As Crônicas Saxônicas e eu. Como tudo começou!

Bernard Cornwell é um autor que conheci não faz muito tempo. Contudo, ele já figura entre os meus preferidos. Seu dom da escrita, da forma que ele o faz, é raro, peculiar e dadivoso. O homem consegue fazer você se interessar por seja lá o tema que ele estiver escrevendo. E confesso que virei fã na primeira leitura que fiz de uma obra sua.

Conheci Cornwell em O Último Reino, o primeiro volume da série As Crônicas Saxônicas. Foi nesse livro que me apaixonei pela forma de Cornwell contar histórias, relatar fatos, e nos fazer realmente viver dentro das gloriosas batalhas. Em O Último Reino que me apaixonei loucamente pelo guerreiro pagão chamado Uhtred. E foi nesse livro que aprendi que Wyrd Bið Ful Ãræd (O Destino é Inexorável)! – ostento uma simples tatuagem com essa frase maravilhosa.

Bernard Cornwell

“Era o destino que me impelia. O ano era 878, eu tinha 21 anos e acreditava que minhas espadas poderiam me dar o mundo inteiro. Eu era Uhtred de Bebbanburg […]” ~ Os Senhores do Norte

 

Sem me delongar, quero citar 5 razões simples – e sem spoiler – para que você comece a ler a série As Crônicas Saxônicas, que é composta pelos 11 livros:

– O Último Reino;
– O Cavaleiro da Morte;
– Os Senhores do Norte;
– A Canção da Espada;
– Terras em Chamas;
– Morte dos Reis;
– O Guerreiro Pagão;
– O Trono Vazio;
– Guerreiros da Tempestade;
– O Portador do Fogo;
– A Guerra do Lobo.

 

1º motivo: Uhtred Ragnarson

Ele também é conhecido como Uhtred de Bebbanburg, e é nosso narrador desde o primeiro momento do primeiro livro. Filho do Ealdorman Uhtred (o Senhor da fortaleza de Bebbanburg), desde muito cedo aprende os valores da batalha. Mesmo criança, sempre foi muito questionador a respeito da religiosidade cristã a qual era cercado. Após muitos anos desastrosos, Uhtred se torna guerreiro de Wessex, a serviço do rei Alfredo, O Grande. Lutando contra os dinamarqueses, Uhtred se tornou um guerreiro vitorioso, impiedoso e de muita fama. Impossível não se empolgar lendo as aventuras desse bravo e valoroso pagão, que lutava por aqueles a quem fez seu juramento.

As Crônicas Saxônicas

“A reputação é tudo, e é a única coisa que sobrevive em nossa viagem ao Valhalla, e o homem que me matasse ganharia reputação. E assim, à luz agonizante do dia, eles se prepararam para nos atacar”. ~ Morte de Reis

2º motivo: Se você gostou de Game of Thrones…

Ok, nós não temos dragões aqui. E sei que isso é importante! Também não temos nenhum anão, ou gigantes. Contudo, temos aquele clima medieval, com muitos combates, sexo (claro), e tudo se resolve através de bastante violência. E nós gostamos! Porque Cornwell é inegavelmente um deus no quesito “empolgar seu leitor a caminho de uma batalha viking”! Eu jamais conheci um romancista histórico tão competente quanto ele. E se você sente saudade desse ritmo da série supracitada, pode ser que se empolgue com os livros de Cornwell (e até a série que falarei mais abaixo). Porém, contando com um pouco mais de seriedade aos fatos.

Castelo de Bamburgo nos dias atuais

“Seus homens gritavam insultos, batiam com as armas nos escudos e avançavam lentamente, alguns passos de cada vez. Os saxões e anglo orientais do exército inimigo estavam sendo encorajados por seus padres, enquanto os dinamarqueses invocavam Thor ou Odin. Meus homens estavam na maioria silenciosos, mas acho que faziam piadas para encobrir o medo. Corações batiam mais rápido, bexigas se esvaziavam, músculos tremiam. Essa era a parede de escudos.” ~ Morte de Reis

3º motivo: Veracidade em fatos históricos

Quando finalizamos a leitura de qualquer volume da série As Crônicas Saxônicas, Bernard Cornwell faz questão de nos informar a veracidade dos fatos com notas históricas. Ele nos localiza dentro da linha do tempo desses acontecimentos. E mais, ele nos explica quais eventos aconteceram exatamente como  e onde, conforme o que acabamos de ler. Ele também ressalta os momentos que deu asas à sua imaginação. E a parte mais triste de todas, ele também esclarece: Uhtred de Bebbanburg é fruto de sua criatividade. Quando na verdade, a gente queria a confirmação que tal homem forte, guerreiro, assim como valoroso realmente tivesse existido…

“E uma das fiandeiras pegou o meu fio. Gosto de pensar que ela hesitou, mas talvez não tenha hesitado. Talvez tenha sorrido. Mas, quer tenha hesitado ou não, empurrou sua agulha de osso na trama mais escura. Wyrd bid ful ãraed.” ~ Terra em Chamas.

4º motivo: The Last Kingdom

A BBC e a Netflix produziram a série que conta a história dos livros de forma bem fiel. As personagens ganhando vida diante de nossos olhos é um grande refrigério. E você pode acompanhar 4 temporadas que estão disponíveis no serviço de streaming. Afirmo, como grande fã que me tornei, que você não terá nenhum tipo de decepção. Os atores parecem ter nascido para tais papéis. E a gente consegue matar as saudades das histórias que já lemos há algum tempo. Vale muito a pena conferir essa produção.

As Crônicas Saxônicas

“Inicie seus matadores ainda novos, antes que a consciência deles cresça. Inicie-os novos e eles serão letais.” ~ O Último Reino

5º motivo: A construção da Inglaterra

Antes de a Inglaterra ter esse nome, existiam diversos reinos saxões. Muitos tronos… E também tinha os vikings. Eles vieram e tomaram seu espaço, sua terra, e foram atrás de alguns tronos. O que poderemos acompanhar ao longo dos 11 livros, é a história da busca em reunir todo esse povo sob um só rei. Alfredo, O Grande, foi quem sonhou com o reino da Inglaterra e deu início a essa unificação. Extremamente religioso e obcecado pelos preceitos cristãos, o rei era extremamente inteligente e estrategista – e por isso tudo leva o título de O Grande. Em outras palavras, ele foi “o cara”. A parte que poderia ser verdade, mas não é: As Crônicas Saxônicas através dos seus 11 livros, irá nos contar como o magnífico guerreiro saxão criado por vikings no século IX lutou pela causa do rei Alfredo.

Portanto, finalizo na esperança de que eu tenha, acima de tudo,  conseguido falar um pouco sobre esse universo literário maravilhoso que adentrei com o coração puro para o que viesse pela frente. E hoje, sou uma fã com aquela responsabilidade de propagar a palavra de Cornwell!

“E enquanto houver um reino nesta ilha varrida pelo vento, haverá guerra. Portanto não podemos nos encolher para longe da guerra. Não podemos nos esconder de sua crueldade, de seu sangue, do fedor, da malignidade ou do júbilo, porque a guerra virá para nós, desejemos ou não. Guerra é destino, e o destino é inexorável.” ~ A Canção da Espada