A Morte da Sra. Westaway (The Death of Mrs. Westaway), antes de tudo, é o último thriller lançado pela já conhecida autora Ruth Ware. Ela escreveu Em Um Bosque Muito Escuro, é aclamada pelo sucesso de A Mulher na Cabine 10, e também é autora de O Jogo da Mentira. Ware se dedica principalmente a temas como crimes e suspense, e costuma ser chamada de Agatha Christie dos dias atuais. Uma grande honra, e podemos perceber isso quando na capa do livro dizem sobretudo…

“Se você é fã de Agatha Christie, vai adorar o novo livro de Ruth Ware. Sombrio, perturbador e brilhante.”

– Heat Magazine

Em A Morte da Sra. Westaway nos deparamos com um thriller gótico, que aborda principalmente até onde somos capazes de “ir”, quando somos assolados pelo desespero. Das 3 histórias de Ware que li até agora, essa foi a que mais me prendeu. A que mais gostei! Então recomendo, e atribuí 4 estrelas em 5. Vamos desvendar um pouco dessa trama, mas claro… Sem spoilers!

Harriet Westaway é uma jovem que passa por diversas dificuldades financeiras. Perdeu sua mãe aos 18 anos. Ela é conhecida como Hal, e lê cartas de tarô no cais de Brighton para (tentar) pagar suas contas e comer. É bem desesperador acompanhar o drama de Hal, em seu apartamento frio. Lá tem pouca comida e muita economia com o aquecedor. E é lá que ela lê suas correspondências. Em meio a contas e cobranças (até mesmo de gente perigosa), ela recebe uma carta que provavelmente mudará o rumo de toda sua vida.

“Um para tristeza
Dois para alegria
Três para menina
Quatro para menino
Cinco para prata
Seis para ouro
Sete para um segredo
Que jamais será revelado”

 

A MORTE DA SRA. WESTAWAY – RUTH WARE

A princípio descobrimos que Hal foi criada por sua mãe, e não conheceu seu pai. O discurso da mãe a respeito da noite de concepção da jovem não dava margens para Hal descobrir mais nada. E assim, ela se acostumou a não ter parentes vivos. Seus avós haviam morrido há muito. E a correspondência lhe avisando que a Sra. Westaway, sua avó, teria acabado de falecer a pegou de surpresa. Sua avó não se chamava Hester Mary, e mesmo se chamasse, estava morta há muitos anos.

Agora, ela bem poderia deixar toda essa história de lado. No entanto, como fazer isso, uma vez que a carta com o anúncio da passagem de Hester dessa para uma melhor, veio com uma promessa de HERANÇA! Então, essa senhora tinha um patrimônio considerável, segundo o documento recebido. Taí uma palavra que trouxe inúmeros desdobramentos à mente de Hal. A garota quase entrou em surto, contudo, usou suas parcas economias para se dirigir à Trepassen House – a mansão decrépita da família Westaway. Isso que é encarar as coisas com a cara e a coragem… Quem sabe não sobraria uma graninha pra ela?

“Era agora. O momento da verdade. As palavras flutuaram em sua mente sem convite, e ela riu. Verdade? Não. Mentiras. Era o momento das mentiras.”

LIVRO A MORTE DA SRA. WESTAWAY – RUTH WARE

Nesse sentido, tirando o fato de terem o mesmo sobrenome, Hal não faz a mínima ideia de como poderia ser considerada neta de Hester Westaway. Em seguida, durante sua viagem de trem, fez diversas pesquisas na internet para conhecer um pouco sobre seus “parentes”. E assim, descobriu que existiam 3 irmãos vivos, de sua falecida mãe Margarida. Pelo menos, era assim que todos por ali iriam encarar as coisas após o velório. A família se dirige à Trepassen, onde a Sra. Warren cuida da casa com mãos de ferro. E parece não ir com “a cara” de ninguém, principalmente de Hal.

A sombra da Sra. Westaway paira sobre todos. A Sra. Warren literalmmente a adora. Os filhos só têm lembranças estranhas e nada amorosas. Os netos e nora, mal conheciam ela. O relacionamento era zero. E assim, Hal tem poucas informações sobre tudo que está acontecendo. Como foi “encontrada” pelos advogados, e arrolada como herdeira? Sua maior insegurança do momento, é conseguir continuar com a farsa, e pegar uma porçãozinha dessa grana para se livrar dos seus maiores problemas… Esses em Brighton.

