Distribuidora: Cineart Filmes | Estreia: 11/01/2018 | Gênero: Biografia, Drama, Romance | Duração: 1h53

A estreia alemã, “Lou” é uma biografia de uma escritora e psicanalista alemã chamada Lou-Andreas Salomé. No filme, Lou (Nicole Heesters) já com a idade avançada decide escrever a sua biografia, com a ajuda do jovem Pfeiffer (Matthias Lier). Com pensamentos que não condiziam a sua época, a mulher viveu a frente do seu tempo encarando preconceitos e dificuldades.

 

Filha caçula com cinco irmãos homens, desde pequena a menina encarava com estranheza a diferença de sua criação com a de seus irmãos. Em um tempo que não era comum, ela estudou filosofia e religião, conhecendo homens importantes da área que ficaram encantados com o intelecto e a beleza da garota. Lou, no entanto, se negava a se envolver romanticamente, querendo ser tratada como um amigo/irmão por seus colegas.
Minha relação com o filme foi bem diferente do que eu imaginei que seria: quando li a sinopse, gostei logo de cara, mas com o trailer veio um desanimo, comecei a imaginar que poderia ser um filme bem parado e que não prenderia a minha atenção, grande engano. O filme é parado sim, as cenas são em sua maioria bem tranquilas, mas ao contrário do que pensei, ele prende muito a atenção. Acredito que seja porque a história de Lou é bem interessante.
Mesclando as cenas de Heesters, com suas memórias, o filme retrata como a criança, a adolescente, a jovem e a mulher, lidou com os problemas de suas escolhas ao decorrer da vida. Os relacionamentos de Lou com grandes nomes da época, como Friedrich Nietzsche, Paul Rée, Friedrich Carl Andreas e Rainer Maria Rilke, tomaram, no entanto, grande parte da trama.

O fato de ter focado em como Lou encantou os vários homens que passaram por sua vida, e deixado um pouco de lado à história de seu trabalho, foi algo que não gostei. No final do filme, fiquei ansiando um pouco mais para saber sobre o trabalho dessa escritora que não é muito conhecida aqui no Brasil. Outra decepção foi a atuação das atrizes que representaram a adolescência e a idade adulta de Lou, essa segunda teve seus altos e baixos dentro do filme. Ao contrário da atuação de Heesters, que não deixou nada a desejar em minha opinião.

Uma parte interessante do longa, faz parte da composição da fotografia. Em algumas cenas, o cenário é todo parado com manequins ou representado em forma de desenho. Esses detalhes trouxeram um charme a mais para a produção. Apesar de ter gostado, Lou é um daqueles filmes que precisa gostar do gênero para assistir, afinal a duração é de quase 2 horas. A diretora Cordula Kablitz-Post ganhou o prêmio como melhor filme, na categoria NDR Young Talents no Emden International Film Festival.