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A POSSESSÃO DE MARY | CRÍTICA

23 janeiro, 2020 por


A Possessão de Mary (Mary, 2019) é uma história com a pretensão de assustar. Logo no primeiro momento, temos a apresentação de um trecho de um poema (eu acho) que fala a respeito de uma mulher que foi considerada bruxa. Segundo esse texto, ela foi levada ao mar e afogada por lá. E é isso. Essa é nossa única chance de entender o que seria A Possessão de Mary. Porque não nos entregam muitas informações mais ao decorrer do filme.

A família Greers, composta por Sarah (Emily Mortimer) e David (Gary Oldman), residem na Flórida. Eles têm duas filhas: a adolescente Lindsey (Stefanie Scott) e a filha caçula, ainda criança, chamada Mary (Chloe Perrin). Gary Oldman (vencedor do Oscar de melhor ator em 2018 por O Destino de uma Nação) poderia nos dar a esperança de que esse fosse um filme sério. Ora essa, olha o peso desse nome… Porém, nem mesmo Oldman fez muita força para o sucesso dessa produção. Acredito que não seria um trabalho fácil, mas enfim, né?

David é capitão no barco de outras pessoas. E bem no comecinho de A Possessão de Mary a gente o acompanha chegando a um local onde estariam fazendo um leilão de barcos para a pesca. Ele automaticamente chega ao local e é atraído por Mary, uma embarcação um pouco judiada, mas única (segundo o próprio). Existe um busto, como de sereia, bem à frente do barco. Isso me fez lembrar as embarcações vikings com seus dragões, lobos, demônios, etc e tal. Esse tipo de adereço definitivamente dá um bom tanto de personalidade ao veleiro.

Então essa hipnose momentânea de David, o levou a compra de um veleiro que eles não poderão pagar. Sua esposa, Sarah, não ficou contente com essa decisão impulsiva do marido. Mas, com alguma conversa e poucas explicações, ele acaba por convencê-la e eles assinam os papéis. Eles também fazem uma maratona familiar a fim de recuperar o detonado Mary. A ideia principal é tornar o veleiro Mary em um negócio de barcos fretados. Para David, esse é uma nova maré de sorte. Para o casal, o barco simboliza um “novo começo”. E entendemos super pouco desse problema conjugal.

Assim sobem a bordo os Greers, bem como o companheiro e uma espécie de sócio de David, Mike (Manuel Garcia-Rulfo). O namorado de Lindsey, Tommy (Owen Teague), que é um garoto tatuado e que David acolheu há algum tempo, ele também vai junto. Eles saem da Flórida em direção às águas do Triângulo das Bermudas – não podia ser outro lugar?? Contudo, sabemos que problemas virão, afinal… Não há como ser um filme de terror ou suspense, se coisas estranhas não acontecem.

 

Sarah Greer, em uma sala de interrogatório na sede da Guarda Costeira em Jacksonville, narra todos os acontecimentos. Anteriormente, ou seja, quando eles estão em alto mar, nós percebemos que estamos acompanhando um passado bem recente. Ela buscando explicar os acontecimentos soturnos em uma sala com câmeras e espelhos falsos é uma parte chata. Tudo é muito clichê e arrastado. A gente só consegue esperar para que pule mais uma vez para o alto mar. E só porque temos que entender o que aconteceu com sua família. Afinal de contas, de toda tripulação, só vemos ela novamente.

“O mal precisa de um corpo para existir. O corpo era aquele barco.”

Por experiências com livros e/ou filmes, já temos aquela noção de que marinheiros são pessoas muito supersticiosas. Eles respeitam o barco, e eles respeitam, sobretudo, o mar. Se estão com pressentimentos ruins, eles dão ‘ouvidos’ a esses sentimentos ruins. David é um cara experiente. Ele trabalha no mar. E em A Possessão de Mary, ele simplesmente ignora todos os sinais. No fim das contas, percebemos que A Maldição de Mary é aquele tipo de filme em que ninguém se comporta de forma coerente. Todos ignoram todo e qualquer que sejam os sinais.

