Columbine, do jornalista e autor Dave Cullen, é um livro que relata detalhadamente o famoso caso do Massacre de Columbine. Cullen é conhecido como o maior especialista em massacres juvenis, e hoje eu venho pra dividir com você minha experiência com esse compêndio reunido e organizado pelo autor.

O dia 20 de abril de 1999 é a data do maior massacre acontecido nos Estados Unidos. Os jovens Eric Harris e Dylan Klebold planejaram nos mínimos detalhes o ataque que intentariam contra a escola Columbine High School. Cullen, que estava pelas redondezas almoçando, chegou à escola quando soube do acontecido. Ele viria a se tornar alguém dedicado a contar essa história.

Cullen, que acredita que vivemos uma época de banalização da maldade, há 20 anos, se tornou confidente dos sobreviventes e elo às testemunhas. Em Columbine, livro publicado nesse ano pela editora DarkSide Books, podemos buscar compreender o que Eric e Dylan pretendiam, o que conseguiram executar, e como as coisas aconteceram após os adolescentes tirarem as próprias vidas.

Sou alguém que se julga muito forte para lidar com esse tipo de literatura. Mas, acredito que por 2019 não ter sido um ano nada fácil para mim, agregando o fato de eu ser mãe e ver meus filhos indo para a escola todos os dias, o livro não foi fácil de digerir. Espero conseguir me fazer entender melhor no decorrer da resenha.

Descobrimos logo no início do livro que Eric e Dylan se organizaram e se armaram para causar o maior estrago possível. A ideia de Eric era plantar bombas, tanto dentro da escola, quanto fora dela, para atingir o maior número possível de vítimas. Depois que os até então, projeto de assassinos, começassem a ativar as bombas contra os alunos e professores no horário onde a frequência no refeitório era maior, eles estariam posicionados do lado de fora (no estacionamento da escola) para atirar contra aqueles que fugissem de dentro da escola.

Cullen nos traz em Columbine fatos que perpassam a vida cotidiana de Eric e Dylan, o que não deixa de ser uma forma de análise para que tentemos encontrar uma razão, um motivo, um por que para que dois jovens, com famílias estruturadas, decidissem por algo tão vil e desumano. E o autor fez questão de pontuar esses detalhes com entrevistas com os sobreviventes, seus familiares e testemunhas. Não foi uma ou duas vezes que Cullen ressaltou erros ou confusões nos relatos. Tudo estava muito recente ainda. Ele foi o primeiro jornalista a entrar na escola Columbine após o massacre.

COLUMBINE – DAVE CULLEN

Os adolescentes buscavam um número extraordinário de vítimas, e visavam destruir a escola. Eles queriam entrar para a história como os assassinos do maior número de vítimas já conhecido. As baixas do massacre foram poucas, mas devastadoras. 12 adolescentes, pessoas com toda uma história de vida para ser escrita. Jovens que conviviam diariamente na escola e na cidade com os assassinos. Um professor também não resistiu aos ferimentos de bala e morreu esvaindo-se em sangue durante trágicos momentos onde a polícia não tinha certeza se deveriam adentrar e tomar a escola Columbine.

Esse livro é uma das obras de não ficção mais completa que já tive o ‘prazer’ de ler. Cullen se ateve a estudar milhares de páginas dos relatórios policiais, vídeos que os adolescentes assassinos deixaram (de propósito) para trás, examinou diários e até mesmo exercícios que os garotos realizavam na escola. Achei deveras honesto o apanhado que o autor fez para a confecção desse livro, e a forma como contou a história. Eu não consegui enxergar nenhum traço de sensacionalismo. Porquanto percebi um jornalista muito dedicado e empenhado a contar uma história que maculou tantas vidas, tantas histórias, bem como a dele próprio.

Muitos mitos e lendas foram caindo ao longo da leitura desta obra. Os assassinos não eram jovens reclusos, não sofriam bullying desenfreado, não tinham famílias desestruturadas, não sofriam agressões, eles também não foram movidos por letras indutivas de Marilyn Manson. Contudo, o que Cullen fez foi tirar essa máscara de párias sociais, e revelar a face de dois jovens comuns, que sem maiores motivos resolveram entrar para a história eliminando o máximo de vidas possíveis, incluindo a deles.

 

Eric Harris me fez acreditar com seus atos rotineiros e todo seu planejamento do massacre a Columbine, que com certeza ele preenche os requisitos para ser considerado um psicopata. Ele mentia fria e desenfreadamente, não sentia remorso, manipulava tudo e todos que estivessem a seu alcance, empatia então era algo que ele não sabia nem que existia, além de se considerar o maior e melhor em tudo que fazia – sentimento de grandiosidade.

Já Dylan tinha um perfil mais acanhado, tendendo a depressão. Pelo que se pôde abstrair de suas anotações e comportamento, ele tendia muito mais a ser um suicida do que um assassino em massa. Compreende-se que ele era ‘seguidor’, enquanto Eric era quem orquestrava tudo que já fizeram de errado. Porque sim, eles aprontaram algumas antes do dia 20/04/99.

Finalizando, Cullen nos traz muitos capítulos (cinquenta e três) contando a história dos atiradores e de suas famílias, da vida das vítimas e dos seus familiares, sobre a investigação e atuação policial e contato com as testemunhas que nem sempre guardavam uma versão totalmente correta do que aconteceu. Temos também posfácio, trechos dos diários dos garotos assassinos, muitas notas e referências, assim como apêndices, linha do tempo, diagrama da escola, e um ou outro exercício corrigido por professores.

COLUMBINE – DAVE CULLEN

Ademais, a edição, como não poderia deixar de ser, é de uma qualidade indescritível. Desde o toque sensível da capa, à fitinha para marcar página com o tema Crime Scene. Fico sempre encantada com a dedicação da editora em nos entregar um material tão bem feito, e com o conteúdo tão esclarecedor. Se você for uma pessoa sensível – que se impressiona com relatos de histórias reais trágicas, e/ou for menor de 18 anos a leitura dessa obra não é recomendada.

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Título: Columbine
Autor: Dave Cullen
Ano: 2017
Páginas: 480
Gêneros: Não ficção, Memórias, Biografia
Nota: 5/5
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