A Maldição do Espelho (2019) é um filme originalmente russo, que chegou só por agora às telas dos cinemas brasileiros. Como é de se imaginar, a história perpassa através de mantras e encantamentos feitos diante de um espelho antigo. Bora entender mais sobre esse longa?

O cinema russo, em 2015, apresentou o filme A Dama do Espelho: Ritual das Trevas. O mote principal é de que os espelhos são portais para outro mundo. Esse outro mundo, é o mundo dos mortos. E lá vive a Rainha de Espadas. A Maldição do Espelho seria como uma espécie de sequência então dessa primeira história.

Olga (Angelina Strechina) e Artyom (Daniil Izotov) são dois irmãos (por parte de mãe), que sofrem um acidente automobilístico logo nos primeiros minutos de filme. A jovem adolescente, conjuntamente com seu irmão (que é ainda uma criança), é direcionada a um internato que aparentemente, é muito requisitado e de boa influência.

Desde o início podemos perceber toda hostilidade de Olga, tanto com seu irmão, quanto às demais pessoas que tentam contato com a garota. Ela não fala sobre si, e nem porque foi internada naquela escola. Mas, acaba indo dividir o quarto com duas adolescentes que fazem parte de um grupo de amigos.

Esse grupo composto por dois rapazes e duas garotas (sem contar Olga), gosta de se divertir e contrariar as regras estipuladas a respeito de horário para dormir, e invadir locais não permitidos. Mas, te pergunto… O que seria de um filme de terror se não tiver uma turma de adolescentes estúpidos para fazer as piores atrapalhadas? Em A Maldição do Espelho não ficaremos sem esse bom clichê!

Apesar do baixo orçamento, não acredito que o filme desagrade tanto assim ao público. Dos últimos filmes de terror do cinema americano que eu assisti, esse filme russo prendeu bem mais minha atenção. Contudo, ressalto mais uma vez que minha análise é puramente amadora. Pois eu vou ao cinema pra me divertir, e sair da mesmice. Então, não tenho aquele apelo técnico para análises mais profundas.

O filme é surpreendentemente dublado para o inglês (e legendado para o português, claro hahaha). É perceptível. Nem tanto pela movimentação dos lábios… Mas, falto algo para que a dublagem fosse mais bem implantada no longa. Eu que sou totalmente leiga com essas questões técnicas consegui perceber. As vozes estavam bem mais vivas, altas e às vezes até mais empolgadas, do que as cenas onde elas eram encaixadas. Todavia, isso não me atrapalhou em nada. Foi só algo que percebi e gostaria de ressaltar aqui.

Existe toda uma questão de luto envolvida nessa história. Também a relação com a água é bastante forte. Desde o início do filme, quando os protagonistas sofrem o acidente, quanto nos ‘finalmentes’ do filme, a respeito da questão de passar para o mundo dos espelhos. Só não entendi bem o sentido desse tipo de transição. Mas, tem tudo a ver com a água.

Embora eu já tenha me referido sobre isso uns parágrafos acima, reafirmo que adolescentes geralmente fazem besteira. Se o filme é de terror, isso é elevado à terceira potência. O grupo de amigos descobre em uma área em reforma do prédio da escola, um local com muitas velharias. Inclusive um espelho grande, com um desenho específico feito (ao que tudo indica) com dedos sujos de sangue.

E é aqui que a bagunça generalizada começa. Pedidos são feitos para tal Rainha de Espadas pelo grupo formado pelo estereótipo completo de adolescentes dos filmes: o garoto popular com problemas com o pai; a adolescente ‘saidinha’ e atirada; outra insegura e acima do peso; e o nerd (e ‘coitadinho’) que faz tudo pelos outros. Enfim, Olga vem para somar sendo a adolescente cheia de segredos e regida pelo Id (toda trabalhada na pulsão e instinto).

O que esses jovens não sabiam era que posteriormente, a Rainha de Espadas estava ouvindo e anotando cada pedido. Aliás, que a realização dos mesmos teria um preço muito caro… Ah! Preciso ressaltar que o pequeno e carente irmão de Olga, o Artyom, resolve, assim, ter uma amizade íntima com a Senhora que habita as sombras e os espelhos. E a partir daí é um corre corre, uma loucura, e a contagem de pessoas desaparecidas ou dos corpos, só vai crescendo.

Finalizando, esse longa termina de uma forma que certamente lembrou-me muito, pelo menos, três ou quatro dos últimos filmes de terror que assisti. Então, acredito que o apelo final tem começado a puxar para a mesmice. Está ficando meio óbvio em como tudo sempre acaba. E confesso que não fui surpreendida quando os créditos subiram.

RESENHA: HQ: O CONTO DA AIA – MARGARET ATWOOD

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Estreia: 12 de março de 2020
Duração: 1h 23min
Gênero: Terror
Direção: Aleksandr Domogarov (II)
Elenco: Angelina Strechina, Tatyana Kuznetsova, Daniil Izotov
Distribuidora: Paris Filmes