“Glória e Ruína” é o volume final da duologia iniciada por “Graça e Fúria” em 2018. Ele veio para acalmar quem tinha ficado praticamente no meio da batalha. Se você não estava em uma caverna, deve ter visto a divulgação do primeiro livro em algum lugar, porque ela foi pesada! Com uma história interessante, duas mocinhas fortes como protagonistas, a valorização da força feminina e uma grande revolução em andamento, é uma série que você deve dar oportunidade.

CUIDADO COM SPOILERS DO PRIMEIRO LIVRO!

“Glória e Ruína” começa exatamente onde o primeiro livro parou. Serina Tessaro, que foi enviado injustamente para prisão em Monte Ruína no lugar de sua irmã, se recusou a lutar com as demais presas e iniciou uma revolução. Tomadas pelo ódio aos guardas que as faziam lutar por comida e as insultavam, elas conseguiram vencer todos eles e tomar o poder da Ilha. Serina passou a ser a líder dessas mulheres, e agora elas querem escapar daquele lugar.

Já Nomi Tessaro se entregou ao amor e foi traída. Asa, o irmão mais novo do príncipe Malachi, só a estava usando para um golpe com o intuito de se tornar o novo superior. Após matar a sangue frio o seu próprio pai, tentar matar seu irmão e Nomi, Asa colocou os dois em um barco para Monte Ruína com as instruções de jogar Malachi ao mar e prender Nomi na ilha.

Porém, ao chegar na ilha o inimaginável: Serina está no comando e Malachi conseguiu sobreviver à viagem. As duas irmãs juntas agora vão planejar o que fazer a seguir, já que tem grandes problemas para resolver. Elas precisam salvar a família da vingança de Asa, salvar as mulheres de Monte Ruína, ajudar Malachi a recuperar o trono e mudar o pensamento de um país extremamente violento e machista, onde as mulheres não têm o direito nem mesmo às próprias escolhas. Elas vão se dividir mais uma vez, mas tudo vai dar errado…

Pensa em uma história onde tudo dá errado para as protagonistas (e seus grupos)! Meu Deus, mas dá errado mesmo. Não sei nem demonstrar para vocês o tamanho do meu desespero pela solução dessa história, porque cada vez ela se complicava mais. Acho que a cada acerto, pequeno que fosse, eu sentia um alívio do tamanho do das personagens.

O livro mantém a qualidade do primeiro volume, retratando muito bem as nuances das personalidades de Nomi e Serina. E agora vemos essas personalidades bem fortes, bem definidas, principalmente em Serina. Ela é, com certeza, o personagem de melhor desenvolvimento em toda a história.

Em “Graça e Fúria”, Serina havia sido treinada a vida inteira para ser uma graça do Superior. Submissa, bela, recatada e prendada. Os acontecimentos forçaram a garota a se tornar uma guerreira, e ela se tornou a melhor que poderia ser. Mas o interessante agora em “Glória e Ruína” é que ela está no auge de sua força e rebeldia, porém ainda apresenta falhas e fraquezas. Isso torna a personagem mais humana e facilita a identificação com sua causa.

Nomi é um caso um pouco mais complicado. Com ela eu tive um pouco mais de dificuldade… Ela iniciou o primeiro livro como uma rebelde que queria lutar por seus direitos, mas se viu no palácio e foi facilmente enganada por todo o brilho, luxo e promessas de amor. Agora em “Glória e Ruína” ela está quebrada, seu erro prejudicou milhares de pessoas e por isso ela está perdida. São tantos momentos de forte, fraca, corajosa, desesperada…, que fica difícil entender seu amadurecimento e acreditar em sua tomada de posição.

No entanto, o ponto mais especial em “Glória e Ruína” é a sua escolha em trabalhar a força e a vontade feminina como transformadores do mundo. Em uma sociedade onde o feminicídio cresce exponencialmente e a culpa é das próprias mulheres, onde lutar por direitos é ser histérica ou maluca, onde ser feminista é considerado “vergonhoso”, livros com este tema se mostram extremamente necessários.

E o tema foi bem trabalhado, embora tenha chegado bem próximo (muito mesmo) da linha tênue da “briga dos sexos” mais de uma vez. Esse é um cuidado que os autores devem ter ao tratar sobre o feminismo, pois este busca igualdade e não supremacia. Ele não é o oposto do machismo, isso seria “femismo”.

Então vemos que a autora “equipou” suas personagens femininas e deixou na mão delas a solução de todos os problemas enfrentados. Não existe um “homem para salvar” e os poucos bons que aparecem no livro são simples coadjuvantes da Revolta das Mulheres Oprimidas. É ótima a quebra do estigma do “príncipe encantado”, mas ainda assim mulheres furiosas, sem treinamento e armas, contra um exército treinado e armado, terão mais que “um pouco de dificuldade”.

Mais uma vez ressalto que apesar de parecer mais do mesmo, com mocinha forte, revolução e romance, essa série não é! Embora o romance exista para Nomi e Serina, ele não é o foco principal, inclusive nem é o que te faz torcer e virar páginas.

A força do livro está no amor das duas irmãs e em sua relação de cuidado e carinho. Está em retratar a coragem, que às vezes nem achamos que temos, e usamos para enfrentar as mais difíceis situações. E principalmente, está em mostrar que não devemos desistir! Devemos sempre lutar pelos nossos ideais, pela nossa voz, tornando o mundo um lugar melhor para todos (e todas 😉).

Resista. Sempre.

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Glória e ruína - Graça e FúriaSérie: Graça e Fúria
01. Graça e Fúria 
02 Glória e Ruína
Autor:Tracy Banghart
Páginas: 312
Ano: 2019
Editora: Seguinte
Gêneros: Distopia, Fantasia, Ficção, Jovem adulto, Literatura Estrangeira
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