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A VIDA MENTIROSA DOS ADULTOS – ELENA FERRANTE | RESENHA

18 junho, 2020 por

A vida mentirosa dos adultos

A vida mentirosa dos adultos é o 21º livro do Clube Intrínsecos, que deve chegar as prateleiras em setembro. De autoria de Elena Ferrante, o livro vem para acalmar os corações dos fãs da Tetralogia Napolitana, que se encerrou em 2017.  Antes de mais nada, ressalto que esse é meu primeiro contato com a autora, e por isso fui buscar informações para entender toda a celeuma em volta da publicação desse livro.

Elena Ferrante é o pseudônimo de uma autora que prefere se manter reclusa, longe dos holofotes, sendo conhecida apenas por seu editor italiano, e que se comunica com o mundo através de e-mails. Segundo ela, o anonimato seria para que as suas estórias fossem maiores, ou mais importantes que a pessoa que escreveu.

Claro que esse mistério levou muitos a procurarem sua verdadeira identidade e, através de investigação em movimentações bancárias, um repórter chegou até Anita Raja, e seu marido Domenico Startone – um ou ambos poderiam ser Elena. Independentemente de sua identidade, o que ficou de suas obras anteriores foi o encanto sobre as pessoas e a história de Nápoles.

Em A vida mentirosa dos adultos vamos acompanhar a vida de Giovanna, dos 12 aos 16 anos – ou seja, aquela fase complicada da adolescência e da busca de sua identidade. Giovanna tem uma vida típica de classe média: mora com os pais – professores, em um apartamento bem decorado, estuda em uma boa escola, é amiga das filhas do casal de amigos dos pais.

Mas, quando começa a ter dificuldades de concentração, acaba ouvindo acidentalmente uma conversa entre seu pai e sua mãe na qual ele diz que a filha não está com dificuldades por conta da adolescência, mas porque está ficando parecida com Vittoria.

Andrea, pai de Giovanna, vem de uma família de poucas posses, com raízes em um bairro industrial no sul de Nápoles, mas que se valeu de muito estudo para ascender socialmente. Para ele, os estudos vêm sempre em primeiro lugar.

Por conta dessa diferença, ele acaba rompendo os laços com sua família, principalmente com a irmã, que sempre foi referência para fracasso. E, quando o pai compara Giovanna a Vittoria, a menina fica muito transtornada. E chega à conclusão de que precisa conhecer a tia para encontrar essa semelhança.

“Foi assim que, aos doze anos, soube pela voz do meu pai, sufocada pelo esforço de mantê-la baixa, que eu estava ficando igual à sua irmã, uma mulher na qual – eu o ouvira dizer desde sempre – feiura e maldade coincidiam perfeitamente.”

Primeiro, vai em busca das fotografias da família, ansiando encontrar a tia. Mas as poucas fotos de seu pai anteriores ao casamento têm uma rasura no rosto da tia – em todas as fotos. Quando a mãe percebe a angústia da filha, acaba conversando com o marido, e uma visita à tia é marcada. Esse é o estopim para o enredo.

A jornada de Giovanna, que passa pela separação dos pais, leva a menina a novas possibilidades e novos cenários, onde faz amizades, explora sua sexualidade que já era aflorada antes do episódio com os pais, e até mesmo a leva a seu primeiro amor. Suas descobertas acabam com a inocência da criança, quando é instada por sua tia a observar seus pais e descobrir que eles não são tão perfeitos assim. Claro que suas descobertas a levam a um mundo de mentiras, que muitas vezes são justificadas dentro da visão dos adultos.

É um livro com uma leitura em alguns pontos arrastada. Seus parágrafos acumulam ações e diálogos longos, que deixou a leitura menos fluida para mim. Também têm passagens alongadas demais – claro, a meu ver. Muitos personagens vão surgindo, e alguns deles têm estórias que pouco acrescentam a trama.

“Mentiras, mentiras, os adultos as proíbem, porém dizem tantas.”

Não posso dizer que tenha ficado encantada pela estória. Entendo que a autora trouxe as dores de se tornar mulher, e a busca de Giovanna a leva a uma espiral de autodestruição que com certeza muitas adolescentes vivenciaram – a rebeldia na escola, a mudança das roupas cor de rosa para o preto, o excesso de maquiagem para esconder sua ‘feiúra’.

Mas Giovanna me pareceu antes de tudo uma menina mimada. Sei também que adolescentes creem ser o centro do universo, mas ela exagera em alguns momentos. Até mesmo sua fixação romântica no rapaz, noivo de sua amiga, parece apenas birra. E ela é uma menina muito inteligente, dotada de uma sensibilidade muito peculiar. Mas, cercada de pessoas tóxicas – nenhum dos outros personagens dos livros estão livres de maldade. São mentirosos, invejosos, achei até encontrar uma insinuação de pedofilia.

“O amor é opaco como os vidros das janelas dos banheiros.”

E tem um final aberto. Na verdade, nem considero um final aberto, simplesmente acaba. Especula-se que, da mesma forma que na tetralogia napolitana, teremos continuação, já que é narrada uma fase específica da vida de Giovanna.  Finalmente, para deixar os fãs mais afoitos por essa leitura, a Netflix italiana anunciou que A vida mentirosa dos adultos vai virar série! Leia e tire suas próprias conclusões…

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Deixe seu comentário

2 Comentários

  • Raquel Moreira
    julho 08, 2020

    Quando se tratar de tradução, por favor, não deixe de mencionar o nome do tradutor.

    • Maisa Gonçalves
      Maisa Gonçalves
      julho 23, 2020

      Raquel, agradeço a sugestão.