“Não sentimos falta do que nunca tivemos.”

A MORTE DA SRA. WESTAWAY – RUTH WARE

O clima da trama de Ware me agradou muito! Me senti instigada a continuar a leitura de forma muito envolvente. Essa é uma característica dos livros da autora. Sempre quero saber logo sobre os mistérios tecidos durante as páginas. Em A Morte da Sra. Westaway não foi diferente. Ruth Ware ia nos “soltando” aos poucos alguns mistérios; entre alguns capítulos, temos cartas escritas de um passado quando Hal sequer tinha nascido. E com uma foto dos Westaway ainda adolescentes, a garota acaba por se ver enrolada nessa grande confusão. Sem ter com quem contar!

Iremos percebendo que o caráter de Hal não é de um alguém aproveitador, sem consciência. Ela está realmente em uma situação onde não tem para onde correr. Até se sentir “acolhida” por uma família mexeu com a garota. E a gente consegue acompanhar todo esse drama, a tristeza, dúvidas, e medo que Hal acaba tendo de lidar. Pelo menos eu consegui me simpatizar muito com essa personagem, e fiquei o tempo todo desejando um bom final para ela – sem imaginar de que forma isso poderia acontecer.

“… não importa o que compartilhamos, o sangue é mais espesso do que a água.”

Algo que achei muito interessante, é a forma que Harriet explica a utilização das cartas do tarô, e como ela faz suas interpretações. Mesmo porque a gente consegue perceber o quanto ela é cética a respeito de umas coisas, e nem tem um estilo de vida que nos leve a crer que aceita o destino traçado pelo baralho. Vemos isso salpicado durante toda a trama. Pois, ela leva o antigo baralho de sua mãe para a empreitada na mansão sombria, velha, e fria dos Westaway.

E a história é essa. Um grande mistério que perpassa essas 3 gerações, e surpreendentemente tudo dentro daquela mansão. Hal dando passos muitas das vezes, hesitantes, entre os muito cômodos de Trepassen House. E entre cartas, leitura de testamento, fotos e lembranças, você sozinho vai conseguindo costurar essa história e criar suas teorias. Por outro lado, incrível mesmo, é a forma como, sempre e sempre, Ruth Ware me passa a perna no final. A Morte da Sra. Westaway foi uma excelente leitura e recomendo aos fãs de thriller.

“Era sempre assim. Os céticos jamais se convenciam, e os que acreditavam não podiam ser convencidos do contrário.”

A MORTE DA SRA. WESTAWAY – RUTH WARE

A edição do livro, que no Brasil sai pela editora Rocco, nos traz uma vista de uma mansão, pelo lado de fora dos portões. O tom azul, e os galhos secos que contornam a capa (frente e verso semelhantemente), nos dá uma sensação muito parecida com o ambiente da história. Em conclusão, a fonte escolhida é muito confortável para leitura. Tanto quanto a gramatura e tipo de papel escolhido para impressão. Logo, apostando no “menos é mais”, a Rocco nos entrega uma diagramação simples e eficaz. Recomendo muito a aquisição dessa obra, para que você possa descobrir em quais os mistérios Hal se envolve ao encontrar essa família! Finalizando, essa é uma obra que você não deve deixar passar.

Por fim, Ruth Ware é uma autora britânica de thriller psicológico. Nasceu em 1977, e trabalhou como garçonete, livreira, professora de inglês (para estrangeiros), e assessora de imprensa. Isso tudo antes de escrever seu primeiro romance: Em Um Bosque Muito Escuro. Vive em Londres com seu marido e seus dois filhos.

 

“Jamais tinha entendido sua solidão até vislumbrar a alternativa.”

___________________________________________________________________________________________________________

 

 

Titulo: A Morte da Sra. Westaway
Autora: Ruth Ware
Ano: 2021
Páginas: 320
Editora: Rocco
Gênero: Ficção, Literatura Estrangeira, Suspense e Mistério
Adicione a sua lista do SKOOB
Onde comprar: AMAZON