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COISA MAIS LINDA | CRÍTICA

14 julho, 2020 por

Coisa mais linda

Com seis episódios de 50 minutos em cada temporada a produção de Beto Gauss e Francesco Civita “Coisa Mais linda” evidencia a capacidade brasileira criar notáveis séries. Mas, confirma o medo em adentrar em histórias mais complexas que fogem do lugar-comum, com tons pasteis e discursos prontos.

Pensar em escrever um crítica sobre a série, não foi fácil. A ideia de assisti-la se quer estava na minha programação, mas o fato é que: além das problemáticas apresentadas no enredo, a história me mostrou que conseguimos nos incomodar facilmente, assim como se emocionar com pequenos detalhes que brilhante fizeram a diferença nesta novela acima da média.

Ambientada nos anos de 1960, Malu (Maria Casadevall) e sua amigas retratam aquele Rio de Janeiro nostálgico e estereotipado. A jovem bem casada, como manda o figurino, havia sido criada num ambiente conservador em São Paulo, com pais rígidos. Por isso, ela e o marido decidem abrir um restaurante no Rio de Janeiro, mas quando Luiza vai até a cidade encontrá-lo, descobre que foi abandonada e roubada pelo próprio cônjuge.

Determinada a ficar na cidade, ela abre um clube de Bossa Nova e faz amizade com um grupo de moças liberais e feministas Lígia (Fernanda Vasconcellos, ótima), Thereza (Mel Lisboa, também ótima) e Adélia (Pathy Dejesus, igualmente ótima) um trio pronto cheio de caretices, como mulheres brancas e negras bem como se pensa neste tipo de conteúdo.

Coisa Mais Linda

Mas não se engane que isso me decepcionou, o cuidado estético, o carisma de suas protagonistas e as boas escolhas musicais fizeram da série um bom entretenimento no streaming. Coisa Mais Linda, vai além da comida e bebida, ainda trás apresentações musicais marcantes.

Com criação de Heather Roth e Giuliano Cedroni com direção geral de Caito Ortiz, com Julia Rezende à frente de parte dos episódios, a série mostra uma mistura de The Marvelous Mrs. Maisel com As Telefonistas e pitadas de Big Little Lies.

Nada muito original, nem um texto refinado, mas que conquista por inúmeros motivos como os filtros de remissão para os preconceitos daquela (e dessa) sociedade e personagens carismáticas, impecável refino estético e finalização que nos prende, cheios de ressalvas, até o último episódio.

Trailer Primeira temporada: Coisa mais linda

O roteiro é assinado por Roth, Patricia Corso e Mariana Tesch, e mostra que o feminismo e a sororidade são construções. Fazem parte de um aprendizado. O machismo não termina do dia para a noite. As personagens não são 100% feministas e muito menos se auto declaram feministas em momento algum.

Ao longo da trama, todos cometem erros e aprendem com eles. Fazem comentários infelizes e tomam ações precipitadas. E esse é o ponto alto das discussões envolvendo o enredo. Apesar do roteiro e personagens serem bem clichês e previsíveis, o extraordinário aparenta estar no conjunto de debates e conflitos que esses personalidades trazem à tona.

Trailer Segunda temporada de Coisa mais linda

Não são apenas questões sexistas que são abordadas. Mesmo com algumas limitações, por se tratar de 1959, damos de cara com cenas envolvendo explicitamente racismo, conflitos entre classes sociais, religião, lugar de fala, rivalidade feminina, homossexualidade, mercado de trabalho, aborto e até… feminicídio.

Coisa Mais Linda pode até não ser elegante em seu texto, mas é poderosa em seu discurso, especialmente quando é tão fácil nos envolvermos com aquelas mulheres. Com isso, a série consegue ser agradável e construir uma história emocionante, terminando com um gancho dramático, que se não é original, ao menos nos deixa querendo muito uma mais temporadas.

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