TEATRO

NA PELE (BARE), MUSICAL | CRÍTICA

20 dezembro, 2018 por
TEATRO MUSICAL | NA PELE

Em minha visita a São Paulo, tive o prazer de incluírem minha maratona musical “Na Pele”, adaptação nacional da peça Off-Broadway “Bare”. Sua realização foi possível através do Catarse, onde conseguiram atingir a meta de produção.

A história se passa em um colégio interno católico para adolescentes, cheio de regras rígidas, onde tudo deveria ser “correto”, mas… Pedro e Jonas se amam escondido; Eva é popular, atraente e “rodada” (“piranha”), o que faz com que nenhum talento seu seja valorizado. Nádia se sente menosprezada pelos familiares e amigos porque é gorda; Mateus está apaixonado e não é correspondido; Jonas precisa convencer a todos que gosta de mulher, para manter seu status de galã; Pedro acredita em Deus mas não entende o porquê de seu amor ser errado.

A peça foi feita para causar, incomodar. São tantos exemplos, tantos casos, que fica difícil para o público não se identificar, ainda mais por abordar essa fase tão conturbada que é adolescência. Em um local onde deveriam ser direcionado, sentirem-se seguros, eles não encontram qualquer apoio. Nem mesmo partindo de sua própria casa.

Antes de mais nada, “Na Pele” é uma crítica social de algo que vem acontecendo há anos debaixo dos nossos olhos: estamos perdendo nossos jovens. Acostumados a não serem ouvidos, eles se viram como podem e o resultado disso nem sempre satisfatório. Essa culpa é de todos.

TEATRO MUSICAL | NA PELE

Sobre o elenco, foi feita uma seleção muito interessante, pois todos demonstram como estão entrosados e acostumados com a presença do outro, refletindo em um conjunto que alcança o público em seu objetivo, o que é extremamente necessário neste tipo de tema. Destaque para o Diego Montez que tem uma atuação impecável (e sempre faz o papel do arrogante como ninguém, mesmo sendo um amorzinho);

Thuany Parente que, meu Deus, sabe colocar emoções na sua voz como ninguém. Você consegue facilmente entender os conflitos vividos por sua personagem. Matheus Ribeiro é dono de um talento gigantesco. Uma voz linda e uma capacidade de adaptação que só me fazem constatar que, após pular de Peter Pan para o jovem atormentado por conflitos internos, ele pode fazer o que quiser, e fará bem (vem Bob Esponja por aí).

A sessão que assisti teve como Nádia a atriz Ana Bia Toledo, que é impressionante! Vitor Moresco eu pude assistir na mesma semana em dois musicais bem diferentes e em ambos ele se destacou por sua voz forte, afinada e linda. Agora, pausa dramática para o solo mais lindo e emocionante da noite: Marya Bravo. Além de, claro, a melhor freira possível de Maria Bia. Quanto talento!

Bom, o espetáculo está em uma temporada bem curta em São Paulo, finalizando hoje, dia 20. Não possui grandes estruturas, cenários, figurinos… Mas entrega muito bem tudo aquilo a que se propõe. Esteja ciente do que está indo vivenciar. Será dramático, intenso e bem triste, mas ao retratar adolescência, como não ser?! Ficamos então na expectativa de uma nova temporada.

veja os posts relacionados

Deixe seu comentário

4 Comentários

  • Carol Campos
    dezembro 25, 2018

    Esse foi um dos musicais que me chamou atenção naquele post do que estava vindo por aí… A trama não é novidade mas, a experiência (Que até hoje ainda não tive, hehe) seria válida, a crítica já deixa claro. Tomara que tenha uma nova temporada e que não seja tão curta.

    https://twitter.com/CaarolForbes/status/1077675352632250368?ref_src=twcamp%5Ecopy%7Ctwsrc%5Eandroid%7Ctwgr%5Ecopy%7Ctwcon%5E7090%7Ctwterm%5E3

    • Karina Rodrigues
      janeiro 05, 2019

      Oie, Carol!
      Realmente vc pegou a essência da crítica: apesar de não ser um trema inovador, é um tema bastante necessário.
      Aguardo vc no mundo dos musicais.
      Bjos

  • O Vazio na Flor
    dezembro 20, 2018

    Como nunca tenho oportunidade de conferir coisas assim na minha cidade, fico babando quando vejo posts com tantas fotos!
    Já tinha lido algo sobre o sucesso que esta peça está fazendo e vendo as fotos, entendo um pouco os motivos.
    Me veio fácil na mente uma série recente que vi,Elite. Também de jovens…
    Adorei!!!
    Beijo

    https://twitter.com/AngelaGabriel1/status/1075779214656266241

    • Karina Rodrigues
      janeiro 05, 2019

      Oie! Uma pena a abrangência desses musicais ser tão limitada, mas realmente lembra um pouco a série elite. Só que com bastante representatividade.
      Bjos