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A GAROTA QUE BEBEU A LUA – KELLY BARNHILL | RESENHA

01 setembro, 2020 por

A GAROTA QUE BEBEU A LUA - KELLY BARNHILL

A Garota que Bebeu a Lua é um livro infanto-juvenil da autora Kelly Barnhill publicado em 2018 pela Galera Record, descrito como uma fábula sobre aceitação, amor, amadurecimento e o poder da memória.

Numa comunidade chamada de Protetorado – também conhecida por Reino das Tifas por uns e Cidade das tristezas por outros, paira uma maldição. Dizem que na floresta que margeia essa vila mora uma bruxa e, para não atacar os habitantes, exige um tributo: todos os anos, um bebê é escolhido para ser deixado em uma clareira dentro da floresta no dia do sacrifício.

Bom, ao menos é o que dizem os anciãos, um grupo que controla quem entra, quem sai, como vivem, como se sustentam os habitantes do protetorado, além da Irmandade da Estrela e suas Irmãs da Guarda da Torre, um grupo análogo aos anciãos formado por mulheres e sob a proteção da Irmã Ignatia.

Na verdade, a bruxa existe, e se chama Xan. Ela vive em sua casa juntamente com o Monstro do Pântano e com o Dragão perfeitamente minúsculo, e não entende como as pessoas podem ser tão cruéis a ponto de abandonarem um bebê na clareira… todo ano!

Claro que ela resgata todos esses bebês abandonados, e os entrega para famílias que vão cuidar com mais amor e cuidado nas Cidades Livres, bem distantes do Protetorado. Durante esse percurso, ela alimenta os bebês com leite de cabra e, quando acaba, com luz estelar, e por isso essas crianças acabam sendo conhecidas por crianças estelares.

“A bruxa – ou melhor, a crença de que ela existia – tornou o povo aterrorizado e subjugado, um povo submisso, que vivia a vida em um nevoeiro de tristeza, e as nuvens de sua tristeza adormeciam seus sentidos e encharcavam suas mentes.”

KELLY BARNHILL

Até que um dia, Xan demora a voltar com a criança abandonada, e acaba por inadvertidamente dar luz da lua para a criança beber – e como ela bebeu, a tal ponto de ser embruxada. E uma criança embruxada tinha de estar sob a proteção de Xan, que dá o nome de Luna para aquela criança especial. E ela vai crescer sob a proteção de Xan, do Monstro e do Dragão.

Entretanto, quando Luna completa 13 anos, muitas coisas começa a acontecer: no protetorado, um rapaz que abandonou os anciãos logo após o dia do sacrifício de Luna, se torna pai e, para defender sua família, está determinado a libertar seus vizinhos dessa sina, e sai em busca da bruxa para, se necessário, matá-la; uma revoada de pássaros de papel misteriosos; um vulcão adormecido começa a acordar e um tigre faminto ronda essa estória…

A menina que bebeu a lua começou a me encantar já pela capa, que é linda, e que apresenta várias características importantes da história. Também me interessei pela premissa, de uma bruxa que não é bruxa – mas não é só esse cliché que a autora desconstrói. É uma fantasia, uma fábula moderna voltada para o público infantil, mas que traz muitos ensinamentos. E é de uma poesia… esse livro é um deleite!

Os personagens secundários tem uma participação ativa, senão no início da história, no final estarão lá para unir os nós. Temos o monstro do pântano – Glerk, um ogro mais velho que a magia, e um dragão feroz – Fyrian, do tamanho de um pombo. Os dois tem um papel importante na jornada de Xan e de Luna também.

“Nem todo conhecimento vem da mente. Pode vir de seu corpo, de seu coração, de sua intuição. Às vezes, lembranças têm pensamento próprio.”

Galera Record

As personagens femininas são fortes, mesmo aquelas que vão descobrindo isso ao longo da estória – Xan, uma bruxa que eu queria dar um abraço; Luna, uma menina muito curiosa, impulsiva e elétrica; a louca, que vamos descobrindo e amando aos poucos; Ethyne, que poderia ser apenas um par romântico, mas se mostra forte e perceptiva; além das irmãs da Guarda da Torre.

Mas, A menina que bebeu a lua nos faz questionar. O Protetorado quer a alienação das pessoas, e não se roga de criar uma mentira para perpetuar isso.

E é a falta de conhecimento que permite que se perpetue uma situação de desesperança, que retira da população a capacidade de questionamento, que reproduz falácias, sem buscar fundamento – você provavelmente já entendeu o que eu quero dizer, não é? Até que ponto é verdade as coisas que escutamos e reproduzimos… Mas um rapaz – Antain, resolve romper esse círculo vicioso.

A garota que bebeu a lua é um livro sobre aceitação, esperança, amor, conhecimento, uma jornada de muitos personagens que em algum momento terão suas vidas cruzadas e isso poderá ser o estopim para a possibilidade da mudança. Se é fã de fantasia com todos esses pontos, esse livro é para você

“A última coisa de que precisava era que a população começasse a ter ideias. Afinal, ideias eram perigosas.”

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A GAROTA QUE BEBEU A LUA - KELLY BARNHILL

Título: A Garota Que Bebeu a Lua
Autora: Kelly Barnhill
Ano: 2018
Páginas: 308
Editora: Galera Record
Gênero: Fantasia
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2 Comentários

  • Angela Cunha
    setembro 02, 2020

    Esse livro é de uma beleza física linda demais! Título, capa, diagramação.
    Eu amo livros com esse universo mais juvenil e sim, não vejo a hora de poder conferir esse ar poético que todo o enredo nos traz!!!!
    Sonhar..acredito que essa história seja sobre sonhar!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

    • Maisa Gonçalves
      Maisa Gonçalves
      setembro 07, 2020

      Angela, sim, sobre sonhos também, e acreditar neles! Um encanto de estória! Bjos!