A Possessão de Mary (Mary, 2019) é uma história com a pretensão de assustar. Logo no primeiro momento, temos a apresentação de um trecho de um poema (eu acho) que fala a respeito de uma mulher que foi considerada bruxa. Segundo esse texto, ela foi levada ao mar e afogada por lá. E é isso. Essa é nossa única chance de entender o que seria A Possessão de Mary. Porque não nos entregam muitas informações mais ao decorrer do filme.

A família Greers, composta por Sarah (Emily Mortimer) e David (Gary Oldman), residem na Flórida. Eles têm duas filhas: a adolescente Lindsey (Stefanie Scott) e a filha caçula, ainda criança, chamada Mary (Chloe Perrin). Gary Oldman (vencedor do Oscar de melhor ator em 2018 por O Destino de uma Nação) poderia nos dar a esperança de que esse fosse um filme sério. Ora essa, olha o peso desse nome… Porém, nem mesmo Oldman fez muita força para o sucesso dessa produção. Acredito que não seria um trabalho fácil, mas enfim, né?

David é capitão no barco de outras pessoas. E bem no comecinho de A Possessão de Mary a gente o acompanha chegando a um local onde estariam fazendo um leilão de barcos para a pesca. Ele automaticamente chega ao local e é atraído por Mary, uma embarcação um pouco judiada, mas única (segundo o próprio). Existe um busto, como de sereia, bem à frente do barco. Isso me fez lembrar as embarcações vikings com seus dragões, lobos, demônios, etc e tal. Esse tipo de adereço definitivamente dá um bom tanto de personalidade ao veleiro.

Então essa hipnose momentânea de David, o levou a compra de um veleiro que eles não poderão pagar. Sua esposa, Sarah, não ficou contente com essa decisão impulsiva do marido. Mas, com alguma conversa e poucas explicações, ele acaba por convencê-la e eles assinam os papéis. Eles também fazem uma maratona familiar a fim de recuperar o detonado Mary. A ideia principal é tornar o veleiro Mary em um negócio de barcos fretados. Para David, esse é uma nova maré de sorte. Para o casal, o barco simboliza um “novo começo”. E entendemos super pouco desse problema conjugal.

Assim sobem a bordo os Greers, bem como o companheiro e uma espécie de sócio de David, Mike (Manuel Garcia-Rulfo). O namorado de Lindsey, Tommy (Owen Teague), que é um garoto tatuado e que David acolheu há algum tempo, ele também vai junto. Eles saem da Flórida em direção às águas do Triângulo das Bermudas – não podia ser outro lugar?? Contudo, sabemos que problemas virão, afinal… Não há como ser um filme de terror ou suspense, se coisas estranhas não acontecem.

 

Sarah Greer, em uma sala de interrogatório na sede da Guarda Costeira em Jacksonville, narra todos os acontecimentos. Anteriormente, ou seja, quando eles estão em alto mar, nós percebemos que estamos acompanhando um passado bem recente. Ela buscando explicar os acontecimentos soturnos em uma sala com câmeras e espelhos falsos é uma parte chata. Tudo é muito clichê e arrastado. A gente só consegue esperar para que pule mais uma vez para o alto mar. E só porque temos que entender o que aconteceu com sua família. Afinal de contas, de toda tripulação, só vemos ela novamente.

“O mal precisa de um corpo para existir. O corpo era aquele barco.”

Por experiências com livros e/ou filmes, já temos aquela noção de que marinheiros são pessoas muito supersticiosas. Eles respeitam o barco, e eles respeitam, sobretudo, o mar. Se estão com pressentimentos ruins, eles dão ‘ouvidos’ a esses sentimentos ruins. David é um cara experiente. Ele trabalha no mar. E em A Possessão de Mary, ele simplesmente ignora todos os sinais. No fim das contas, percebemos que A Maldição de Mary é aquele tipo de filme em que ninguém se comporta de forma coerente. Todos ignoram todo e qualquer que sejam os sinais.

Acho que o maior terror e temos que senti em A Maldição de Mary, foi aquela sensação de estar cercado por centenas de quilômetros de oceano. Você não tem para onde correr. Você não tem o que fazer! Literalmente você está aprisionado. E com sua família. E com um mal quase que palpável.

O diretor Goi tem anos de experiência como diretor de fotografia. As imagens do veleiro em alto mar, e os cômodos apertados dentro do barco com as personagens correndo e gritando por ali, é algo muito interessante e que poderiam ter sido mais bem aproveitadas. Muito claustrofóbico. E igualmente desesperador. O cineasta que dirige o filme é veterano. Ele, por exemplo, tem experiência em séries como O Mundo Sombrio de Sabrina, American Horror Story, Riverdale, e por aí vai.

Ok! Então, com o decorrer da história que Sarah conta, conseguimos “entender” que existe um espírito de bruxa do mar por trás de todo desastre. Os vislumbres da “entidade” é algo muito ruim. Não sei nem como definir… É meio que simplório demais, mal feito demais – bobo demais.

E claro, como não poderia deixar de ser, temos os famosos jump scare básicos. Já que não nos assustamos mesmo com a história da bruxa que retorna… É preciso ter alguns momentos pontuais, com aqueles sustos banais, que chegam e passam. Tudo isso na velocidade de um raio. Nem um vencedor de um Oscar conseguiu dar vida a um filme tão simples – e a culpa não é dele! E tenha separado um tempo para ouvir muitas portas rangendo, pegadas molhadas sem explicação e trincos se mexendo sozinho.

Afinal, lembro-vos que esse filme não é recomendado para menores de 14 anos – e que bom para essas pessoas.

E uma curiosidade: aparentemente, Oldman substituiu Nicolas Cage na produção. Não sabemos se procede, e qual o motivo. Entretanto, se Cage abandonou esse roteiro, por quê Oldman?

 

“‘Mary’ pode acontecer no oceano, mas a história viaja em águas muito rasas.” (em tradução livre) ~ Sheila O’Malley

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Data de lançamento: 23 de janeiro de 2020 (Brasil)
Duração: 1h 24min
Gênero: Mistério, Suspense, Terror
Elenco: Gary Oldman, Emily Mortimer, Owen Teague
Direção: Michael Goi
Distribuidora: Paris Filmes
Roteiro: Anthony Jaswinski