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DOUTOR SONO | CRÍTICA

07 novembro, 2019 por

Doutor Sono Filme

Doutor Sono foi a última adaptação de uma obra do autor Stephen King a chegar aos cinemas. O livro homônimo é uma espécie de continuação do seu terceiro livro publicado, O Iluminado. Neste longa temos Ewan McGregor como Dan. Ele é a versão adulta de Danny (Danny Lloyd, versão Kubrick), que lá no filme dos anos 80, fugiu das garras do Hotel Overlook em companhia de sua mãe, Wendy (Shelley Duvall, versão Kubrick). A equipe do blog Coisas de Mineira, juntamente com vários outros convidados, compareceu a pré-estreia dessa obra na data de 05/11 (terça-feira). E agora vamos falar um pouco sobre essa experiência.

Como sou uma ávida leitora do autor supracitado, eu não me faço de rogada quando é anunciada alguma adaptação de uma obra sua. A grande maioria das vezes eu ainda acho que os livros são imensamente melhores, por serem mais completos e nos darem a oportunidade de construir um roteiro em nossa mente. Mas, dentro do possível, compreendo que os tipos de mídias são diferentes e que muita coisa precisará não constar no filme, ou mesmo ter um enredo diferente. Só não exageremos!!!

Teremos vislumbres de O Iluminado – que aqui bem caberia como um prequel de Doutor Sono, onde o diretor Mike Flanagan foi muito feliz reproduzindo as cenas com atores semelhantes aos primeiros. Não sei se lhe seria permitido usar imagens do filme de 1980 como flashbacks. Porém, essa escolha dele foi muito bem aproveitada. A gente se sente realmente voltando ao Overlook 39 anos depois.

Contudo, mesmo conseguindo fugir do que o hotel fez para eliminar toda a família de Danny Torrance, o garoto foi assombrado durante muito tempo pelas “pessoas” que habitavam o hotel. Ele aprendeu com Dick, o cozinheiro que também era um Iluminado, a prender as criaturas em uma caixa dentro de sua mente. E dessa forma ele deixou de viver com medo.

Filme Doutor Sono

O garoto que até aprendeu a lidar com seus fantasmas passados, não conseguiu fugir da infeliz herança alcóolica que herdou de Jack, seu pai. Dan está em condições críticas, se envolvendo em brigas e com mulheres.

Parece muito bom. Eu estava muito curioso, já que há uma linha tênue, eles têm que andar com Stephen King e Stanley Kubrick [diretor de O Iluminado]. Parece que eles encontraram uma maneira de prestar uma homenagem a ambos. ~ Danny Lloyd, ator que fez o papel de Danny no filme de 1980.

Infelizmente o trauma vivido durante a infância marcou Dan e fez com que ele se tornasse um membro não muito saudável da sociedade americana. Em certo momento de sua vida, o homem feito e barbado decide mudar o rumo da sua vida e fugir de si mesmo.

Alojado em outra cidade, com um quarto novo para se alocar Dan agora trabalha como enfermeiro em um hospital estilo “casa de repouso” para pessoas que estão em estado terminal. Através de seu dom recebido por sua “iluminação”, Dan conforta os moribundos através da telepatia e acompanhado de um gato que tem um tipo de “sensor” para saber quem será o próximo a partir – e é dessa sua função que nasce o “apelido” Doutor Sono.

Em outro lugar qualquer do país, passaremos a conhecer o Verdadeiro Nó. Uma espécie de ciganos que vivem em trupe, e fazem parte de uma espécie de “culto”. Eles absorvem através da dor e do medo infligido a crianças, um vapor exalado nos momentos de maior sofrimento desses. O Verdadeiro Nó suga esse vapor, essa essência. Eles se alimentam da agonia e aflição, mas principalmente da dor. E eles têm uma predileção por crianças, como posso dizer, iluminadas!

Para completar as personagens que devemos conhecer: em um local mais próximo da cidade de Dan, temos Abra (Kyliegh Curran). Uma pré-adolescente iluminada, mas muito mais capaz que vários iluminados já conhecidos. Com seus dons, Abra acaba por ser percebida pelo Verdadeiro Nó, e é a partir daí que iremos começar a ver os 3 núcleos se encontrando. De forma rápida e objetiva, tentarei ressaltar o que você pode esperar desse filme.

Abra e Dan já conversam meio que telepaticamente há alguns anos. Eles deixam mensagens um para outro através de uma parede pintada com tinta para quadro negro. Eles não se conhecem pessoalmente, mas acabam se tornando unidos através do poder de iluminação de ambos. Por meio de pesadelos, Abra acaba presenciando um ritual de alimentação do Verdadeiro Nó. Menina inteligente que é, ela busca através da internet descobrir o nome da vítima e onde deixaram seu corpo. Ela não vai sossegar enquanto não promover a justiça.

