Cemitério Maldito : aos mais apaixonados a memória afetiva pesa quando se fala em adaptação do livro O Cemitério (Pet Sematary, 1983) de Stephen King. Somos saudosistas e não negamos. Aquilo que já ficou para trás há tempos gera um sentimentalismo, tal estado emocional na gente… que filmes que hoje em dia não seriam considerados como bons, para nós, acabam se tornando clássicos. Essa primeira adaptação de O Cemitério, que estrelou em 1989, foi bastante fiel ao livro, o que geralmente agrada o Leitor Fiel.

Trinta anos após esse feito, agora em maio de 2019 chegará às telas dos cinemas o ousado trabalho dos diretores Kevin Kölsch e Dennis Widmyer. Ousado pelo fato de tocar “no sagrado” dos fãs do mestre do horror. Pela coragem de “quem sabe” vir a enfrentar muitas negativas perante o filme que tem sido bastante esperado já há algum tempo – pois nós acompanhamos as notícias, a escolha de cada ator, e ficamos ansiosos pelo trailer (coisa que acabou por nos deixar com as “anteninhas” em pé, pois roubou muito da experiência e surpresa do cinéfilo!).

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Acredito que um dos pontos chave ao se falar de Cemitério Maldito é o medo da morte e o medo de sequer falar sobre algo tão natural o qual nós todos vivenciaremos.  E desta forma a família Creed que se muda da cidade grande para o interior no Maine (obviamente) na cidade de  Ludlow, estuda formas de conversar sobre a morte, explicar para sua filha de quase 9 anos esse processo, e o que possivelmente virá depois – ou não. 

Uma cena marcante é a procissão de crianças que estão seguindo para o “Simitério de Animais”. O clima, as máscaras, a floresta, a curiosidade de Ellie, e o sobressalto de Rachel (Amy Seimetz) acabam se tornando uma boa sequência. Sei lá se eu aceitaria algo do tipo bem na minha propriedade! Coisa macabra, viu?!

Duas coisas chocantes que me fariam querer mudar na mesma hora daquela casa: uma é o tal cemitério onde as crianças sepultam seus animais desde sempre e, a outra é a pista que passa pela frente da casa da família no qual caminhões passam em uma velocidade imperdoável e impraticável. Deus que me livre!

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Rachel, a mãe, tem bastante destaque ao lidar com o tema “morte”, uma vez que não lida bem com a perda de sua irmã quando as duas ainda viviam com os pais – transtorno do estresse pós-traumático?. Morte é um assunto avassalador para ela, quase proibido. Ela foi atormentada em algumas cenas com flashbacks e fantasias a esse respeito.

Nesse longa Gage não é a estrela e relembra bem pouco o garoto icônico e eternizado da adaptação do fim dos anos 80. Ellie brilha com uma sagacidade meio que inata, meio que cultivada por Louis Creed (Jason Clarke). A jovem atriz (Jeté Laurence) está muito bem no papel que lhe foi atribuído, e mais uma vez eu me pergunto como esses atores tão jovens são expostos a cenas e falas tão pesadas. Pode ser que esse roteiro marque a vida desses atores mirins para sempre. Isso sempre me deixa de cabeça quente! Mãe coruja detectada com sucesso…

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As escolhas (errôneas) feitas por Louis são importantes para fazer o filme funcionar. Ele se mostrou o tipo de pessoa que busca resultados diferentes quando está executando as mesmas ações que já não haviam dado um resultado satisfatório. Por Louis Creed ser levado por sua incapacidade de lidar com os fatos do presente, em se desapegar do passado e vivenciar o luto é que o filme tem como acontecer. Sua negação foi o início do fim.

O que mais me agradou no remake de Cemitério Maldito foi que não houve excessos em efeitos especiais (excetuando aqui a parte do Cemitério Micmac), maquiagens ou jump scare (hoje em dia um filme de terror parece que precisa usar e abusar dessa última técnica). O terror psicológico bate forte, e de uma forma ou de outra nos leva às mesmas velhas considerações feitas no primeiro filme, ou quando lemos o livro: “e se fosse comigo?”.

Cemitério Maldito leva seu material de origem em algumas direções diferentes, e não sabemos o que esperar do final desse longa. Prontos?

Enfim, o filme é bastante objetivo naquilo a que se propõe. Ele incomoda, ele assusta, e ele nos coloca pra pensar. Porém – sempre tem um porém – pode não agradar os fãs mais puristas de King, uma vez que a partir de certo momento do longa os diretores levam a sério o termo “adaptação” e dão asas à imaginação.  A todo o tempo você só precisa guardar a velha máxima que há tempos decoramos: “Às vezes, morto é melhor”. 

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Ficha Técnica:

Cemitério Maldito cartazDistribuidora: Paramount Pictures 
Gênero: Terror, Suspense, Mistério 
Duração: 1h 41 
Estréia: 09/05/2019 
Elenco: Jason Clarke, Amy Seimetz, John Lithgow | Direção: Kevin Kölsch, Dennis Widmyer