Acho que o maior terror e temos que senti em A Maldição de Mary, foi aquela sensação de estar cercado por centenas de quilômetros de oceano. Você não tem para onde correr. Você não tem o que fazer! Literalmente você está aprisionado. E com sua família. E com um mal quase que palpável.

O diretor Goi tem anos de experiência como diretor de fotografia. As imagens do veleiro em alto mar, e os cômodos apertados dentro do barco com as personagens correndo e gritando por ali, é algo muito interessante e que poderiam ter sido mais bem aproveitadas. Muito claustrofóbico. E igualmente desesperador. O cineasta que dirige o filme é veterano. Ele, por exemplo, tem experiência em séries como O Mundo Sombrio de Sabrina, American Horror Story, Riverdale, e por aí vai.

Ok! Então, com o decorrer da história que Sarah conta, conseguimos “entender” que existe um espírito de bruxa do mar por trás de todo desastre. Os vislumbres da “entidade” é algo muito ruim. Não sei nem como definir… É meio que simplório demais, mal feito demais – bobo demais.

E claro, como não poderia deixar de ser, temos os famosos jump scare básicos. Já que não nos assustamos mesmo com a história da bruxa que retorna… É preciso ter alguns momentos pontuais, com aqueles sustos banais, que chegam e passam. Tudo isso na velocidade de um raio. Nem um vencedor de um Oscar conseguiu dar vida a um filme tão simples – e a culpa não é dele! E tenha separado um tempo para ouvir muitas portas rangendo, pegadas molhadas sem explicação e trincos se mexendo sozinho.

Afinal, lembro-vos que esse filme não é recomendado para menores de 14 anos – e que bom para essas pessoas.

E uma curiosidade: aparentemente, Oldman substituiu Nicolas Cage na produção. Não sabemos se procede, e qual o motivo. Entretanto, se Cage abandonou esse roteiro, por quê Oldman?

 

“‘Mary’ pode acontecer no oceano, mas a história viaja em águas muito rasas.” (em tradução livre) ~ Sheila O’Malley

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Data de lançamento: 23 de janeiro de 2020 (Brasil)
Duração: 1h 24min
Gênero: Mistério, Suspense, Terror
Elenco: Gary Oldman, Emily Mortimer, Owen Teague
Direção: Michael Goi
Distribuidora: Paris Filmes
Roteiro: Anthony Jaswinski

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14 Comentários

  • Karina Rodrigues
    Karina Rodrigues
    abril 06, 2020

    Miga, que grande confusão. Olha, eu adoro filmes e livros do gênero, mas detesto qndo duvidam da minha capacidade e colocam qualquer justificativa pobre pra desenvolver as situações. Então já estou bem desanimada pra assistir esse filme. Uma pena, pq tem Oldman e produtor de Sabrina…

  • Carol do ceu fiquei super angustiada aqui com seu texto. esse filme com certeza ia tirar meu sono.
    Voce é muito corajosa mesmoooo

  • Valéria
    abril 06, 2020

    Poxa, fiquei ate triste pq vi o nome de Oldman, amorzinho da minha vida, e ja me empolguei. Mas pelo jeito, é uma barca furada kkkkk

    De qualqier forma, eu veria. So que sem colocar muita expectativa, mais pela curiosidade de saber como a trama se desenrola…

    Küss

  • Erika Monteiro
    abril 06, 2020

    Oi Carol, tudo bem? Já fui assistir o trailer para sentir o que posso esperar do filme. Primeiro gosto muito desse autor, ele tem o poder de dar vida a diversos personagens. Quando assisto o Oscar e vejo a caracterização fico impressionada. Gosto também da atriz que faz a esposa dele. Lembro dela de Nothing Hill (assisti essa semana). Ficar no meio do oceano causa mesmo um pânico ainda mais quando não sabemos nadar (que é o meu caso). O fato de alguém sendo interrogado como se estivesse “voltando ao passado” me lembra as séries europeias. Várias delas são nesse formato. Aumenta ainda mais nossa curiosidade para saber o que houve realmente. Um abraço, Érika =^.^=

