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A Rainha do Nada – Holly Black | RESENHA

17 fevereiro, 2021 por

“A Rainha do Nada” é o último livro da trilogia “O Povo do Ar” da autora Holly Black, publicado no Brasil pela Galera Record.

Por se tratar do terceiro livro, pode conter spoilers dos livros anteriores.

A Rainha do nada se inicia após algum tempo dos acontecimentos do livro anterior, com Jude exilada em terras mortais. Ela é a Rainha de Elfhame, mas acabou caindo na armadilha de Cardan, e agora tenta viver sentindo que foi enganada em um jogo que ela mesma criou. Como precisa sentir a conexão com o mundo feérico, ela se tornou uma caçadora de recompensas, buscando por criaturas mágicas e perigosas no mundo mortal.

“Você veio do nada e para o nada vai retornar.”

Trilogia O Povo do Ar

Leia a resenha do primeiro volume da Triologia O Povo do Ar: “O Príncipe Cruel”

Mas a possibilidade de retornar para o reino de Elfhame, sem que ninguém saiba, surge em sua porta, através da irmã que a traiu – Taryn se envolveu em uma situação bem complicada, e terá de depor para a corte. Para não revelar seus segredos, pede a irmã que vá em seu lugar – afinal, o geas que Jude recebeu do Príncipe Dain a torna imune à magia feérica. Jude aprendeu a não confiar em Taryn, mas a vontade de olhar nos olhos de Cardan é maior que tudo, e ela retorna à Elfhame – não como sua rainha, mas como uma mortal que deverá enfrentar a corte.

“Odeio o quanto a ideia de voltar a Elfhame me empolga, o quanto quero outra mordida de maça-eterna, outra chance de ter poder, outra chance com ele.”

Claro que tudo sai do controle, e Jude terá de enfrentar mais do que apenas a corte e Cardan. Uma guerra se aproxima, e ela deverá buscar as respostas para o conflito e para seu coração. Poderá uma humana ser uma verdadeira rainha? Cardan, um rei cruel e perverso, estará pronto para seguir em frente?

“Vivemos escondidos atrás de armaduras por tanto tempo, você e eu. E, agora, não tenho certeza de que sabemos tirá-las.”

Leia a resenha do segundo volume da Triologia O Povo do Ar: “O Rei Perverso”

Confesso que estava muito ansiosa por esse encerramento, justamente pelo plot do livro anterior – Cardan exilou Jude, depois de tudo que passaram! Sendo assim, assim que a editora anunciou a publicação, corri para garantir o meu. E como foi bom!

A Rainha do Nada também é o ápice do crescimento da trama. O Príncipe Cruel trata da briga juvenil entre o príncipe feérico e uma mortal, cresce para um rei perverso e nas mãos dessa mortal, e culmina em uma rainha dona da *** toda e um rei … ah, isso não posso contar! Fato é que fui arrebatada.

Jude segue sobrevivendo a traições, e aprendendo a separar suas lealdades. Ela aprendeu muito com seu exílio – e ainda encontra uma personagem que poderá fazer diferença na guerra. As interações dela com Madoc, o pai postiço, são muito intensas. Madoc matou o pai humano, mas criou as meninas como se fossem suas, e tornou Jude tão afiada quanto seria se fosse feérica. Justamente por isso, o embate entre os dois é tão profundo.

A traição de Cardan também a marcou, mas a motivação dele fica clara logo no início. Entretanto, a tensão entre os dois ainda demora a se resolver. E quando esses dois estão na mesma cena, faíscas saem! É um casal que deixou sua marca em estórias de fantasia! Do ódio ao amor, Jude e Cardan são perfeitos em sua imperfeição. São feitos de proporções iguais de caos e resiliência, de afeto e de carência, de sagacidade e ponderação. Ah, quero muito mais deles…

“É você que eu amo – admite ele – Passei a maior parte da vida protegendo meu coração. Protegi tão bem que me comportava como se não tivesse um. Mesmo agora, é uma coisa mequetrefe, comida de traças e escabrosa. Mas é seu.”

Holly Black

Leia a resenha de “O Canto Mais Escuro da Floresta”, também da autora Holly Black!

É interessante que o amor ao Cardan vem aos poucos, mas quando ele se despe completamente de suas amarras é que percebemos que ele e Jude são mesmo para sempre. A forma como ele enfrenta sua maldição é catártica! Enfim, amor todinho para ele… e para ela também.

“Estou dando esse aviso porque não importa. Você já está condenada, Rainha de Elfhame. Você já o ama.”

A Rainha do Nada traz uma transformação da Taryn, Da menina fútil, ela acabou se tornando um ponto importante na trama, crescendo muito mais que Vivi, que continuava interessada apenas em sua namorada mortal. Oak e as três sombras espiãs também tiveram seus momentos, e foram uma base importante para Jude.

Muitos pontos foram sendo espalhados nos livros anteriores, e a forma como a autora resolveu todos eles me supriram. Há menção a personagens oriundos de outros livros da autora, mas elas são breves e são apenas para trazer um gosto das outras estórias, não sendo obrigatório ler antes de entrar nessa trilogia. Mas é gostoso reencontrar esses personagens, e a editora já anunciou que publicará uma dessas trilogias em breve.

“Avisei que, se não pudesse ser melhor que meus inimigos, me tornaria pior. Bem pior.”

Trilogia A Rainha do Nada

Confira a resenha de “A Casa de Terra e Sangue”, da autora Sarah J. Maas!

A Rainha do Nada caminha na mesma linda de seus antecessores, com momentos tensos, outros muito tensos, e doses homeopáticas de puro amor – sim, queria mais, mas achei que foi bem dosado, tendo o foco maior nas relações familiares e em toda a trama política do reino de Elfhame. E veio com uma capa belíssima, com elementos importantes para a trama que são spoilers, mas só fazem sentido quando lemos a estória. A edição de pré-venda ainda veio com as cartas que Cardan escreve para Jude e, mesmo não sendo importantes para a trama, são uma diversão a parte.

Então é isso, com tristeza – por finalizar, e feliz por concluir, venho recomendar uma fantasia com feéricos, rápida de ler, com um mundo bem construído e diverso, e com uma personagem forte, destemida, que se encantou por um príncipe quebrado, mas disposto a amar!

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A rainha do nada mini

Título:  A Rainha do Nada
Autor:  Holly Black
Tradução: Regiane Winarski
Ano: 2020
Páginas: 294
Editora:  Galera Record
Gênero:  Fantasia

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