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A VIDA INVISÍVEL | CRÍTICA

31 outubro, 2019 por

A VIDA INVISÍVEL

‘A Vida Invisível’  Ou como eu li em outra crítica “o filme que pode levar o Brasil e Fernanda Montenegro para o Oscar novamente”. Assim é o resumo desse drama que começa bem despercebido, sem nenhum contexto e sem nenhum impacto, mas que vai crescendo ao longo dos minutos e se torna no final um retrato de contos de fadas, não é para todo mundo e que a ficção interpreta muito bem a vida real.

Do diretor Karim Aïnouz, se passa no Rio de Janeiro de 1950 e é adaptação do livro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” de Martha Batalha. Classificado como um “melodrama tropical”, traz uma reflexão sobre os sentimentos e a natureza selvagem dos personagens e do lugar em que estão inseridos.

Após vencer o prêmio de Melhor Filme da mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes, o filme foi premiado no Festival de Munique com o CineCoPro Award — destinado à melhor coprodução do cinema alemão com outros países. O enredo também esteve nas seleções oficiais dos festivais de Sydney, do Midnight Sun, na Finlândia, de Karlovy Vary, na República Tcheca, e ainda será exibido no Transatlantyk Festival, na Polônia, e no Festival da Nova Zelândia.

A VIDA INVISÍVEL - Fernanda montengro

O impacto da opressão cultural e social na vida e no corpo das irmãs Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Julia Stockler), as duas atrizes, por sua vez, estão geniais e é nítido que ambas deram tudo de si para os papéis, faz com que você entenda como era selvagem a sociedade patriarcal com as mulheres, onde o diretor traz uma abordagem totalmente crua do que é ser mulher, do que é ser um homem e do que a sociedade quer de ambos.

As irmãs são cruelmente separadas, em um primeiro momento quando Guida foge de casa para viajar e se casar com um marinheiro na Grécia e depois quando retorna para casa grávida e sem marido, o pai a expulsa de casa e não a deixa encontrar com Eurídice, mentindo que a mesma estava em Viena e tinha seguido seu sonho de estudar música.

No filme a ‘Vida invisível’ é a de Eurídice e Guida, mas também é a de milhares de mulheres que são vítimas de todo o tipo de violência, todos os dias, em todas as épocas. Com cenas fortes que poucos ousam retratar, o mesmo retrata temas que as pessoas muitas vezes fecham os olhos, como, por exemplo, o estupro conjugal e a ruptura de sonhos em detrimento a família e aos valores sociais da época.

A fotografia e a escala de cores não são habituais daquela época, mas funcionou e se encaixou perfeitamente no filme. O ritmo lento do filme se descompassa na cena final que foi um tanto corrida. Assim como a sonoridade, seja o som dos pássaros, crianças ou da música tocada por Eurídice no piano retrata visivelmente seu sentimento e seus pensamentos na hora que ela se sente “longe”.

Essa é a maior dor que o longa nos mostra, filmado e interpretado com um belíssimo cuidado, fazendo com que o espectador pudesse sentir a dor de Eurídice pela perda da irmã e junto com ela e pudesse fazer uma conexão com o século XXI, nos fazendo enxergar as semelhanças e diferenças entre as duas épocas. Um filme para incomodar, mexer com quem está quieto, tirar as estruturas do lugar e abrir os olhos do que a gente não quer ver.

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Data de lançamento: 31 de outubro de 2019 (Brasil)
Duração: 2h 19min
Direção: Karim Aïnouz
Gênero: Drama, Romance
Indicações: Prêmio Um Certo Olhar: Melhor Direção, Jury
Prêmios: Prêmio Um Certo Olhar
Produção: Rodrigo Teixeira, Viola Fügen, Michael Weber
Distribuidora: @vitrine_filmes

 

 

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