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A LUZ NO FIM DO MUNDO | CRÍTICA

17 outubro, 2019 por


“A Luz no Fim do Mundo” é um filme escrito, dirigido, roteirizado, produzido e estrelado pelo ganhador do Oscar Casey Affleck (pai). O filme também conta com Elisabeth Moss (mãe) e a estreante Anna Pniowsky (Rag – apelido carinhoso). Logo na primeira cena, vemos pai e filha deitados dentro de uma barraca de acampamento.

Apesar de parecer algo rotineiro, o pai parece não ter tanta criatividade em contar uma história para sua filha dormir. Ele é interpelado por Rag algumas vezes, pois a garota não quer ouvir uma história sobre ela mesma, ou uma história que já exista – no caso, A Arca de Noé.

Essa cena é longa e muito lenta. Talvez um pouco verborrágica. Contudo, acredito que me deixou preparada para o clima do longa. A cena inicial para mim ditou o ritmo do que seriam aproximadamente as próximas 2 horas em frente à tela.

A partir desse ponto, e dos desdobramentos da história contada a Rag, é que podemos perceber que pai e filha não estão apenas em um acampamento de fim de semana – aquilo não é para ser divertido. E que ela ter os cabelos cortados tão curtos não é uma opção fashionista. Apresento a vocês então, “A Luz no Fim do Mundo”, um drama distópico de ritmo paulatino. Pode ser que você tenha sua paciência provada. Mas, acredito também que se despretensiosamente você se deixar envolver com a história de Rag e seu pai, será recompensado com muitas cenas que nos colocam para refletir.

Então, vamos nos dando conta que há mais ou menos há 9 anos, houve uma pandemia, um tipo de peste, que eliminou praticamente toda população mundial feminina. Após essa devastação, o modelo conhecido de sociedade é modificado. E Rag, não sabemos o porquê, foi imune a essa doença, e hoje tem 11 anos. Juntamente com seu pai protetor e formador de caráter, Rag desbrava as florestas e locais isolados e abandonados, à periferia da cidade. Buscando sempre locais afastados e que não reconheçam Rag pelo que ela é, ou seja, uma mulher.

Eles estão vivendo em uma sociedade onde as mulheres ou não existem, ou são realmente muito escassas. Durante todo o longa não enxergamos sequer o vislumbre de outra figura feminina no “mundo atual”. Elisabeth Moss, que só aparece nos flashbacks de Casey Affleck, ou no momento que descobre estar contaminada pela praga, ou em algumas sequências, se despedindo do marido que acreditava não dar conta sem sua esposa. O filme nos ensina que agora, em um mundo sem mulheres, os papéis de gênero precisam ser rearranjados.

Uma vez que é necessário esse envolvimento emocional para você apreciar melhor o filme, você será brindado por um roteiro muito humano e ético. As pinceladas de Affleck a respeito do racismo, dos valores morais, e sobre vida e morte, por exemplo, são muito além de toques sutis. Penso que o ritmo lento da história é proposital, para que assim como Rag e seu pai, nós possamos ter tempo de pensar e refletir a respeito das cenas apresentadas.

Não sei se devido aos rumores a que Affleck foi exposto nos últimos anos, ou qual outro motivo o levou a escrever, roteirizar, dirigir, produzir e PRINCIPALMENTE estrelar essa história de lutas e desafios diários pela proteção da mulher da sua vida. Mas, o desejo é que as lições que foram estrategicamente passadas a nós, sejam algo real em sua própria vida. Um ode ao respeito e à humanidade. Que assim seja!

A performance dos dois atores principais foram extremamente notáveis e dignas de nota. Tanto o ator veterano quanto a estreante nos convence estar vivendo em um mundo pós-apocalíptico. É notável o entrosamento entre “pai” e “filha”. Eles realmente parecem viver um pelo outro. O amor é sentido, e o apego é motivo de tudo ser suportado até o fim chegar.

Rag é uma criança extremamente inteligente. Em meio sua inocência, a qual o pai tão bem protege, é pincelada por alguns assuntos mais “adultos” por ela amar ler, e sempre querer ter um livro em mãos. Seu poder em armazenar conteúdos e treinamentos dados por seu pai também é absurdamente notável. Se Rag não fosse uma criança tão especial e disposta, essa trilha que pai e filha perseguem não teria chegado tão longe.