  • Lorenna
    abril 06, 2020

    Até que fiquei interessada em assistir, eu gosto de histórias que intercalam o presente sendo narrado com os acontecimentos passados, fiquei curiosa para saber tudo que acontece, mas assim como vc mesma disse não gosto quando não nós fornecem a origem de tal coisa, não gosto de ter que imaginar gosto que a história me conte,

  • Ana Claudia
    abril 05, 2020

    Nossa, eu não conhecia essa produção dos cinemas! Adoro o trabalho de Nicolas Cage, mas também sou fã de Gary Oldman. Acho que arrasa em tudo que se propõe a fazer! Um super terror, envolto a suspense que me chamou a atenção, de verdade! Gosto muito de histórias que envolvam bruxas, sereias, mitologias… A indicação de vocês realmente me acolheu! Bjs

  • Maisa
    abril 05, 2020

    Não sou fã desse gênero, mas parece que o filme não te convenceu. E filmes de suspense/terror têm de convencer, porquê o espectador precisa acreditar no que vê na tela, do contrário não se envolve. E você apontou muito lucidamente uma série de furos, que me deixaram tranquila por não querer assistir esse filme!

  • Liv
    abril 05, 2020

    Nossa, quando eu vi que o Gary Oldman estava no elenco até me animei, pois sou fã do ator e gosto de filmes de terror. Mas poxa, sua resenha só foi me desanimando para assistir! Uma pena ter sido assim!
    Abraços
    Liv

  • Debora Sapphire
    abril 05, 2020

    Nunca assisti a Possessão de Mary, porém gostei bastante de ler as suas considerações sobre o filme aqui. Achei que você soube destacar de maneira excelente todos os pontos importantes do filme. Mesmo ao longo do filme muito não sendo revelado a respeito de o que é a Possessão de Mary. Enfim, sem dúvidas, isso presente no filme me faria lembrar também as embarcações vikings com seus dragões, lobos e demônios, porque é algo que me fascina em outros filmes ou cenários. Apesar de não assistir filmes de terror, adoro ler sobre! Gostei que esse se classifica como mistério e suspense também. Ótimo!

  • Cibele
    abril 05, 2020

    Nunca tinha ouvido falar desse filme. Não sou muito fã do gênero, mas sempre me arrisco a olhar quando estou acompanhada de amigos. rsrs Sozinha não tenho coragem
    Acho interessante esses pressentimentos que os navegadores acreditam e seguem..
    Uma pena que em alguns aspectos esse filme parece deixar a desejar.
    Mas quem sabe eu ainda olhe para tirar minhas próprias conclusões.
    Beijos,
    Subsolo da mente

  • Poxa, tinha tudo para ser um filme espetacular, mas acho que até eu, a super medrosa para filmes de terror, não me assustaria com uma fantasma simplória como a dessa produção. Uma pena… =/
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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  • Lilian de Souza Farias
    abril 05, 2020

    Nunca tinha visto esse filme, acho que não é legal para mim nesse momento de isolamento, visto que sou facilmente impressionável. Particularmente, como é um estilo que pouco me aventuro, não achei clihê ou coisa do tipo, mas tipo, não sinto tanta vontade de me aventurar.

  • Denise Lima
    abril 02, 2020

    Não ser coerente parece um clichê em produções de terror, né? Eu dei uma pausa nesse estilo. Acho que fiquei saturada. Mas é interessante porque vejo uma procura maior agora e acho que temos uma renovação do terror atualmente. Os thrillers estão aí para provar isso. Ainda não tinha visto esse mas vou procurar pq fiquei curiosa. ♡

  • Yasmine Evaristo
    março 31, 2020

    Acabo de ler sua resenha e a vontade que eu NÃO tinha de assistir esse fme aumentou, hahhahha. Brincadeiras a parte, filmes de ação precisam ser bem estruturados para conseguirem provocar efeito de medo e suspense no espectador. Pelo visto, não foi o caso desse. Uma pena.