Cinquenta Tons Mais Escuros | Crítica

Aconteceu quarta, dia 08 de fevereiro, a cabine de imprensa de “Cinquenta Tons Mais Escuros”, a continuação da adaptação literária “50 Tons de Cinza” escrita por E.L. James. Ao fim de tudo eu gostaria de resumir como… Mais do mesmo.

O filme continua a história de Anastasia Steele e Christian Grey partindo do ponto finalizado no anterior, ou seja, a jovem desiste do relacionamento ao se assustar com os desejos e vontades do mundo sexual do milionário e, ao abandoná-lo, o deixa inconsolável e repensando suas necessidades. A continuação aborda a nova tentativa de relacionamento do casal, dessa vez sob uma nova perspectiva, após Christian perceber que prefere a companhia de Anastasia do que manter seu “estilo sexual”. Porém, novos obstáculos irão surgir na vida dos dois.

Dirigido por James Foley (de “A Estranha Perfeita”) o longa Cinquenta Tons Mais Escuros se inicia com flashes da infância de Christian Grey, mostrando que mais de seu passado traumático será apresentado. Isso se mantém no decorrer do filme e é um ponto bem interessante. Outro ponto bem forte é a mudança de perspectiva em relação à primeira parte da franquia, pois neste Anastasia se firma como “dona de si e de suas vontades”, expondo suas opiniões e defendendo seus interesses.

Essa mudança vem a construir melhor a personagem sob a minha visão, uma vez que sempre achei contraditório uma jovem fã de Jane Austen e Charlotte Brontë apresentar tanta insegurança e dependência. Essa transição dá a ela, no filme e nos livros, um ar mais Jane Eyre (personagem do livro homônimo) e Elizabeth Bennet (personagem de “Orgulho e Preconceito), coerente até mesmo com sua formação em literatura e sua área de trabalho.

A atuação de Dakota Johnson (conhecida por “Como ser Solteira”) e Jamie Dornan (conhecido pela série “The Fall”) mais uma vez deixa a desejar, o que é engraçado uma vez que em outros trabalhos isolados dos dois o mesmo não acontece. Acredito que o roteiro não os favoreça, uma vez que apresenta diálogos curtos e uma longa sequência de alternância rápida de cenas. De cara, somos inseridos em um mundo de sofrimento de Anastasia que, após o rompimento, luta para superar o fim do relacionamento. Mas sua “dor” não convence e aparenta muitas vezes impaciência. A falta de emoções também acontece em várias cenas seguintes (como por exemplo a do helicóptero).

Juntando tudo isso à baixa química existente entre os atores, fica difícil captar as emoções ali presentes, e este problema só é amenizado devido à excelente trilha sonora (que aconselho muito que escutem ). Em muitos momentos, eu arrisco dizer que a música conseguiu atingir mais que a própria atuação, como no cena do rompimento citada anteriormente em que “The Scientist” cantada por Corine Bailey Rae dita o tom nostálgico e triste.

CINQUENTA TONS MAIS ESCUROS - FIFTY SHADES DARKER

Novos personagens são inseridos neste em Cinquenta Tons Mais Escuros: Leila (Bela Heathcote, conhecida por “Sombras da Noite”), uma ex-submissa de Christian; Jack Hyde (Eric Johnson, conhecido pelas séries “Smallville” e “The Knick”), o novo chefe de Anastasia; e Elena Lincoln (Kim Basinger, a premiada atriz conhecida por “Los Angeles – Cidade Proibida” que eles conseguiram a façanha de tornar irrelevante!), responsável por inserir o milionário neste mundo “sado”. Apresentando uma trama interessante, tiveram pouco espaço durante o longa e poderiam ter sido melhor trabalhados.

As aparições foram mais uma prévia do que virá no próximo, e espero mesmo que isto se cumpra, pois mais uma vez o filme teve foco, em muito mais da metade de sua duração, no romance e descobertas sexuais de Ana e Grey. Em contrapartida, os personagens antigos também não tiveram muito espaço para atuar, sendo raros os momentos em que você vê os irmãos de Grey, seus pais e os amigos de Anastasia. Até mesmo o fiel funcionário de Grey, Taylor, e a governanta de seu apartamento não passam de um citar de nome.

FIFTY SHADES DARKER - MOVIE

Mas apesar de todos os pontos levantados, enquanto os leigos da história irão achar o filme sem um roteiro ou trama central, acredito que os fãs literários irão gostar do resultado. Ele entrega de forma fiel e bem representada diversos elementos-chave dos livros, como é o caso do baile de máscaras. Existe também uma exploração maior e um pouco mais explícita do lado sexual do livro, que tanto atrai e causa estardalhaço.

Então é isso! Qual a expectativa de vocês para este filme? Alguém já assistiu? Deixe aqui sua opinião!

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Distribuidora: Universal Pictures | Estréia: 09/02/2017 | Orçamento: US$ 60 milhões | Gênero: Romance Hot | Duração: 115 Min