Você já começou a ler um livro tendo certa impressão e viu tudo o que pensava mudar completamente ao longo da história? Foi exatamente o que aconteceu comigo quando li A menina que não sabia ler. Eu achei a capa tão meiguinha e esperava uma mensagem   romântica sobre a importância de ler, mas estava completamente enganada (fui “trollada” pela capa). O livro do autor John Harding conta uma estranha história vivida pelos irmãos Florence e Giles. Eles ficaram órfãos e foram morar na mansão do tio, um tio que não aparece e deixa os sobrinhos aos cuidados dos empregados. Esse tio dá ordens para que Florence não aprenda a ler, mas ela se encanta pela enorme biblioteca da mansão e a proibição parece servir de motivação, porque ela se esforça e com auxílio de cartilhas aprende a ler por conta própria. Giles é mandado para um internato e o livro segue nos contando como Florence visita sempre a biblioteca às escondidas, lê secretamente e se preocupa com o irmão que está longe. Ela também recebe visitas indesejadas de um vizinho asmático, o que eu achei que viraria um romance, mas…

Preciso dizer que até esse ponto da história eu estava achando o livro chato, pois além de não ser o que eu esperava a leitura não me prendia. Mas não é que quando eu menos esperava começou a ficar interessante! O irmão de Florence é trazido de volta do internato, por não se adaptar, e uma preceptora (espécie de professora/babá) é contratada para cuidar de sua educação. Essa preceptora morre e pouco tempo depois chega à mansão uma substituta. Baseada em deduções hora pertinentes hora improváveis Florence passa a acreditar que a nova preceptora tem planos para sequestrar Giles e defender o irmão passa a ser seu maior objetivo.  A menina usa toda sua inteligência e sua mente fértil para armar um plano contra a mulher.

É Florence quem narra a História, portanto temos apenas o ponto de vista dela, e os acontecimentos foram escritos de tal forma que fiquei confusa, não sabia até que ponto as suspeitas da protagonista eram reais ou fantasiosas. Estou acostumada a me apaixonar por personagens, mas com Florence essa paixão não aconteceu. Achei a protagonista muito madura para uma menina de apenas 12 anos e confesso que para mim foi impossível gostar dessa criança com traços de frieza e insanidade. Sinistro!

A história se passa no ano de 1891, não estudei a fundo as características da época, mas penso que isso justifica alguns costumes antiquados, como por exemplo, só o menino ir ao internato(escola) .Particularmente, não considero a leitura prazerosa ou leve, ao contrário, me causou inquietação e ansiedade. Lendo, por diversas vezes senti aquela agonia típica do suspense. Além disso, houve momentos em que senti necessidade de reler alguns trechos antes de prosseguir. Mas Florence já havia me dado uma advertência a esse respeito:

“É uma história curiosa a que tenho de contar, uma história de difícil absorção e entendimento, por isso é uma sorte que eu tenha as palavras para cumprir a tarefa.”

Pag. 13

 

Quanto ao final, me pareceu que o autor quis fazer com que cada leitor tirasse suas próprias conclusões. É um livro bem diferente de tudo o que eu já li, não consigo dizer se gostei ou não, só sei que ele me intrigou. Se você já leu ou vier a ler me conte o que achou! Beijos.
Esta resenha foi escrita pela Nathalia quando ainda estava no Blog .
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Titulo : A menina que não sabia ler
Autor: John Harding
Ano: 2010
Paginas 282
Editora: Leya
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