“Era Uma Vez em… Hollywood”, do original Once Upon A Time In… Hollywood, é o mais novo longa do aclamado diretor Quentin Tarantino, de 56 anos – seu nono filme (esse, um thriller de humor sombrio). O diretor alcançou sua devida fama nos anos 90, devido sua forma não linear de contar histórias, uso exacerbado de violência, humor (duvidoso?), muito sangue e diálogos inteligentes.

Em “Era Uma Vez em… Hollywood” temos claramente um Tarantino mais maduro, porém provocativo e ousado, como sempre. O filme é longo, atingindo quase 3h de duração. Mas creio que quem como eu, for fã do estilo do diretor, não vá reclamar de ficar quietinho na poltrona do cinema.

Eu cheguei a essa sessão bem neutra. Além dos trailers, eu não pesquisei nada, nem li qualquer informação sobre o filme. Eu sabia no geral o que esperar. Contudo, obviamente Tarantino foi grande e impactante. Tirou de mim a única certeza que eu tinha para o filme. E eu me vi sem chão… Totalmente devastada, esperando os créditos subirem. (Ah, fiquem até o final, ok?)

Era Uma Vez em... Hollywood

Em “Era Uma Vez em… Hollywood”, temos um panorama da Los Angeles de 1969. A era hippie estava em seu auge em Hollywood. Então, acompanhamos de cara a história de um ator ultrapassado que é ex-astro de uma série de “bang-bang”, chamado Rick Dalton (Leo DiCaprio), e de seu ex-dublê e atual faz-tudo, Cliff Booth (Brad Pitt). Eles dois são muito mais que amigos, e pouco menos que um casal. hahahaha Eles vivem batalhando atrás de reconhecimento, mas aparentemente essa fase já ficou no passado.

Rick mora em um local privilegiado, em uma rua privativa, e tem como “vizinho de porta” o famoso diretor do filme ‘O Bebê de Rosemary’, Roman Polanski (Rafal Zawierucha) e sua bela esposa, Sharon Tate (Margot Robbie) – uma jovem atriz em ascensão. E obviamente o final desorientador dessa história, está diretamente ligado com esses vizinhos. Assim, trazendo um pouco os fatos da vida real para nossa história, se faz necessário lembrar que foi no verão de 69 que aconteceram alguns assassinatos arquitetados e praticados pelo culto de Charles Manson – guarde essa informação e se houver interesse, é só buscar pelo caso ‘Tate-LaBianca’.

Era Uma Vez em... Hollywood

Embora alguns trechos da história corram paralelamente entre as peripécias vividas por Dalton e Booth, e a vida glamourosa de Polanski e Tate, esses últimos não têm tanta participação quanto os 2 primeiros astros. Que posso dizer, sem medo de parecer pedante, Pitt está BRILHANTE. Ele domina em seu papel. E sua relação com sua pit bull (Brandy é o nome da criança hahahaha) é tão fantástico, que tem um desfecho muito digno e satisfatório. DiCaprio tem envelhecido bem, e chegou a o patamar que sempre achei que chegaria. Há anos o considero um dos melhores atores dessa Hollywood da atualidade. Enfim, só acompanhando “Era Uma Vez em… Hollywood” para se poder ter a mínima noção do que experimentei.

Acredito que para aqueles que vivenciaram a década de 60 para 70, o filme traga o sentimento de nostalgia. Dessa forma Dalton e Booth se seguram como podem na Hollywood Clássica. O clima dos filmes e séries de faroeste é muito bem produzido na trama, trazendo mesmo essa sensação de estarmos vivendo naquela época. Trazendo, acima de tudo, o brilhantismo de Leonardo DiCaprio. E nos lembrando do quão charmoso e competente Pitt continua sendo.

Era Uma Vez em... Hollywood

Créditos também da maneira como foi feita a reprodução do estilo de vida dos hippies que povoavam Los Angeles naquele tempo. O filme também nos faz rir em diversos momentos. Acredito que essa acidez típica de Tarantino não poderia faltar em “Era Uma Vez em… Hollywood”.  Aquele sentimento de – às vezes – sentir que não deveria estar rindo daquela forma, ou daquela situação, me assombrou em alguns momentos! Mas, faz parte!!!

Algo que vale a pena ressaltar é que – pelo menos que eu me lembre – essa foi a primeira vez que Pitt e DiCaprio inesperadamente trabalham juntos. E sinceramente, ver a atuação dessa dupla e a parceria em “Era Uma Vez em… Hollywood” foi o que teve de melhor pra mim no filme. Eles se completaram de uma forma incrível, como se fosse simbiótica.

Minha dica é para que você se atente às piadas verbais, às piadas visuais, e à fascinante trilha sonora, pois embora o filme seja longo, o prazer pode ser inegavelmente completo! Com certeza uma das melhores épocas da música mundial para mim. Li de um crítico da Financial Times: ‘É o melhor filme de Tarantino, o mais corajoso e mais conflituoso desde Pulp Fiction.’ Se eu concordo? Talvez não completamente. Todavia, fato é que saí satisfeitíssima da sala de cinema. Eu fui tocada pela escolha do diretor. E ainda estou absorvendo tudo que assisti ali, e pensando em um grande “e se…”.

Era Uma Vez em... Hollywood

             Diretor Quentin Tarantino

Confesso: durante a duração do filme eu fiquei ansiosa, esperando o fechamento que viria para dissipar o idealismo de “paz e amor” que reinava naquela década. Alguns irão esperar mais. Outros buscarão a realidade nua e crua. Contudo, eu simplesmente finalizo dizendo que ‘Tarangod’ continua GRANDE. Sua mente e direção são tão peculiares quanto nós poderíamos aguentar. Voltei engasgada para casa!

Precipuamente, convido-te para imergir em “Era Uma Vez em… Hollywood”, ademais, e me dizer se as preocupações de Tarantino quando a poder estar ficando ultrapassado/esquecido, nessa nova Hollywood, é um medo infundado. Obviamente críticos irão tecer os mais diversos tipos de comentários a respeito dessa obra que mistura ficção e realidade em doses desiguais, mas muito emotivas. Em suma, valeu a pena esperar a um dos filmes que eu mais estava ansiosa por estrear em 2019!

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Data de lançamento: 15 de agosto de 2019
Duração: 2h 45m
Estrelando: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Emile Hirsch, Margaret Qualley, Timothy Olyphant e Austin Butler
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Produtoras: Sony Pictures Entertainment, Columbia Pictures, Heyday Films, Polybona Films
Ano: 2019