Brinquedo Assassino (Child’s Play) me pegou desprevenida. Mais uma vez eu cheguei à sessão sem ter lido a respeito do filme. Não é ‘pouco caso’ não… Certamente é que eu realmente gosto de ir bem clean ao cinema. Spoiler não é comigo, e algumas sinopses entregam muito da história. Eu prefiro esperar o filme mesmo pra saber tudo de uma vez.

Entretanto, ledo engano pensar – eu pensei – que Brinquedo Assassino seria um remake da história de “seu irmão mais velho”. A ideia original não foi aproveitada. Nesse filme que estreia dia 22 de agosto de 2019, o diretor Lars Klevberg usou e abusou de referências, bem como de críticas ao mundo moderno e toda sua tecnologia.

Chucky não é mais um assassino serial que habita o corpo antes inanimado de um boneco e brinquedo. Antigamente, Chucky estava louco para encontrar um novo corpo humano para transferir sua alma através da prática do voodoo, e é essa a motivação do então antigo Brinquedo Assassino. O boneco tornou-se uma figura importante do terror e da cultura pop, isso desde o fim da década de 80.

Na verdade, vejo nessa nova roupagem de Brinquedo Assassino um renascimento para a franquia do macabro boneco que manipula facas e aciona serras elétricas – ou seja, este é um reboot. Ah, Chucky é dublado pelo ator Mark Hamill (Luke Skywalker), e você pode pegar uma referência e uma brincadeira a respeito de Star Wars nos momentos após o boneco chegar à sua nova residência.

Tanto a mãe Karen (Aubrey Plaza), quanto o filho Andy (Gabriel Bateman), têm os mesmos nomes da franquia que teve início nos últimos anos da década de 80. Mas, as coincidências ou referências param por aí. Nesse novo formato de Brinquedo Assassino acompanhamos no início do longa, um trabalhador extremamente desgostoso da vida por ser humilhado e maltratado. Para se vingar, em um chip interno do boneco que recebe as configurações de comportamento do brinquedo, o cara desconfigura tudo!

Com essa “brecha” tecnológica é bem fácil e óbvio entender as críticas nada veladas a respeito do consumismo desenfreado. Também da nossa dependência tecnológica que é muito real na atualidade. Em Brinquedo Assassino tudo é conectado – online. Os comandos dos aparelhos domésticos, dos brinquedos, da iluminação e da ‘play list’ das músicas, tudo está conectado a um sistema. Alguns comandos por voz, outros direcionados através de aplicativo no próprio celular. Nada muito improvável!

Então Karen, a mãe solteira, trabalha em uma loja de departamentos. Ela teve a brilhante ideia de levar pra casa um boneco Buddi que foi devolvido por estar com defeito. Seu filho Andy é retraído, tem uma deficiência auditiva e ainda não se adaptou depois da mudança. Enfim, de forma bastante óbvia, logo percebemos que esse boneco é o mesmo que recebeu o chip reconfigurado lá na fábrica. Ou seja… Ele não tem bloqueio/censura para violência ou palavras chulas, digamos assim.

O ponto chave é que esse novo boneco Buddi é configurado para reconhecimento facial e ser leal ao seu “melhor amigo”. Então, no momento que Andy abre o pacote de presente que sua mãe lhe deu de aniversário adiantado, o boneco vai sendo configurado para aquilo que virou uma relação obsessiva com o menino. Algo digno de um relacionamento super-extra-mega tóxico! E Andy vai percebendo paulatinamente que Chuck – o nome que o boneco auto escolheu pra si – não é muito normal (claro, por isso foi devolvido à loja).

A vingança a quem perturba Andy ou tenta ser um amigo mais próximo do pré-adolescente começa de forma mais leve. Primeiro eram sustos e troças que o próprio menino se divertia ao ver Chucky pregá-lo. Só que sabemos que a evolução da violência irá aumentando conforme Chuck vai percebendo quão chateado Andy fica com alguém. Também é muito perigoso quando Chucky sente que sua amizade com o garoto está sendo ameaçada.

Preciso dizer, antes que alguém me pergunte, que sim… Eu achei o boneco muito estranho. Muito artificial. O rosto dele é totalmente irreal. Mas, acredito que era isso que era almejado. E combinou demais aquele boneco todo moderníssimo buscando formas estoicas de eliminar seus adversários diretos.

CRÍTICA | HISTÓRIAS ASSUSTADORAS PARA CONTAR NO ESCURO

Eu sou uma pessoa que gosta muito de filme de terror. Mas, também não tenho aquele critério rígido dequem busca história no roteiro como se fosse para um filme de drama, por exemplo. Acredito que dentro da linha e gênero que se propõe, Brinquedo Assassino foi muito interessante. Com seu estilo de fazer humor em algumas partes, com algumas cenas meio gore, e com um elenco que foi bastante feliz em suas interpretações… Eu gostei bastante da experiência! Confesso que esperava um filme beeemmm ruim.

Ressalto aqui, para finalizar, que amei o jovem Gabriel Bateman. Ele me lembrou de dois atores quando crianças. Na verdade, uma mistura deles dois… O Tyler Posey (Teen Wolf) e o Josh Hutcherson (Ponte para Terabítia). Achei ele uma graça. Fez o papel do menino enjeitado por ser portador de uma deficiência, como também por ser novo em um novo lugar, muito bem. Suas reações lidando com Chuck também foram ótimas. O garoto pode ser promissor. Torço por isso!


Concluindo, para você que cresceu nos anos 90, para você que gosta de filmes de terror com uma dose de nostalgia, ou para você que está curioso para saber o que fizeram com o boneco Chuck neste reboot, recomendo que se dirija às salas de cinema da sua cidade. Você terá 90 minutos de diversão.

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Data de lançamento: 22 de agosto de 2019
Duração: 1h 30m
Estrelando: Aubrey Plaza, Gabriel Bateman, Brian Tyree Henry
Direção: Lars Klevberg
Roteiro: Tyler Burton Smith
Gênero: Horror
Produtoras: Orion Pictures, Bron Studios, KatzSmith Productions
Ano: 2019