O pai de Reg está a todo tempo observando de onde o mau pode vir. E sempre planejando “lugares secretos” e esquemas de fuga.

Em suma, o filme não é aquele tipo de história que anseia por uma resolução. Por um ponto final. O filme não é sobre homens, sua raiva e suas necessidades. A Luz no Fim do Mundo” é sobre Rag. Sobre seu lugar no mundo e sobre o que ela pode esperar desse mundo.

Rag não teve uma infância regular. Ela busca conhecimento e divertimento em seus livros.

“A Luz no Fim do Mundo” é um drama explícito de uma jornada que não sabemos como vai acabar. O que outros adultos fariam ao descobrir que Rag – que seu pai sempre apresenta aos outros como Alex, seu filho – é uma menina? Como será quando Rag se tornar uma mulher, pois seu corpo irá se transformar? A humanidade vai se findar quando todos os homens tiverem “usado e abusado” das mulheres restantes? Nascerão outras mulheres? Elas serão imunes à praga? Bebês estão sendo produzidos em laboratório??? São diversas perguntas que pulularam minha mente nos momentos pós-créditos.

Enfim, eu gosto é assim… Que me faça pensar como se a situação estivesse acontecendo aqui e agora. Recomendo que você vá com o coração preparado e livre de amarras.

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Data de lançamento: 17 de outubro de 2019
Duração: 1h 59min
Direção: Casey Affleck
Elenco: Casey Affleck, Elisabeth Moss, Anna Pniowsky
Gêneros: Drama, Distopia, Ficção científica
Nacionalidade: EUA
Distribuidor brasileiro: Imagem Filmes

 

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22 Comentários

  • Beatriz Andrade
    novembro 08, 2019

    Nossa, que premissa mais interessante! Eu não conhecia o filme e fiquei completamente curiosa. De certa forma, apenas na base mesmo, me lembrou o livro Belas Adormecidas do King e do filho dele

    • Carol Nery
      Carol Nery
      novembro 09, 2019

      Eu ainda não li Belas Adormecidas. Esse não me deu ainda aquela vontade de ler. Mas, sou a loka do King e estou lendo O Instituto atualmente. <3
      Ah, espero que consiga assistir o filme e goste dele. Abraços

  • Olá Carol!!!
    Eu fiquei mega preocupada só com sua resenha me perguntando o que aconteceria com Rag caso ela seja descoberta e como eles lidariam com o fato de quando ela crescesse??
    Eu já adicionei o filme nos que quero ver, pois gosto de histórias distópicas e que parecem ter algo para pensarmos e refletirmos.
    Fico me perguntando o que esse pai e essa filha terão que passar para sobreviver e o trailer só me deixou com mais vontade de ver o filme.
    Adorei!!!

    lereliterario.blogspot.com

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 30, 2019

      Fico feliz que a resenha tenha te animado e já feito parar pra pensar, Antônia. Que seja uma boa e agradável experiência… mesmo que com certos “incômodos” que surgem ao longo da exibição.
      Abração

  • Erika Monteiro
    outubro 29, 2019

    Oie, tudo bem? Apesar de algumas pessoas não apoiarem muito a família Affleck por algum motivo que desconheço eu sou fã desde que conheci o Ben assistindo Pearl Harbor. Desde então admiro os filmes nos quais ele trabalha, inclusive aqueles em que ele é responsável pelo roteiro, adaptação, etc. A luz no fim do mundo ainda não conhecia mas achei a proposta interessante principalmente por trazer a Elisabeth Moss no elenco. Acompanho a atriz em The handsmade’s tale e gosto muito dela. Um abraço, Érika =^.^=

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 30, 2019

      A polêmica é com o Casey mesmo. Mas, eu não sei ao certo o quanto ele é culpado pelas acusações.
      Eu gosto muito do irmão dele. Muitos o chamam canastrão, mas eu adoro os filmes com ele, seja atuando ou produzindo e talz.
      Tomara que você consiga assistir esse. Foi bem interessante.
      Abração

  • Clayci Oliveira
    outubro 28, 2019

    Depois de toda a polêmica que ele se enfiou, admito que a vontade de ver esse filme é zero rs.
    Gostei do enredo e imagino que deve ter muitas lições e realidades para nos tirar da zona de conforto, mas vou deixar passar um pouco rs..

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 28, 2019

      Entendo. O negócio foi complicado mesmo. Nem te julgo!!!

