“Aves de Rapina” estreia hoje nos cinemas de todo o país, e o filme é bem louco como sua protagonista! Embora a equipe seja o título principal, a história é mesmo focada no subtítulo “Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa”, na sua luta por sobrevivência após o término de um relacionamento que a colocava em uma categoria de intocável na cidade. E o resultado disso tem muita violência, explosões, risadas insanas, cores e glitter.

O filme começa com o término do relacionamento entre Arlequina e Coringa, uma decisão mútua e sem consequências… Só que não. De coração partido, ela precisa tomar a decisão de reagir e se emancipar para a própria sobrevivência. E são muitos os seus inimigos, uma vez que, junto ao Sr C. (o Coringa), ela agrediu e prejudicou muita gente. Porém, agora sozinha, ela precisa dar um jeito de lidar com todas as ameaças.

Harley Quinn - Aves de Rapina

A função de um arlequim é servir. Ele não é nada sem um amo. E ninguém liga a mínima pra quem nós somos além disso.”

No topo da lista dos seus inimigos está Roman Sionis, o Máscara Negra, que deseja matá-la simplesmente porque agora ele pode. No entanto, em meio a toda essa confusão a história da palhaça do crime se encontra com a de outras mulheres fortes de Gotham que também precisam do seu momento de emancipação. São elas a Canário Negro, a Caçadora, a detetive Rene Montoya e a jovem Cassandra Cain.

Apostar na história da Arlequina foi um acerto gigantesco da DC Comics. A personagem, que talvez tenha sido o único acerto do desastroso “Esquadrão Suicida” (infelizmente), tem um carisma e diversão inigualáveis. E não pense que o filme infeliz foi jogado de lado e esquecido. São feitas várias referências aos personagens e ao relacionamento abusivo e controlador que a protagonista vivia lá.

E isso é bem importante. Arlequina fala sobre o prejuízo do relacionamento que vivia, porém como ele era usado para sua proteção. Uma vez que, ao estar ao lado do Coringa, ela não precisava se preocupar com sua própria vida. Ninguém ousaria encostar na primeira-dama do crime de Gotham. Ainda assim, ela conclui que precisa dar um jeito em sua própria vida e se tornar protagonista de suas ações.

E é a própria personagem quem narra o filme, uma jogada sensacional para conquistar o público. Seguimos a sequência louca de sua cabeça, com a narração em uma ordem que vai e volta de acordo com suas lembranças e correções. Em diversos momentos ela quebra a quarta parede e se comunica diretamente com o público, uma estratégia que me lembrou bastante a Arlequina original de “Batman: A Série Animada” e das próprias HQ’s. Também é um recurso que já conhecemos nos filmes de heróis (ou anti-heróis), muito presente em Deadpool.

Por falar em Deadpool, os dois filmes apresentam algumas semelhanças em sua essência, apesar de enredos completamente diferentes. Ambos tem como foco protagonistas nada éticos, e que agem por impulso, sem pensar nas consequências. Em “Aves de Rapina”, temos muita luta, muita loucura e muita violência. Sangue, socos, explosões, drogas, pernas quebradas… Mas tudo com um toque violentamente feminino.

Durante todo o filme somos lembrados que o importante é ressaltar a força feminina e a ausência da necessidade de um suporte masculino. Todas as personagens estão presas em uma sombra e na ideia de que precisam de um líder, sendo a Arlequina a primeira a quebrar o padrão. Dinah Lance, a Canário Negro, ironicamente é uma mulher super forte e sem voz, à serviço de Roman Sionis; a Caçadora perdeu toda sua família ainda criança e é movida por vingança aos assassinos, sem nenhuma habilidade social; Rene Montoya é oprimida em seu departamento na polícia e diretamente por seu chefe e ex-parceiro; Cassandra Cain lida com um pai adotivo agressivo.

Todas as lutas foram feitas de forma estratégica e inteligente para ressaltar a força das mulheres. Sendo assim, são golpes onde elas usam o peso do corpo do adversário, chutes altos, acrobacias, bastões de golfe, soco inglês, bombas, e com direito, inclusive, a uma troca de roupas e ao empréstimo de um elástico para prender os cabelos que estavam atrapalhando no confronto. Tudo isso com bastante estilo e sem sexualização em figurinos e falas. Nenhuma das personagens usa roupas apelativas, inclusive a própria Arlequina (um ganho em relação a “Esquadrão Suicida”). No entanto, também não precisam ser masculinas para isso. Um equilíbrio de cores, laços, brilho, elegância e violência.

O vilão Máscara Negra é nada mais, nada menos que Evan McGregor, um monstro da atuação. Porém, o destaque não está nele. As Aves de Rapina, com a liderança insana de Harley Quinn roubam a cena. Inclusive, é fantástico como Margot Robbie se adaptou ao papel. As risadas, trejeitos, caretas… Uma atuação bem fiel e segura a tudo que esperamos da personagem. E as outras garotas também não deixam a desejar!

Sobre as origens e relações com as histórias das HQ’s, a história da Harley Quinn já havia sido mostrada em “Esquadrão Suicida” e é bem fiel à de sua origem na série animada do Batman e HQ’s. Helena Bertinelli, a Caçadora, também tem uma origem bem fiel ao que as páginas mostram. Já Dinah e Rene, não é mostrado o suficiente para que possamos comparar, apesar de ser citada a mãe da Canário e o serviço da detetive no DCPG.

A única enorme diferença é Cassandra Cain, que é colocada como uma simples delinquente juvenil. A jovem está bem distante, por enquanto, da futura batgirl (“uma das”), porém isso não deve ser levantado como um ponto negativo do filme. Essa sua nova relação criada com a Arlequina ficou muito boa e, pra mim, um ponto alto do longa.

Eu sou suspeita para falar de DC Comics, e inclusive acusada de ser parcial por alguns amigos, porque sou super fã. Gosto muito desse estilo sombrio, violento e heroico que o estúdio promove, ainda que em suas histórias mais leves. Uma escuridão palpável. No entanto, eu sou super sincera e a primeira a criticar suas falhas. Acho as animações da DC imbatíveis, ao mesmo tempo que os live action deixavam muito a desejar, principalmente em iluminação e roteiro.

Harley Quinn - Aves de Rapina

Ainda assim, é uma injustiça ignorar que a DC Comics tem encontrado seu caminho nas telonas, fazendo filmes cada vez mais divertidos, mas sem perder sua essência. Um equilíbrio necessário e que começou a surgir em“Batman – O Cavaleiro das Trevas”, “Mulher Maravilha”, “Liga da Justiça”, “Aquaman”, o singular “Coringa” (ele precisa ser citado aqui sim, porque tem uma pegada diferente e sensacional, apesar de não ser “de ação”) e agora em “Aves de Rapina”.

ATENÇÃO: No melhor e mais perfeito estilo da Arlequina, “Aves de Rapina” possui cenas pós-créditos, ou seja…

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Data de lançamento: 6 de fevereiro de 2020
Duração: 1h 49min /
Gêneros: Ação, Aventura
Direção: Cathy Yan
Elenco: Margot Robbie, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell
Nacionalidade Americana
Direção: Cathy Yan
Música composta por: Daniel Pemberton
Figurino: Erin Benach
Produção: Margot Robbie
Distribuidor WARNER BROS.