A Pequena Sereia, Musical

A frase “Antes tarde do que nunca” não tinha feito tanto sentido pra mim quanto agora, pois hoje estou aqui para falar sobre uma experiência maravilhosa que vivi no mês de MAIO! Isso mesmo, o musical “A Pequena Sereia” que está em cartaz no Teatro Santander em São Paulo, e tem suas duas últimas apresentações HOJE!  Seria impossível não falar sobre essa linda versão que conferi, com traços bem brasileiros, divertidos, coloridos e um super elenco escolhido a dedo.

A história de A Pequena Sereia vocês já conhecem: Ariel é a sereia mais nova de 7 irmãs, filha do poderoso rei dos mares Tritão. Cercada de cuidados e da preferência do pai superprotetor, a jovem não se sente satisfeita onde está, possui uma vontade imensa de correr atrás de seus sonhos e de sua felicidade. Curiosa por natureza, encontrou fascínio pelas “coisas dos humanos” e nelas encontrou seu lugar, até o dia que seu destino cruzou com o do jovem príncipe humano Eric e ali encontrou também o amor. Inconseqüente ela busca então uma forma, qualquer uma, de viver onde sempre sonhou, recorrendo até mesmo a sua malvada tia Úrsula que há anos procura uma forma de se vingar do Rei Tritão por tê-la jogado no submundo do mar.

A Pequena Sereia

Se por um lado a história é bastante conhecida por sua animação, a adaptação brasileira vem inovar e encher os olhos com coreografias, cenários, figurinos e diversas referências que nos remetem todo o tempo ao nosso país. As cores quentes do fundo do mar, os ritmos, os peixes citados na letra e até mesmo o famoso “bela, recatada e do lar” nos fazem ter a certeza que esse realmente é o NOSSO MAR. E tudo feito com uma sensibilidade extrema, atores valorizando movimentos corporais por estarem no fundo do mar, um conjunto lindo! Existem cenas com utilização de cabos sim (lindíssimas por sinal), mas na maior parte do tempo a magia é responsabilidade da talentosa equipe que está ali na sua frente.

Agora vamos ao meu destaque da noite, a DIVA… Úrsula!!! Sim, a maravilhosa dos Sete Mares interpretada pela Andrezza Massei. Não é a primeira vez que Andrezza rouba a cena e se destaca de forma tão positiva, eu já falei dela antes em Les Misérables (confira AQUI). Aliás, Andrezza, pare de me fazer gostar tanto de vilãs! A personagem foi originalmente inspirada na Drag Queen Divine e o musical soube respeitar suas origens com uma caracterização de tirar o chapéu. O resultado então é uma lindíssima Úrsula, irônica, malvada, sarcástica e com uma voz absurda! Seus “filhos” Limo e Lodo também são fantásticos e elevam, em muito, o nível de seu covil. Como não amar?


Mas não entenda que então não gostei da Ariel, pois será um terrível engano. Até porque, quem interpreta a Ariel é uma das atrizes mais talentosas dessa nova geração e uma das que mais admiro, Fabi Bang (pisou com sapatos brilhantes em Oz, né mores!). Se a Fabi não nasceu pra ser Ariel, eu desconheço quem mais poderia ser. Retratando com perfeição as inseguranças, desafios e imaturidade da personagem, você consegue sentir o drama da menina que queria mais e o seu inevitável crescimento.

Em diversas situações eu já vi muita gente cobrando demais das atitudes da personagem, inclusive a própria Fabi Bang foi questionada mais de uma vez sobre a postura de Ariel, e sinceramente acho que estão cobrando demais de uma adolescente. Quem nunca quis mais do que tinha? Quem nunca fez uma burrada por achar que seria sua única saída? Nisso concordo com a atriz, ao dizer que Ariel representa a busca do sonho. É isso que ela faz, infelizmente ela erra, mas aprende com o que vive e ao final se torna uma pessoa muito melhor, e essa é a mágica desta história.

Por falar em pessoas que nasceram para o papel, olhem para este Eric e me digam se ele não é perfeito! Agora imaginem ele cantando lindamente. Rodrigo Negrini está de parabéns pelo seu trabalho e por ser o príncipe perfeito (mais uma vez). Tiago Abravanel dá um show no papel do conselheiro real rabugento Sebastião, e algo muito interessante a se observar é seu sotaque sendo um “misto” do nordeste (com influências de várias regiões), uma referência direta ao sotaque africano apresentado pelo personagem da Broadway.

Dono de um vozeirão e talento inquestionáveis,ele é também o nome de maior destaque (mais conhecido) da mídia em geral e, tendo a oportunidade de conversar com ele ao final do espetáculo, posso dizer que sua simplicidade e atenção com o público são cativantes. Sem querer me estender mais ainda, preciso enaltecer o trabalho do doce Linguado de Lucas Cândido, as divertidas irmãs de Ariel, o atrapalhado Sabidão e o severo e amoroso Rei Tritão de Conrado Helt. Como eu disse antes, QUE ELENCO em A Pequena Sereia!

A Pequena Sereia
Mais uma vez reforço minha insatisfação por nem todas as regiões terem acesso a experiências tão incríveis, principalmente por falta de apoio e infra-estrutura. Sigo aguardando o dia em que não será necessário que eu entre no trecho RJ/SP para conferir tais produções, pois nem sempre será possível, e a perda é enorme. E pra vocês que não tem contato ou não tiveram interesse por esta esfera cultural, valorizem o teatro, os atores, ampliem seu mundo. Acredito que não vão se arrepender!

 

_________________________________________________________________________________________________________________

Peça: A Pequena Sereia
Local: Teatro Santander – SP
Gênero: Fantasia
Período de Apresentações: 30/03 a 29/07/2018
Instagram oficial do espetáculo: @apequenasereiamusical