  • jaque reis
    outubro 28, 2019

    Uau! Eu não estava sabendo sobre este filme e agora estou simplesmente desesperada para ver! Amo a Elizabeth Moss (apesar de saber que ela aparece apenas em flashbacks como citou) mas já é um dos motivos para assistir, sem contar que adoro uma boa distopia, um história aonde o mundo não é mais da forma que conhecemos! Enfim, adorei a critica!

    Beijos!

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 28, 2019

      Jaque, então tem tudo para te agradar. É uma boa distopia que coloca a gente pra pensar e refletir. A Elizabeth aparece pouco, mas em cenas lindas e/ou emocionantes. Certeza que vai te agradar. Beijocas!

  • Joanice
    outubro 27, 2019

    Olá

    Esse filme é baseado em algum livro? Achei a premissa similar a um livro de uma série que foi trazida pela Intrínseca e nunca foi finalizada haha. Se não for, devo ter confundido.
    A premissa é bem envolvente, mas duas horas com esse contexto não sei se assistiria.

    Beijos

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 28, 2019

      Eu não me lembro de ter visto algum livro não. Eu penso que a história seja do Afleck mesmo.
      Olha, eu pensei que seria mais torturante ficar o tempo todo no cinema em cima dessa história. Mas, no final me agradou bem.
      Beijão

  • Nina Spim
    outubro 27, 2019

    Oi, tudo bem? Não conhecia o filme e, apesar de parecer meio parado, acho que ele tem uma tensão muito palpável. Assistiria pelo teor feminino, também fiquei com dúvidas sobre a menina e as outras mulheres. Fiquei bem interessada, obrigada pela dica!

    Love, Nina.
    http://www.ninaeuma.blogspot.com

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 27, 2019

      Hey Nina, que legal! Fico feliz de dar uma dica que chamou sua atenção. Espero que o filme fale com você também.
      Beijocas

  • Ivy Lacerda Montiel
    outubro 27, 2019

    Oiii Carol

    Eu imagino que seja um filme que faça refeltir bastante a partir do momento em que a gente se envolve na tram,a mas acho que esse estilo de filme já me deixa saturada demais, assisti séries e filmes demais distópicos assim e te confesso que não me chamou a atenção. Ainda assim, foi interesante conhecer um pouco mais sobre esse trabalho do Casey Affleck, adoro ele como ator, acho bem versátil.

    Beijos

    http://www.derepentenoultimolivro.com

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 27, 2019

      Eu também não sou lá muito fã do gênero. Mas, acabei me envolvendo. E sobre o Casey, não conheço muito bem o trabalho dele não. Mas, nesse filme, gostei de tudo dele.
      Obrigada pelo comentário. Beijão

  • Ivi Campos
    outubro 26, 2019

    Esses enredos que nos fazem pensar que ao mesmo tempo é absurdo e está perto de nós. Fiquei bem empolgada apara conferir. Adorei a dica.
    Beijos

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 27, 2019

      Realmente, porque parece impossível. Mas, e se????
      Assiste sim!! Beijo

  • Bianca Ribeiro
    outubro 23, 2019

    meu deus! minha esposa tava vendo esse filme esses dias!
    Muito interessante a tematica de dizimar as mulheres e ainda num cenário meio que pós apocaliptico, confesso que depois da sua resenha, fiquei com as mesmas perguntas, mas a maior delas foi “E quando essa menina crescer meu deus?” hahahahah
    Adorei, acho que vou assistir agora mesmo!

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 24, 2019

      Bianca, fiquei até curiosa com sua reação. Se você vai gostar. E se sua esposa gostou também…
      É bem interessante e um tanto desesperador o que esse pai e essa filha passam em um mundo de certa forma pós apocalíptico. Eu me preocupei muito com o que será dela quando crescer e tudo nela desenvolver. Ai, ai!!

  • Larissa Dutra
    outubro 21, 2019

    Olá, tudo bem? Eu não sabia da existência desse filme ainda, mas confesso que fiquei curiosa e um tanto intrigada com a premissa. Adorei tua dica, já quero assistir!

    Beijos,
    Duas Livreiras

    • Carol Nery
      Carol Nery
      outubro 22, 2019

      Ah, Larissa… tomara que consiga vê-lo. É bem interessante! E a gente se espanta em como uma menina de apenas 11 anos pode ser inteligente e forte. É demais da conta.
      Beijão