CRÍTICA DE ESTRÉIA | O DOUTRINADOR
Distribuidora: Downtown Filmes | Estreia: 01/11/2018 | Gênero: Crime, Suspense| Duração: 1h 59min

Conhecido como o filme anti-herói brasileiro, o Doutrinador trabalha a temática da corrupção num modelo bem Jack San de lidar com a realidade. Na trama o personagem principal, um agente da polícia especializada, persegue sem tréguas políticos e empresários inescrupulosos após perder sua filha pelo sistema que desampara os diretos básicos dos cidadãos em detrimento do poder e do dinheiro de poucos fluentes.

Qualquer mera coincidência do filme com o momento atual do país, pós eleição pode parecer mais uma aposta para conquistar o público e atrair idealistas as salas de cinema. Mas de antemão já alerto, não espere um filme sensato com questões históricas bem construídas. O que se vê no cinema é um salvador da pátria com superpoderes e nenhuma ambição maior em suas atitudes de vingança.
Com direção dividida por Gustavo Bonafé (Legalize Já e Chocante) e Fabio Mendonça (A Noite da Virada), o filme é estrelado Eduardo Moscovis, Marília Gabriela, Helena Ranaldi, Tainá Medina, Samuel de Assis e Tuca Andrada. E a ideia é que além do filme, o personagem principal irá ganhar uma série animada na TV, prevista para exibição no canal Space em março de 2019.

O enredo reforça a apologia à violência armada, atentados contra políticos, denúncias de corrupção e a sensação de revolta popular que em vez de ajudar só se movimenta sem nenhum fundamento concreto de mudança. Nas cenas imagens bem caricatas e clichês de copos de whisky, engavetamento de processos e malas de dinheiro, cenas que habitam noticiários brasileiros, mas que surgem como combustível para o surgimento do justiceiro sem limites.

A adaptação polêmica divide opiniões. O Doutrinador foi originalmente concebido em 2008 pelo quadrinista Luciano Costa em um momento que se explodiram as manifestações de protesto no país e a história virou cult, viralizando a indignação social com o panorama político da época.

No melhor estilo dos vigilantes dos quadrinhos e bebendo da fonte dos super-heróis americanos, o filme traz várias referências em termos de dinâmica, postura e estética, que nos remete aos ícones da Marvel e da DC Comics. Não existe inovação, somente o uso da inspiração e a adaptação para a realidade brasileira.

Ao relacionar o filme ao momento importante da nação, podemos sentir como nosso país está corrompido desde a sua raiz. E a violência nunca será a solução para os nossos problemas. Unir forças independente dos governantes para uma nova postura de direitos é o caminho mais coerente e sensato para sairmos da crise política, economia e social que vivemos.