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CRIME SEM SAÍDA | CRÍTICA

21 maio, 2020 por

Crime sem saída
Se o filme Resgate  têm movimentado os assinantes do Netflix, no Amazon Prime esse papel cabe à Crime Sem Saída. Produção de 2019, o filme reúne um time que faz sucesso no universo Marvel. Produção dos Irmãos Russo (Vingadores: Ultimato), Crime Sem Saída conta com Chadwick Boseman (Pantera Negra) como o protagonista de um thriller policial intenso. Chadwick, por sinal, tem se especializado em filmes de ação quando tem folga de sua vida de super-herói.

A direção tem um estreante… nas telonas. Você provavelmente já assistiu alguma coisa dirigida pelo brilhante irlandês Brian Kirk. Ele já deixou sua marca em diversas produções. Quer exemplos? Luther, The Tudors, Dexter e Game of Thrones. E sua estreia na nova categoria tem se mostrado promissora.

A trama, de início, parece simples, mas não é. Ao que parece, o filme se trata de um roubo de cocaína no Brooklyn, em Nova York. Dois assaltantes fazem o serviço quando a polícia chega, e começa a carnificina de agentes. Sete, ao todo, mortos sumariamente por um dos bandidos, com sangue gelado, porque frio seria pouco.

Eis que chega o detetive Andre Davis (Chadwick Boseman), na cena do crime, e todo processo de investigação começa, sendo ele auxiliado, por determinação externa, pela agente Burns, da narcóticos, interpretada por Sienna Miller.. E aqui cabe uma crítica, por mais uma vez a ala brasileira resolver inventar nomes de filmes do nada, no mesmo estilo de sempre.

Taylor Kitsch E Stephan James

Andre sugere aos superiores que a ilha de Manhattan fosse fechada em todas as suas saídas, para que pudesse ser feita uma varredura completa pela cidade atrás dos assassinos de policiais. A ideia, recebida como loucura, é aceita diante da possibilidade de boa publicidade ao prefeito. Então, as 21 pontes que cercam a ilha seriam fechadas até 5 da manhã. Daí sai o nome original do filme, 21 Bridges. Simples, original e com tudo a ver com a trama. Mas, não. Existe sempre a necessidade da invenção, daquele nome clichê abrasileirado.

Ideias horríveis à parte, começa então uma perseguição alucinante, envolvendo toda a inteligência da polícia. Mas para se entender a profundidade de Andre Davis, dois momentos no início de Crime Sem Saída são primordiais. A trama começa com Andre e sua mãe em uma igreja, velando seu pai, também policial, que morreu cumprindo seu dever dignamente.

Em seguida, mas 19 anos depois, Andre, que obviamente se tornou policial, aparece prestando esclarecimentos numa comissão da corregedoria, que questiona seus métodos e todas as vítimas que vem fazendo. Ele é policial em Nova York, com uma das polícias e políticas mais progressistas dos Estados Unidos, onde um policial, para matar até mesmo um assassino, quase precisa perguntar pro bandido se ele vai continuar sendo um menino mau. Ao ser perguntado por que se tornou policial, ele afirma que está no seu DNA, e que não se arrepende de nenhuma morte. Ok, agora sabemos que Andre Davis se guia pelo exemplo honesto do pai e é um bom policial.

Voltando pra ação. A dupla de criminosos Ray Jackson e Michael Trujillo são interpretados por Taylor Kitsch (Friday Night Lights) e Stephan James (Race). Depois de entregar a droga ao destinatário, precisam fugir com a parte do dinheiro que carregam. Começa então uma corrida por uma maneira de sair do país e salvaguardar toda a grana.

Aí começa a reviravolta na trama, pois, outros policiais chegam aos bandidos antes mesmo do principal detetive, nosso protagonista, fato que deixa Davis com uma pulga atrás da orelha. Os policiais, ao chegarem no interceptador, onde estavam os bandidos, atiram no homem, que quase morrendo, pede a Michael que pegue um pendrive importante no computador e leve com ele, sussurrando a senha antes de morrer.

[Adendo rápido sobre os vilões: Ray Jackson era protetor do irmão de Michael, que morreu. Michael se alistou no exército e foi expulso com desonra, assumindo o lugar do brother no crime ao lado do protetor. Ray foi o responsável pela morte de todos os policiais, e Michael, apesar de rendido ao crime, possui menos propensão para o crime, parecendo por vezes amedrontado e confuso. A ele coube entregar o importante pendrive a alguém confiável.]

Dando um salto nos acontecimentos para evitar spoiler, eis que o pendrive chega às mãos de Andre Davis, quando tudo parece solucionado, ele, depois de pedir um telefone emprestado, descobre que a sucessão de crimes está além dos assassinatos, e se vê com informações comprometedoras a respeito de toda uma delegacia. É quando ele decide confrontar o capitão Matt McKenna (J.K. Simmons, o neonazista da série OZ e vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante pelo filme Wiplash) a respeito das coisas de descobriu.

A pergunta que sempre fica é: vale a pena assistir 21 Pontes (Porque sim!)?

A sensação que tive em determinados momentos de Crime Sem Saída era de estar assistindo um daqueles policiais clássicos das décadas de 1980 e 1990 que eu via com meu pai, com trama mais simples, muito tiro e gente imunda pra todo lado. O filme, apesar de conter algumas falhas, nos leva para essa atmosfera de investigação e perseguição que se perdeu nas produções novas, com uso de excessiva tecnologia e tramas muito superficiais.

Certamente recomendo 21 Bridges (me recuso novamente). Dá pra se divertir em um filme bem curto, com bom enredo e direção, muito tiro, correria e… na medida do possível…

SPOILERALERT!!!

um final feliz!

Crítica escrita pelo nosso leitor @daykersonav  – marido da nossa Carol Nery. Muito obrigada Daykerson!! 

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