TEATRO

CHAVES, UM TRIBUTO MUSICAL | CRÍTICA

03 novembro, 2019 por

CHAVES, UM TRIBUTO MUSICAL | CRÍTICA

“Chaves, um Tributo Musical”  Acho que se eu for parar para lembrar, sou fã de Chaves desde sempre. Talvez isso reflita nas inúmeras vezes que assisti um episódio repetido na vida (o que não é mérito só meu). E é como se fosse a primeira vez! Chaves e Chapolin são nostálgicos e lembram infância, mas sem nunca nos abandonar na vida adulta.

Sendo assim, foi com apreensão que recebi a notícia de um musical sobre o universo do icônico seriado. Será?! E hoje estou aqui para dizer que sim! Assisti no final do mês passado e foi uma cascata de emoções. Cascata mesmo! Eu não imaginava chorar tanto.

“Chaves, um Tributo Musical” aborda a chegada de Bolaños em uma fila de imigração de um lugar muito especial, comandado pelo palhaço Benjamim de Oliveira (o primeiro palhaço negro do Brasil). Bolaños acaba precisando mostrar a ele e a seus funcionários a sua obra, e assim vão parar em sua (nossa) amada Vila, presenciando as mais divertidas situações.

Antes de qualquer coisa: QUE ELENCO! Escolhas perfeitas e de um talento absurdo. Um grupo coeso, onde todos desempenham um excelente trabalho (e fãs costumam ser rigorosos nas avaliações). Além de estarem bem caracterizados, eles utilizam-se de todos os trejeitos dos personagens e o mais impressionante, a mesma voz até na hora de cantar.

Mateus Ribeiro, se você quiser o mundo, eu te dou! É incrível como o Mateus (Chaves) consegue se moldar com tamanha perfeição a cada novo trabalho, mesmo sendo estes completamente diferentes. Eu havia assistido o Diego Velloso (Kiko) esse ano em “O Fantasma da Ópera. Mas qual foi a minha surpresa ao voltar em SP e descobrir que ele era um Kiko nato? Super engraçado e maravilhoso! Carol Costa é outra que nunca decepciona e sua Chiquinha é um destaque.

Mais do que um tributo à vida e obra de Bolaños, o musical é também uma homenagem a todos os fãs que sempre quiseram assistir o “Festival da Boa Vizinhança”, cantar “Se Você é Jovem Ainda”, assistir uma aula do professor Girafales com direito a assobio do Godines, ver o Sr. Barriga cobrar o aluguel, acompanhar as investidas da Dona Clotilde no Seu Madruga (ao som de “Seus olhinhos de noite serena). Com um bônus, uma cena final de Bolaños que me arrepio só de lembrar. Então, Fabiano Augusto, meus parabéns!

Tive o prazer de assistir ao espetáculo com um amigo que compartilha comigo o amor por Chaves. Aliás, acho que o amor dele é até maior, porque com apenas uma nota ele já falou assim “Meu Deus, eles vão cantar ‘Somos cafonas'”. Vou deixar aqui abaixo o relato dele, que inclusive não está acostumado a ir em musicais, portanto acaba sendo ótimo para quem ainda tem algum receio ou não tem o hábito de frequentar estes espetáculos.

Crítica: Leitor Convidado – Pedro Paraíso

“Se você é jovem ainda, amanhã velho será…”

Não, eu ainda não cheguei aos 50 e todos. Mas a infância, aquele momento sem preocupações, sem estresse, sem boletos e, sobretudo, sem tantas responsabilidades, já se foi. A vida de adulto nos cobra a nossa tranquilidade, na maioria dos dias. Porém, no último sábado, durante cerca de duas horas e meia, eu me senti criança novamente. O motivo foi o espetáculo “Chaves: Um Tributo Musical”.

Aqui, meus amigos, eu não falo como um crítico de musical, até porque foi o primeiro espetáculo deste gênero que pude presenciar. Eu falo como um fã incondicional de Chaves, como alguém que cresceu (na vertical e na horizontal) assistindo àquela vila, decorando as falas e movimentos dos personagens e, confesso, não entendendo algumas piadas (ou vocês sabem qual é a diferença do tinteiro e da Canção da Ausência?).

Tudo foi completamente mágico. O cuidado de cada ator em trazer os trejeitos, o modo de falar, o jeito de se portar em cada situação me fez crer que eu estava vendo, de fato, um momento que aconteceu há mais de 40 anos. A história foi amarrada em pontos icônicos da série, mas não deixou de ter seus momentos, digamos, inéditos. As músicas, desde as produzidas exclusivamente para o musical, até às originais da série, foram interpretadas de forma perfeita. O cenário, de um nível de detalhe incrível, foi a cereja do bolo. Tudo maravilhoso.

Como fã, pensei que teria dificuldade em comprar a ideia. Junte isso ao fato de ser uma pessoa completamente metódica e que gosta exatamente das mesmas coisas, sempre. Mas, desde o primeiro ato, fui ganhado pela atmosfera, envolvido pelo contexto e arrebatado por cada diálogo, cada verso, cada segundo de atuação.

As lágrimas que caíram durante toda a peça simbolizaram o encontro entre o ser humano que viveu alguns momentos bem difíceis nesses últimos anos e a sua faceta mais pura, onde essas complicações não existem. Talvez seja essa a resposta, no fim das contas: valorizar o que te faz bem, buscar esses momentos e nunca, mas nunca mesmo, deixar morrer o espírito jovem que habita em você. Afinal…

“… a menos que o coração sustente, a juventude nunca morrerá!”

Fica aqui o meu apelo (eu sei, já fiz várias vezes pelo Instagram) para que você que está em São Paulo hoje não deixe de conferir o último dia em cartaz dessa linda peça, que une e emociona gerações!

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Chaves, um Tributo Musical
Instagram: @chavesomusical
Último Dia: 03/11/2019
Teatro Opus
Ingressos: https://uhuu.com

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3 Comentários

  • Julio C. Santos
    novembro 05, 2019

    Incrível poder ter chance assistir um musical com tema tão nostálgico como chaves.

  • ISABELLE LIMA
    novembro 05, 2019

    BRAVO, BRAVO, BRAVO KARINA!
    Como fã incondicional do Chaves, num primeiro momento não me agrada a ideia de um musical, mas sua crítica foi suficiente pra me convencer do contrário.

    O texto do Pedro me encheu os olhos de lágrimas… Ah, minha infância, que saudade!

  • Bianca C. Alves
    novembro 05, 2019

    Não sou fã de Musical, por se tratar de Chaves já fiquei empolgada que oportunidade de ouro apreciar um espetáculo cheio de detalhes e como voltar ao tempo de infância. Quem sabe eu tbm teria essa mesma oportunidade