Em “Cidades afundam em dias normais” da mesma autora de “As águas-vivas não sabem de si”  Aline Valek conhecemos a história de Alto do Oeste, uma cidadezinha no meio do cerrado que afundou inexplicavelmente, um fenômeno que aconteceu de forma lenta. Anos depois, por causa de uma seca, a cidade volta a aparecer e alguns dos antigos moradores, começam a retornar. Kênia, ex-moradora de Alto do Oeste, é uma fotógrafa que resolve retornar com Facundo, um jornalista argentino, para fazer uma reportagem sobre a “Atlântida do Cerrado”. É assim, como uma exposição, que conhecemos a história de Alto do Oeste.

Vou ser sincera com vocês, o título e a capa (apesar de ser linda), não me chamaram atenção de primeira, mas após começar a ler, minha opinião mudou completamente. Não é à toa que a nota para ele foi cinco estrelas. “Cidades afundam em dias normais” foi montado como se fosse uma grande exposição de fotos, e não é de se estranhar, já que Kênia volta a cidade para fazer fotos.

A história é dividida em duas galerias “a seca” e “a água” e ao final ainda temos um mapa de como seria a exposição (preciso confessar que desse mapa, eu não entendi muita coisa). O que vemos durante a história é o reencontro dos moradores com a antiga cidade e a história, do ponto de vista de cada um deles, de como as coisas aconteceram.

“Submersas por muito tempo, as memórias ganham a mesma consistência dos sonhos.
A realidade se borra, a lógica do como e dos porquês escorrega, as motivações se perdem.”

CIDADES AFUNDAM EM DIAS NORMAIS - ALINE VALEK

Os capítulos, então, são intercalados entre o que está acontecendo na atualidade e essas memórias do que aconteceu. Toda vez que temos alguma memória, é como se Facundo e Kênia estivessem gravando um depoimento, para o documentário que pretendem fazer. É assim que descobrimos como uma cidade pode afundar em um dia normal.

Descobrimos que o processo de cheia do lago, não foi algo que aconteceu de uma hora para outra. Foi um processo demorado, em que os moradores iam sendo expulsos aos poucos, com isso, vamos vendo os conflitos que iam acontecendo na cidade. Cada morador teve um motivo diferente para partir ou para ficar na cidade que estava sendo alagada.

Conhecemos os dramas que muitos dos personagens viveram em Alto do Oeste e as relações que eles tinham com as pessoas e a cidade. A autora escreveu uma ficção, mas com personagens muito reais, com dilemas e sentimentos que poderiam ter sido de qualquer um. Acho maravilhoso quando os autores conseguem fazer personagens com os quais conseguimos nos identificar.

“Fotografar é voltar várias vezes para o mesmo lugar, de novo e de novo, até que a história apareça. Ela já está lá, o tempo todo. Mas é só na repetição que conseguimos prestar atenção no que ela realmente quer dizer.”

Enquanto fui lendo e fui sendo envolvida pela história de “Cidades afundam em dias normais”, não conseguia mais parar de ler. Um capítulo ia chamando o outro e quando vi, já estava finalizando e queria mais. O querer mais, é querer mais da autora, porque a história finaliza, apesar de não sabermos o que aconteceu com alguns personagens.

Aline Valek é escritora e ilustradora, a autora tem livros lançados de forma independente como “Hipersonia crônica” e “Pequenas tiranias”. Pela Rocco ela lançou seu primeiro romance “As águas-vivas não sabem de si” em 2016. “Cidades afundam em dias normais” é o segundo livro da autora, pela editora. Depois de lê-lo, já coloquei os outros trabalhos dela na lista.

Como disse no início, a capa não chamou muito a minha atenção, apesar de achar ela bem bonita. É simples, mas combina muito com a história. A diagramação de “Cidades afundam em dias normais” também chamou a minha atenção: os capítulos sempre começam na página da direita, então quando um termina nesta página, temos a folha da esquerda em branco.

Sem sombra de dúvidas, “Cidades afundam em dias normais” é uma história que vou indicar para todos.

“Na vida nem sempre as coisas terminam como a gente espera.”

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Título: Cidades afundam em dias normais
Autora: Aline Valek
Ano: 2020
Páginas: 256
Editora: Rocco
Gênero: Ficção, Literatura Brasileira
Nota: 5/5
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