Distribuidora: Universal Pictures | Estreia: 25/01/2018 | Gênero: Drama, Suspense, Histórico | Duração: 1h55 | Orçamento: 50 milhões de dólares

 

“A imprensa deve servir aos governados, não aos governantes.”

Ser jornalista não é uma tarefa fácil, como muitos pensam. Vários profissionais dessa profissão já foram silenciados por falarem a verdade para as pessoas, como exemplo, podemos citar a ditadura ou até mesmo do caso de Tim Lopes, jornalista do Rio morto na favela. Se eu não for muito longe, posso até citar a morte de um repórter do interior, há alguns anos atrás. Nos últimos anos, algumas tramas que mostram sobre a profissão, com casos de reportagens de sucesso, vieram para o cinema e para a televisão, “The Post: A Guerra Secreta” é a mais recente delas.

No enredo, Katharine Graham assumiu o comando do Washington Post após o falecimento de seu marido. Em uma época em que a voz da mulher não era ouvida, ela tentou se fazer ouvir no meio de vários homens. Quando o The New York Times solta uma notícia bombástica sobre o governo americano e a guerra no Vietnã, e logo depois se vê impedido pela justiça americana de continuar a cobertura, Graham se vê em um impasse: sua equipe, com os documentos, escreveu uma matéria, mas ela deve publicar ou não? O filme é baseado no caso real do vazamento de um documento de 14 mil páginas do pentágono, chamado pelo The New York Times de “Pentagon Pappers”.

Quando li a sinopse e vi o trailer, pensei que Graham ia se apresentar como uma mulher forte e determinada, sem muitos medos e receios, mas que vemos é o contrário. A personagem ficou fiel ao sentimento que qualquer outra mulher no seu lugar teria, com dúvidas e receios aparentes. O enredo do longa mostra um pouco sobre como o governo manipula suas informações para a mídia – na verdade, essa manipulação é feita não apenas pelo governo, mas pelos mais poderosos, como empresas e figuras públicas. Além disso, outros assuntos interessantes que são retratados no filme são: o limite entre a ética e a notícia, e a falta de confiança na gestão/liderança da mulher.

O filme me agradou em vários momentos, um deles é quando Graham está decidindo se realmente publicará ou não a notícia e as cenas são intercaladas, entre ela e sua diretoria, e o processo de montagem e impressão de jornal naquela época. Outro ponto forte foi a referência ao caso de ‘Watergate’, motivo da renúncia do presidente Richard Nixon, que já teve algumas produções cinematográficas sobre, como “Todos os Homens do Presidente” (1976) e “Mark Felt – O Homem que Derrubou a Casa Branca” (2017).

A direção de Steven Spielberg (Jurassic Park e Guerra dos Mundos) foi impecável, mas acho que não posso deixar de citar também os roteiristas Liz Hannah (Skin) e Josh Singer (Spotlight). Além das atuações belíssimas de Meryl Streep (A Dama de Ferro, O Diabo Veste Prada), Tom Hanks (O Círculo, Inferno), Sarah Paulson (American Horror History, 12 Anos de Escravidão) e vários outros atores que trabalharam na produção. “The Post” teve 73 indicações a prêmios e foi vencedor de nove delas, como exemplo, podemos citar as seis indicações no Globo de Ouro (melhor filme de drama, melhor diretor de filme, melhor roteiro, melhor ator em um filme de drama, melhor atriz em um filme de drama e best original score) e ao prêmio de filme do ano no AFI Awards, USA.