TEATRO MUSICAL | NA PELE

Em minha visita a São Paulo, tive o prazer de incluírem minha maratona musical “Na Pele”, adaptação nacional da peça Off-Broadway “Bare”. Sua realização foi possível através do Catarse, onde conseguiram atingir a meta de produção.

A história se passa em um colégio interno católico para adolescentes, cheio de regras rígidas, onde tudo deveria ser “correto”, mas… Pedro e Jonas se amam escondido; Eva é popular, atraente e “rodada” (“piranha”), o que faz com que nenhum talento seu seja valorizado. Nádia se sente menosprezada pelos familiares e amigos porque é gorda; Mateus está apaixonado e não é correspondido; Jonas precisa convencer a todos que gosta de mulher, para manter seu status de galã; Pedro acredita em Deus mas não entende o porquê de seu amor ser errado.

A peça foi feita para causar, incomodar. São tantos exemplos, tantos casos, que fica difícil para o público não se identificar, ainda mais por abordar essa fase tão conturbada que é adolescência. Em um local onde deveriam ser direcionado, sentirem-se seguros, eles não encontram qualquer apoio. Nem mesmo partindo de sua própria casa.

Antes de mais nada, “Na Pele” é uma crítica social de algo que vem acontecendo há anos debaixo dos nossos olhos: estamos perdendo nossos jovens. Acostumados a não serem ouvidos, eles se viram como podem e o resultado disso nem sempre satisfatório. Essa culpa é de todos.

TEATRO MUSICAL | NA PELE

Sobre o elenco, foi feita uma seleção muito interessante, pois todos demonstram como estão entrosados e acostumados com a presença do outro, refletindo em um conjunto que alcança o público em seu objetivo, o que é extremamente necessário neste tipo de tema. Destaque para o Diego Montez que tem uma atuação impecável (e sempre faz o papel do arrogante como ninguém, mesmo sendo um amorzinho);

Thuany Parente que, meu Deus, sabe colocar emoções na sua voz como ninguém. Você consegue facilmente entender os conflitos vividos por sua personagem. Matheus Ribeiro é dono de um talento gigantesco. Uma voz linda e uma capacidade de adaptação que só me fazem constatar que, após pular de Peter Pan para o jovem atormentado por conflitos internos, ele pode fazer o que quiser, e fará bem (vem Bob Esponja por aí).

A sessão que assisti teve como Nádia a atriz Ana Bia Toledo, que é impressionante! Vitor Moresco eu pude assistir na mesma semana em dois musicais bem diferentes e em ambos ele se destacou por sua voz forte, afinada e linda. Agora, pausa dramática para o solo mais lindo e emocionante da noite: Marya Bravo. Além de, claro, a melhor freira possível de Maria Bia. Quanto talento!

Bom, o espetáculo está em uma temporada bem curta em São Paulo, finalizando hoje, dia 20. Não possui grandes estruturas, cenários, figurinos… Mas entrega muito bem tudo aquilo a que se propõe. Esteja ciente do que está indo vivenciar. Será dramático, intenso e bem triste, mas ao retratar adolescência, como não ser?! Ficamos então na expectativa de uma nova temporada.