Obviamente Dan acredita em Abra e conjuntamente, eles organizam algumas armadilhas para tentarem desfazer o Verdadeiro Nó, e afastar qualquer chance de Abra ser caçada e que vire alimento de pessoas que vivem muito, mas não são imortais. Por sinal, quando eles começam a “ciclar” ou, para nós pobres mortais, simplesmente morrer, a transformação é muito interessante. Só fiquei imaginando a somatória de anos e de experiência que esse grupo tem.

Filme Doutor Sono

Rose A cartola (Rebecca Ferguson) é a líder do Verdadeiro Nó. Ela foi incrivelmente competente em seu papel. Foi sedutora, foi poderosa, intuitiva, forte, destemida e determinada. Porém mesmo com tantos anos de vida, Rose não viveu o suficiente para imaginar onde estava se metendo. Dan Torrance tem quase todo o plano para enfrentar o Verdadeiro Nó em sua mente. E para o êxtase final, será necessário que ele desperte o monstro. Ele precisa acordar o Overlook Hotel.

Concluindo, recomendo essa obra sem ressalvas. Existem muitos pontos diferentes do livro? Sim, com certeza. Mas, a história analogamente é fechadinha, responde nossas dúvidas, e nos traz inúmeras referências tanto ao filme de Kubrick, quanto ao universo kinguiano. Pelo menos eu peguei a referência À Torre Negra e fiquei toda boba – fã alucinada que sou.

Os pontos que achei previamente que ficariam estranhos ou desalinhados entre a obra de Kubrick e o livro de King realmente foram contornados com maestria, e mais uma vez o diretor Mike Flanagan acertou em uma adaptação do autor. E como muitos – inclusive euzinha – estão comentando desde a sala do cinema, Doutor Sono corrigiu o que King odiou tanto no Iluminado de Kubrick. Temos uma senhora redenção, senhoras e senhores. Só correr para conferir!

CURIOSIDADES (que podem ou não conter SPOILER):
  1. A cena que mostra as montanhas e uma ilha são originais do filme de 1980, mas trabalhadas para ficar como se fosse de noite;
  2. Aquele famoso tapete hexagonal que cobria o piso dos corredores do Overlook Hotel foi totalmente recriado;
  3. O diretor resolveu levar pra casa o machado que Dan utiliza em sua batalha com a vilã Rose a Cartola;
  4. Os cenários foram reproduzidos tão bem ao se tratar do Hotel Overlook, porque os espólios de Kubrick cederam as plantas originais;
  5. Quando Dan vai ao consultório do Dr. Dalton e acaba conseguindo um emprego, você poderá perceber que este local foi criado para parecer com a sala onde Jack Torrance faz sua entrevista de emprego com o Sr. Ullman;
  6. Todo aquele sangue que aparece na famosa cena dos elevadores foi criação digital;
  7. King só não fez uma participação especial em Doutor Sono, porque afinal ele estava desgastado por sua participação no Capítulo 2 de It;
  8. Danny Lloyd faz uma pequena participação especial no filme, aparecendo na cena do jogo de baseball. Ele está na arquibancada.
Fonte: Curiosidades sobre Doutor Sono

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Estreia: 07 de novembro de 2019
Duração: 2h 31min
Direção: Mike Flanagan
Elenco: Ewan McGregor, Rebecca Ferguson, Kyliegh Curran, Jacob Tremblay
Gênero: Drama , Suspense , Fantasia , Terror, Adaptação
Adaptação do livro: Doutor Sono
Distribuidora: Warner Bros.

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13 Comentários

  • Tânia Bueno
    novembro 11, 2019

    Concordo com você os livros realmente são melhores que os filmes, para mim porque o filme se baseia no livro e deixa muita coisa importante de fora, embora eu goste de várias adaptações por, muitas vezes, trazer o que eu gostaria que tivesse o livro.
    Como não curto o gênero SK a sua postagem foi bacana para me situar e confirmar que realmente não me atrai por eu ser uma medrosa assumida.

    Bjo
    Tânia Bueno

  • Alessandra
    novembro 11, 2019

    Queria assistir, queria muito, mas o medo não deixa 🙁
    Tudo do Stephen King me atrai, as sinopses dos livros, o trailer dos filmes, mas o medo é maior. Seu amor pelo King é obvio né coleguinha.

