A adolescência é um período de muito aprendizagem e o filme que assisti dessa vez, A química que há entre nós, mostra exatamente o que é crescer. Esse drama adolescente está disponível no Prime Video (Amazon) desde 21 de agosto e é uma adaptação do livro homônimo escrito por Krystal Sutherland.

Henry Page (Austin Abrams) é um típico adolescente de 17 anos que quer ser escritor, mas não sabe muito sobre o que escrever, até que então,tem a idea de usar o cargo de editor do jornal da escola para buscar inspiração. Na “entrevista” com o professor que cuida do departamento de jornalismo, vaga que ele almeja, conhece Grace Town (Lili Reinhart).

Grace está passando por um período sombrio, mudou de escola e está tentando recomeçar depois da morte de seu namorado em um acidente que a deixou com seqüelas físicas. Henry, com toda sua inocência do primeiro amor, tenta “consertar” os problemas de Grace, assim como ele faz com suas cerâmicas (Kintsukuroi – a arte de consertar cerâmicas quebradas com ouro e laca). Por um breve momento, o vazio interior dos protagonistas é preenchido, mas há algo que ainda precisa ser consertado, e só a presença um do outro, não basta.

A QUÍMICA QUE HÁ ENTRE NÓS

A irmã de Henry, Mabel (J.J. Pyle) tem um papel fundamental na “química” que tanto é falada no filme, futura neurocirugiã que acabou de passar por um processo de separação, explica de forma cômica como o amor e todas as suas interações atuam em nosso organismo.

A direção e o roteiro de Richard Tanne (You Never Left) conseguiu no primeiro bloco do filme alternar bem a passagem entre os problemas escolares, a discussão para o jornal, a aproximação entre Henry e Grace e algumas adversidades comuns na adolescência, mas a medida que o filme desenrola, a interação entre esses espaços fica bem confusa, surgem cenas fora do tempo ou um recurso de transição que estraga toda a cena anterior, não tendo um bom seguimento.

Minha opinião sobre A química que há entre nós é que trata-se de mais um clichê adolescente de como duas pessoas aparentemente distintas podem se apaixonar ao serem obrigadas a passarem por um período de convivência, mas temos a ressalva de uma história interessante, repleta de ensinamentos,com um tratamento mais maduro para esse tipo de temática, além de menor foco no lado romântico e maior nos problemas centrais vividos pelos personagens.

A QUÍMICA QUE HÁ ENTRE NÓS

Extra! Para quem viu o filme, sabe que o Soneto de amor XVII – Pablo Neruda, aparece de forma bem importante no filme, cheio de significados. Se você ficou curioso como eu por ele, chegou a hora de matar essa curiosidade.

Soneto XVII

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda NERUDA, P. Cem Sonetos de Amor. Porto Alegre: L&PM, 2006.

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A química que há entre nósA química que há entre nós
Título original: Chemical Hearts
Duração: 93 minutos
Ano: 2020
Direção: Richard Tanne
Gênero: Drama adolescente
País de origem: Estados Unidos
Disponível: Prime Vídeo
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