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DESPEDIDA EM GRANDE ESTILO | CRÍTICA

16 junho, 2020 por

Em uma última chance de ter tudo o que não puderam dar aos seus entes queridos,três homens têm a “brilhante” ideia de assaltar o banco dos quais são correntistas. Despedida em Grande Estilo é mais um remake de comédia que teve sua primeira versão em 1979 dirigida por Martin Brest (diretor de “Perfume de mulher”) com George Burns (1896-1996), Art Carney (1918-2003) e Lee Strasberg (1901-1982) no elenco.

Seguindo a mesma estrutura do original, a nova produção conta a história dos três amigos avançados nos anos e numa pindaíba terrível e de não serem as melhores pessoas para o trabalho, se esforçam para planejar, meticulosamente, o assalto ao banco e seguir vivendo com algum conforto.

Willie (Morgan Freeman), Al (Alan Arkin) e Joe (Michael Caine) são inseparáveis. Os personagens são apresentados e bem definidos logo nas primeiras cenas, fazendo o espectador entender bem como cada um deles é! Claro que, grande parte desse trabalho, é mérito dos três atores principais, que apresentam um carisma inacreditável e uma química entre eles que realmente aparentam serem amigos de verdade.

Bom, com um elenco desses, de cara achamos que o filme vai ser fantástico. Acho que uma comédia tem um certo limite em termos de ser boa, mas eu gostei. Mas agora os velhos Michael Caine, 84 e Morgan Freeman, 79 mostram que idade não é documento para ótimas atuações. Dá até para se ter uma ideia do clima de alegria no set de filmagem no Brooklyn, onde a ação se dá.

Dirigido por Zach Braff, 42, em sua estreia em um grande estúdio de Hollywood, depois de agradar com bons-bocados indie como “Hora de voltar” e “Lições em família”, o novo “Despedida em grande estilo” nem se amola em tentar reproduzir o tom mais soturno e fora da lei do original.

Como fundo vemos que tudo começou quando todos perderam seus fundos de pensão, uma mudança no roteiro que é explicada pelo produtor Arkin quando questionado sobre a diferença com o material original “Vi e achei o filme uma bobagem, engraçadinho, mas trivial. O nosso tem mais consistência, é mais político. Há uma greve, há os postos de trabalho dos EUA, há o fato de eles roubarem o mesmo banco que congelou as aposentadorias deles, não uma agência qualquer.”

E Assim como a versão original de 1979, o filme começa bem e vai ficando estritamente forçado, e os protagonistas parecem viver em uma série de deus ex machinas. Porém isso não me incomodou o trio não só em termos de personagens, mas como de atores, mostra uma harmonia muito interessante. Para os que optarem ver o filme legendado, o charmoso sotaque inglês britânico de Michael Caine vem de bônus.

O filme é um grito de alerta com humor de uma questão complexa e atual nas realidades americana e brasileira: A débâcle do estado de bem-estar social e a indigência em que trabalhadores são condenados após trabalhar por toda a vida. Uma catarse, sobre ter o direito de usufruir daquilo que foi prometido para você a vida inteira e agora é retirado de forma abrupta.

Despedida em Grande Estilo é um filme doce em suas mensagens, muito bem humorado e que vai deixar qualquer um que assisti-lo num alto astral. Atuações boas e faces conhecidas fazem da aventura ainda mais aproveitável. Sendo um filme família, ele não chega a ser extremamente bom nem ruim. Vale a pena conferir se estiver afim de algo mais descontraído.

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