Distribuidora: Fox Film | Estréia: 02/02/2017 |Orçamento: US$ 20 milhões | Gênero: Drama | Duração: 2h:00

Nos anos 60, durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética competem pela  soberania espacial na busca por enviar o primeiro homem ao espaço. É neste contexto que vemos desenrolar o filme “Estrelas Além do Tempo” (Hidden Figures) do diretor Theordore Melfi (Um Santo Vizinho), onde é traçado o nítido paradoxo da busca por avanço na corrida espacial, ao mesmo tempo em que é vivenciado o atraso social com a segregação racial por todo o país, tendo foco no centro de pesquisas da NASA localizado no estado da Virgínia.

O filme é uma adaptação literária do livro homônimo, publicado aqui no Brasil pela editora HarperCollins, que conta a história real de três matemáticas negras que trabalhavam no processamento de dados do principal centro de pesquisas da NASA na época. Katherine Goble (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) são muito amigas e se esforçam diariamente para superar o machismo e, principalmente, o preconceito racial, na busca pelo reconhecimento de seu trabalho. Inseridas no contexto do envio do astronauta John Glenn ao espaço para contornar a órbita da Terra, essas mulheres terão papel importante e essencial para o sucesso do projeto.

A começar pelo elenco, só podem ser feitos elogios às três principais peças do longa. Taraji P. Henson, conhecida por Cookie Lyon na série “Empire” (vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz em série dramática em 2016)  e Queenie em “O Curioso Caso de Benjamin Button” (pelo qual foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2008), representa muito bem a força, os momentos de insegurança e a determinação de Katherine Goble; Octavia Spencer, conhecida por Minny Jackson em “Histórias Cruzadas” (vencedora de diversos prêmios pelo papel, entre eles o Globo de Ouro e o Oscar como melhor atriz coadjuvante) cumpre seu papel como a centrada e responsável Dorothy Vaughn, na busca pelos seus direitos e das demais funcionárias negras da Instituição; Janelle Monáe, conhecida cantora e compositora, atua como sua primeira protagonista, esbanjando segurança e comprometimento no papel da geniosa e audaciosa Mary Jackson (Monáe também estará presente no aguardado filme Moonlight). A química entre as três personagens é brilhante.

Outra peça forte do filme é o trabalho bem feito de Kevin Costner, que atua como o supervisor Al Harrison, sendo nele onde todas as histórias se unem e são direcionadas ao objetivo urgente da NASA. Kirsten Dunst é outra que está muito bem na pele de Vivian Michael, e transforma suas poucas aparições em grandes destaques. A parte mais fraca do elenco se mostrou em Jim Parsons (o Sheldon de “The Big Bang Theory”) que não convence como o físico Paul Stafford, e apresenta certa dificuldade em repassar a mensagem e objetivos deste.

O filme no geral é uma sucessão de discursos sobre a igualdade de gênero e preconceito racial, e entrega exatamente aquilo a que se propõe: um roteiro bem elaborado com o objetivo de informar e sensibilizar, sem necessariamente ser pesado e carregado de elementos históricos. As personagens se mostram leves e divertidas e isso não minimiza a importância de seus papéis, além do longa não deixar de abranger a situação de segregação racial nacional. Apesar de várias obras envolvendo esta temática, foi realizado um trabalho maravilhoso ao apresentar discursos datados em 1961, que permanecem tão atuais e essenciais em 2017.