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AMOR(ES) VERDADEIRO(S) – TAYLOR JENKINS REID | RESENHA

09 outubro, 2020 por

Amor(es) Verdadeiro(s)

Amor(es) Verdadeiro(s) é o quarto romance da cultuada escritora Taylor Jenkins Reid, que foi originalmente publicado em 2016, sendo anterior aos seus dois livros mais aclamados: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo e Daisy Jones & The Six. Foi lançado primeiramente no formato de e-book pela editora Paralela, que posteriormente o lançou na versão física

Emma Blair tem 15 anos e, como todo adolescente, está em guerra com seu corpo: por que justo ela tem um quadril tão grande? Como se não bastasse, sua irmã mais velha, Marie, é insuportável e toda perfeita, e seus pais, donos de uma livraria, obrigam as duas irmãs a trabalhar lá. Claro, ainda não se cansam de repetir que um dia elas serão melhores amigas.

A livraria Blair tem outros funcionários, e um deles é Sam Kemper, um colega de Emma do segundo ano, que curte música, mas que acabou pedindo emprego na livraria ao invés da loja de música. Emma o acha bem fofo, mas, como sua irmã também acha, ela decide que não vale a pena dar qualquer chance para o rapaz – mesmo ficando claro que ele tem um crush por ela. Ela vai com a irmã em uma competição de natação, e acaba encontrando Jesse Lerner, um dos alunos da equipe do colégio. E ela fica completamente fissurada pelo menino!

“Quando você perde alguém que ama, é difícil imaginar que algum dia vai se sentir melhor. Que um dia vai estar de bom humor só porque o tempo está gostoso ou porque o barista do café da esquina sabe de cabeça qual é a sua bebida favorita.”

Jesse

Em uma festa, regada à álcool, quando uma batida policial aparece, ela acaba fugindo justamente com Jesse, e os dois são presos e levados à delegacia. Lá, enquanto esperam pelos pais, acabam conversando bastante, e ela descobre que o sonho de Jesse não é exatamente a natação, e é essa dificuldade em atender as expectativas dos pais que acaba aproximando os dois. Eles namoram, deixam Massachusetts para traz, e vão em busca dos sonhos: conhecer o mundo!

Mas, prestes a completar um ano de casados, Jesse aceita um convite para conhecer as geleiras e parte, deixando Emma para trás. A última lembrança dela é a de levá-lo no aeroporto. Mas, ela acaba recebendo a notícia que o helicóptero cai no Oceano Pacífico, e os quatro ocupantes são dados como mortos.

Imersa na depressão, ela decide retomar a vida, e volta para o aconchego do lar, e para a livraria Blair. Se lembra com amor de Jesse todo o tempo, até seu caminho se cruzar novamente com Sam, e ela decidir que Jesse gostaria que ela fosse feliz. Escreve uma carta linda de despedida para o marido, e entra na última fase do luto. E Sam a acompanha todo o tempo, dando espaço, mas sendo uma presença constante, e fica difícil não se apaixonar por ele!

“Talvez todo mundo tenha vivido um momento que serve como um divisor de águas na vida. Observando nossa linha do tempo, deve existir um marco no meio do caminho, algum evento que nos transformou, mudou nossa vida de forma mais perceptível que os demais. Um momento que cria um “antes” e um “depois”

Amor(es) verdadeiro(s)

Mas, em um jantar de comemoração do aniversário do pai, ela recebe uma ligação que pode mudar tudo – de novo. Jesse está vivo, e está voltando para casa. É nesse momento que ela começa a questionar qual será a melhor decisão a ser tomada, qual dos seus dois amores é verdadeiro, com quem ela deve ficar?

Amor(es) verdadeiro(s) foi meu primeiro contato com a autora – sim, provavelmente só eu não li os dois best-sellers da Taylor, e estava com boas expectativas, mesmo ficando incomodada em descobrir qual escolha a Emma faria. Talvez pela curiosidade sobre essa escolha, ou pela escrita, que é muito fluida, devorei o livro.

A história se divide entre passado – quando entendemos a construção do relacionamento da Emma e do Jesse, e presente, quando ela está no relacionamento com o Sam. Os dois relacionamentos foram construídos de uma forma muito crível, e fica fácil entender por que ela se divide. Mesmo que eu tenha minha preferência logo no início, em muitos momentos senti a dor dela ao pensar nesses amores.

Por isso, apesar de ter um bom conjunto de momentos, Amor(es) verdadeiro(s) vai centrar nos sentimentos da protagonista, e na possibilidade de se ter mais de um amor verdadeiro ao longo da vida. Que seja infinito enquanto dure, como já dizia o poeta…, mas é possível trazer essa leveza para a vida real?

“Nunca deixe ninguém dizer que a parte mais romântica de uma história de amor é o começo. A parte mais romântica é quando nós sabemos que a história precisa acabar.”

Emma

As perguntas que a Emma faz são muito pertinentes. As decisões que uma mulher de 20 anos toma sempre serão diferentes aos 30. Ela viveu um amor arrebatador, e o acidente a deixou muito mal. Acompanhar o luto dela deixa muito claro que o amor de Jesse era importante. E a decisão sobre continuar a viver parece bem lúcida. Se passaram mais de três anos, e ela decide se reerguer.

Entretanto, é interessante destacar que os dois amores nunca foram sobrepostos. Enquanto esteve com Jesse, Sam nunca existiu. Quando ela reencontra Sam, decide que é o momento de pôr fim ao luto. E ela muda ao longo do tempo, primeiro ao lado de Jesse, depois ao lado de Sam.

Amor(es) verdadeiro(s) também vai abordar outros amores… o amor paternal, que refutamos enquanto jovens, mas que é uma base sólida onde se apoiar; o amor fraternal, mesmo que as brigas com os irmãos sejam homéricas quando mais novos, amadurecemos e reencontramos nos irmãos o nosso lar; o amor de amigos que, mesmo de longe, estarão lá por nós, se precisarmos!

Enfim, foi uma história linda e dolorosa de se ler. Traz luz sobre amor próprio, e sobre como esse amor pode determinar as escolhas que fazemos. Sobre cair e se reerguer, porque a vida sempre vai trazer um arco-íris após uma chuva – mesmo que essa chuva pareça que nunca vai passar.
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Título:  Amor(es) Verdadeiro(s)
Autor: Taylor Jenkins Reid
Ano: 2020
Páginas: 288
Editora: Paralela
Gênero: Romance
Onde comprar: AMAZON 

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1 Comentário

  • Angela Cunha
    outubro 19, 2020

    Mesmo só conhecendo Daisy Jones da autora, posso afirmar de coração, que me considero fã de suas letras e esse mais recente lançamento, está entre os meus mais desejados!
    Ela ganhou o coração dos leitores, por trazer enredos simples, mas carregados de tantos sentimentos!!!!
    Lerei!!!
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na Flor