  • […] deixar de montar nossa listinha marota com os principais lançamentos do mês. Começando por “Doutor Sono”, sequência do aclamado filme “O Iluminado” de 1980. Passando por “Cadê Você, […]

  • Gleydson
    novembro 10, 2019

    Sou extremamente suspeito para falar acerca de obras do rei do horror e, consequentemente, de suas adaptações cinematográficas. Eu li “Doutor Sono” há alguns anos e eu temia que não fosse uma continuação digna para um clássico como “O Iluminado”, porém, o rei nunca me decepciona hahaha. Estou muito ansioso para assistir a “Doutor Sono” e com grandes expectativas, que foram aumentadas depois de sua crítica.

    Beijos.
    http://www.acampamentodaleitura.com

  • CRIS
    novembro 09, 2019

    Oi Carol!
    Adoro os livros de King, já li alguns mas “O Iluminado” ainda não, mas quero muito ler, esse filme só veio para aguçar a minha curiosidade quanto ao livro. Parabéns pela resenha fiquei anida mais entusiasmada a assistir e ler, obrigado pela dica. Bjs!

    • Carol Nery
      Carol Nery
      novembro 10, 2019

      De nada Cris. O Iluminado foi o primeiro livro que li do mestre. Ou seja, foi o que me trouxe para o mundo do meu autor preferido!! Recomendo muito que conheça essa história e depois, se jogue em Doutor Sono.
      Beijão

  • Ananda de souza
    novembro 09, 2019

    Para mim o ponto alto do filme foi a caracterização do personagem. Ewan McGregor ficou muito bem no personagem dando um ar de cara gente boa com um toque depressivo. As cenas com Abra e ele sendo um o outro foram muito, mas muito boas quem acha esse o melhor livro deve ter se emocionado. Eu teria aceitado menos os pais e mais Momo, mas entendo. O destino de Billie Freeman achei um pouco forçado. Sem palavras para Dick Halloran, muito boa cena, maravilhosa.

  • Vanessa Vieira
    novembro 08, 2019

    Oi! Não consegui ler nada do autor ainda, nem assistir aos filmes mas achei sua descrição da história bem interessante! Do jeito que você contou, nem pareceu ser tão assustador assim!

    Realmente obras adaptadas tem lá suas limitações. Mas acho que vale a pena dar uma chance!!

    Abraço!

    • Carol Nery
      Carol Nery
      novembro 10, 2019

      Esse não é um livro muito assustador mesmo não. Ele é mais sobre essa batalha dos dois lados. Suas causas, seus motivos, suas intenções. Eu adorei de verdade a adaptação!

  • Lana Silva
    novembro 08, 2019

    Fico feliz em saber que apesar de haver algumas distinções do livro com o filme, ainda assim a história conseguiu ser bem conduzida e desenvolvida. Nunca li nada do autor, apesar de ter curiosidade sobre alguns de seus livros, por isso não me interessei por assistir ao filme, mas sua descrição perfeita sobre a história da para ver que quem curti e/ou e fãn com certeza vai amar essa adaptação.

    • Carol Nery
      Carol Nery
      novembro 10, 2019

      Eu acho esse diretor fantástico. Ele já adaptou outra obra do mestre e ficou muito bom também.
      Fora a série A Maldição da Residência Hill. Ele é o cara!

  • Graziela Costa
    novembro 07, 2019

    Achei realmente que estava assistindo a uma continuação, a similaridade dos atores do filme do Kubrick com os atores da versão 2019 estavam maravilhosas!
    O filme com ctza veio cumprir o papel de tranquilizar o rei com o final esperado no o Iluminado, achei que fechou redondinho e deu uma explicação para personagens que não poderiam estar no Doutor Sono.
    Achei o filme maravilhoso, como cria da Carol Nery em se tratando de King estou pegando as referências e me apaixonando por esse mundo kinguiano.
    Que crítica perfeita, adorei as curiosidades e peguei a referência a Torre .

    • Carol Nery
      Carol Nery
      novembro 07, 2019

      Você é meu orgulho! Acho que foi até bom não sentar com você e a Pérola, porque iríamos conversar e atrapalhar os outros. hahahahaa
      Fiquei impressionada com a semelhança dos atores atuais. Aquela Wendy na cena do banheiro, cara… PERFEITA!!!!! Muito igual aquela desesperada do Kubrick.
      Enfim, tudo encaixou direitinho e foi muito bom ganharmos uma adaptação tão boa. Fiquei feliz.
      Obrigada por adentrar esse universo comigo. Te amo, feito Roland ama A Torre. É infinito, porque o Ka é uma roda.