vai se lembrar de “Heathers”, que indicamos várias vezes. Inspirado no filme de mesmo nome de 1988, esteve Off-Broadway em 2014 e desde de 2017 está em cartaz em Londres. Hoje chega ao fim sua curta e aguardada temporada brasileira, então vou aproveitar pra deixar registrado aqui também a minha opinião sobre a produção.

Acompanhamos Verônica Sawyer que está no último ano do ensino médio tentando se auto-descobrir. Casada de ser invisível, ela decide usar seu talento com a falsificação como uma vantagem para entrar no famoso grupo das populares Heathers, composto por Heather Chandler, Heather Duke e Heather McNamara (Icônicas de vermelho, verde e amarelo). Porém, ao entrar no grupo ela aceita suas brincadeiras e maldades, inclusive contra sua doce amiga de infância Martha.

Ela começa então a se questionar se o que está fazendo é certo, se vale realmente a pena tudo aquilo para ser uma garota popular, e nesse contexto conhece o misterioso JD. Ao iniciar um intenso relacionamento com o rapaz, ele acaba criando uma solução nada comum para os problemas dela. Com isso se inicia uma onda de mortes, culpa, suicídio, reflexão e busca por atenção.

A história se passa nos anos 80, então transparece claramente todo aquele clima que já conhecemos de filmes e séries da época. Aborda de uma forma muito real o mundo escolar, com todas as maldades e dificuldades que seus corredores podem esconder. E de uma forma bem mais violenta (méritos a 1989, né!).

Sobre o elenco, para essa produção foram selecionados em sua maioria nomes novos, ou em início de carreira, o que achei extremamente louvável. Você consegue perceber a animação de todo o grupo em todas as cenas, a dedicação e a total entrega. Não que isso aconteça apenas com quem está começando, mas existe sim uma energia de gratidão e orgulho que é palpável.

Meus três destaques da noite foram, com certeza, a Verônica Sawyer de Ana Luiza, o JD de Diego Montez e a Heather Chandler de Gigi Debei. Ana Luiza é dona de uma voz absurda e fica difícil não se sensibilizar ou se identificar por qualquer coisa que ela se propõe a cantar. Diego não é (definitivamente) um novato e já provou que tem muito talento, mas aqui como JD o que mais se destaca é o seu poder bruto de atuação. Ele pode te convencer de qualquer coisa. A Gigi eu não conhecia e foi uma surpresa, pois fazer com equilíbrio e qualidade a Chandler não é nada fácil.

Uma ideia muito interessante que a produção incluiu foi a de membros da plateia sentados no palco entre os atores. Não sei dizer se funcionou ou se valeu a pena, pois não fiquei lá. Mas é no mínimo intrigante.

Com um cenário bem simples e com poucas peças, composto apenas por algumas mesas e cadeiras, o sucesso ao se passar a história fica mais uma vez a cargo do elenco e produção. Quem te insere no contexto de tudo aquilo é o figurino, coreografia e com certeza as atuações.

A história de “Heathers” tem chamado bastante atenção ultimamente, inclusive foi feito um episódio especial da série “Riverdale” sobre o musical. Também foi produzida uma série de mesmo nome, porém com várias alterações que não funcionaram muito bem e ela foi cancelada.

Eu, particularmente, acho a trama toda um pouco pesada e exagerada. Para mim ela começa boa, mas perde a mão. Sendo assim, deixo um alerta para menores de 14 anos (na minha opinião até 16). No entanto, é inegável como a história consegue tocar e comover várias pessoas. Minha sessão estava lotada! E não é para menos, o resultado da produção brasileira ficou ótimo. Basta agora aguardarmos as novas datas e anúncios.

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