Em 2015, a autora  Kimberly Bradley publicou  nos Estados Unidos o livro “A Guerra que Salvou Minha Vida”, ganhando vários prêmio com ele. Com uma narrativa comovente do ponto de vista de uma criança 10 anos, que nunca pode sair de casa por causa de uma deficiência e da vergonha que a mãe sentia dela, conta como a personagem vê nos bombardeios a Londres, em plena Segunda Guerra Mundial, a chance de encontrar uma vida melhor longe dos maus tratos e das paredes da casa em que era mantida.

O livro chegou ao Brasil em 2017 pelas mãos da editora Darkside Books, que agora em 2018 vem dar continuidade a essa emocionante história em “A Guerra que me Ensinou a Viver”. Esse lançamento dará a oportunidade aos leitores apaixonados por essa história de conhecer um pouco mais sobre o que aconteceu com Ada. Mas enquanto o livro não chega em nossas mãos, bora conhecer um pouco sobre a autora Kimberly através de sua entrevista para Caveirinha:

O que te inspirou a escrever a história da Ada?
Sempre planejei que essa história seria contada em dois livros. No começo do primeiro, eu falo sobre isso: “Essa história que estou contando agora começou há quatro anos, no começo do outono de 1939.”

Neste segundo livro, vemos algumas referências a crise de refugiados. Como passado e presente conversam na sua história?
Os refugiados me lembram que, como humanos, nós continuamos a repetir os mesmos erros de novo e de novo. É melhor nós começarmos a conversa sobre esses problemas antes que seja tarde.

Em A Guerra que me Ensinou a Viver, Ada conhece a Ruth, uma garota judia e alemã. Por que você quis fazer a Ada ficar diante de uma suposta inimiga?
A Ruth é um acréscimo ao livro de várias formas. Ela mostra aos leitores que o preconceito existia antes como existe hoje. Ela me permite trazer de volta o que aconteceu com o povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial de uma forma que faz sentido para o livro. Ela é também uma personagem que sofreu as próprias perdas, um espelho de Ada em vários momentos.

Neste livro os personagens conversam sobre o Holocausto, mas eles não sabem de sua existência ou não dão a devida atenção para o problema. Como sua pesquisa histórica te ajudou a inserir esse detalhe no livro?
Isso foi bem fácil de descobrir, a maior parte da pesquisa foi feita online. Existe um pouco de informação sobre quando os Aliados, tanto o governo quanto as pessoas comuns, entenderam o que estava acontecendo. Os vídeos feitos quando os campos de concentração ainda eram ativos foram descobertos apenas após a guerra. Em 1940, era muito mais fácil esconder informação do público.

Muitas lições podem ser obtidas de ambos os livros. Uma que se destaca em “A Guerra que me Ensinou a Viver” é sobre não julgar as pessoas pelo que elas acreditam ou de onde vêm. Você já recebeu relatos de leitores que decidiram mudar suas atitudes após conhecerem a história da Ada?
Não, eu recebi cartas de leitores que se sentiram julgados no passado por suas crenças ou circunstâncias e que me disseram que os livros refletem com precisão as experiências deles.

Uma das maiores lições que a Ada aprende é que se curar é possível. Durante a sua jornada escrevendo os dois livros, você acabou aprendendo alguma coisa com a ela?
Acredito que a maior parte do que Ada aprendeu eu tive que descobrir por mim mesma antes que pudesse escrever sobre ela de forma verdadeira.

Você tem a intenção de continuar essa história, fazer dela uma trilogia?
Ainda não sei! Este livro foi muito difícil de escrever e eu não voltarei com um terceiro a menos que eu possa escrever tão bem quanto esses dois. Mas, eu tenho um comichão para continuar essa história. Então, vamos ver.

Qual era seu livro favorito quando você tinha a idade da Ada?
Uma Dobra no Tempo”, de Madeleine L’Engle. Agora é um filme com a Oprah!

Como a sua paixão pela escrita começou?
Acho que nasci com isso. Quando criança, andava pela rua e escrevia pequenas histórias na minha cabeça sobre a minha caminhada pela rua e o que eu via, o que eu sentia, onde eu estava indo. Demorei um tempo para perceber que nem todo mundo faz isso.

Qual seu ambiente favorito para escrever?
Meu marido e eu desenhamos a casa que moramos hoje. Tenho um escritório onde a minha mesa fica no fim de um jardim. Tenho janelas dos dois lados do meu computador, então tenho muita luz entrando, forte o suficiente para que eu não seja distraída pelos cavalos correndo no campo enquanto escrevo. É um ótimo espaço.

E agora o que muitos fãs querem saber: o que esperar dessa sequência? 
Em “A Guerra que Me Ensinou a Viver”, Ada descobre quem ela realmente é.

Sobre a autora: 
Kimberly Bradley vive com o marido e os filhos em uma fazenda no sopé das Montanhas Apalaches, entre pôneis, cães, gatos, ovelhas, cabras, e muitas, muitas árvores. É autora de vários livros, entre eles Leap of Faith e Jefferson’s Sons. A Guerra que Salvou a Minha Vida ganhou o Newbery Honor Book, o Schneider Family Book Award e o Josette Frank Award, além de ter sido eleito entre os melhores livros de 2015 pelo Wall Street Journal, a revista Publishers Weekly, a New York Public Library e a Chicago Public Library, entre outros.