A diabólica é o primeiro livro da trilogia de mesmo nome da autora S.J.Kincaid, conhecida pela trilogia Insígnia, e que chega ao Brasil através da editora Fantastica Rocco, lançamento de 2020.

Estamos em um futuro distante, quando os humanos conquistaram o espaço, e se estabeleceram em naves espalhadas pelo hiperespaço – poucos ainda habitam planetas, sendo considerados inferiores, por viver na imprevisibilidade dos mesmos.

Nesse mundo fictício, a humanidade apenas se beneficia de todos os avanços tecnológicos, se tornando indolentes em relação à novas descobertas, e vivendo às custas da ciência, mas com um discurso contrário a busca de conhecimento em detrimento da religião, o heliocentrismo, uma referência a estrela original da humanidade.

Um dos avanços que até então era sinal de status são os diabólicos, humanos feitos através de engenharia genética, projetados para ter força e resistência, imunes a doenças, venenos, treinados para serem guerreiros habilidosos e implacáveis, e que eram ligados quimicamente a uma única pessoa, para quem devotarão sua vida, se necessário.

“Um Diabólico é implacável. Um Diabólico é poderoso. Um diabólico tem uma única tarefa: matar para proteger a pessoa para a qual você foi criado. ”


Nêmesis é uma jovem diabólica, que vive em um cercado, contida por um campo de força, e levada a matar como parte do seu treinamento. Até que o Senador Von Impyrean chega até ela, em busca de companhia e proteção para sua filha, Sidonia Impyrean.

Os tratadores levam as duas meninas para um laboratório, onde o córtex frontal subdimensionado de Nêmesis é induzido a crescer por um tratamento com eletrodo, e por esse processo ela estará também ligada emocionalmente à Sidonia. Oito anos se passam, e o imperador resolve exterminar os diabólicos, dada a sua propensão à violência. Sidonia aprendeu a amar sua diabólica, e o pai dela – que já tem ideias opostas ao imperador, resolve fingir a morte de Nêmesis.

As tensões políticas começam a se agravar no Império Galáctico, e o imperador ordena que os filhos e herdeiros dos senadores – cuja lealdade esteja em dúvida, sejam levados para a nave da corte imperial, obviamente uma forma de torná-los reféns. Como o Senador Von Impyrean tem cometido heresia por estudar ciência, sua filha é convocada. Mas, ninguém a conhece pessoalmente, e a mãe dela toma uma atitude drástica: ela resolve educar Nêmesis para tomar o lugar de sua filha no Crisântemo, a nave imperial.

Para convencer a todos, Nêmesis terá de se tornar uma jovem delicada, e terá de convencer não só o imperador, mas também Tyrus Domitrian, sobrinho do Imperador, seu herdeiro e completamente insano… ela encontrará intrigas políticas, perigo, quem sabe poderá até mesmo descobrir sentimentos que não acreditava poder sentir!


“Eu não iria simplesmente desaparecer no vazio como se nunca tivesse existido. Eu não aceitaria ser menos do que essas pessoas só porque eles me projetaram dessa forma. ”


Um livro que pega a gente pela capa… mas confesso que a premissa também me conquistou: um ser construído para ser implacável, mas que se descobrirá mais humana que quem a cerca. A diabólica é uma ficção científica, que traz pitadas de um futuro distópico, onde a humanidade conquistou o universo, mas traz forte a dualidade ciência x religião.

O império é controlado por uma facção religiosa antitecnologia, que rejeita todo o conhecimento de ciência, inclusive com a proibição de livros – mas, hipócritas que são, se cercam dessas tecnologias, com robôs médicos, para procedimentos estéticos que são amplamente utilizados, e uma miríade de substâncias “recreativas”. Máquinas consertam as máquinas, mas essa tecnologia começa a falhar, deixando buracos permanentes no espaço – como buracos negros.

Além disso, aqui teremos o velho embate entre classes – não que os menos desfavorecidos estejam em algum levante, mas há um movimento que quer acabar com as benesses dos governantes. Por isso, a trama política é bem explorada, mas ainda não aconteceu muito dessa colisão no primeiro livro.

Esteja preparado para muitas mortes… A diabólica é uma criatura violenta, cria de uma sociedade que se diverte assistindo embates entre criaturas criadas para se enfrentarem em uma arena. E é em uma dessas lutas que Nêmesis acaba interferindo e deixando de ser invisível em sua estadia no Crisântemo, chamando a atenção de Tyrus.


“Alguns podem nos chamar de par monstruoso, e eles estariam certos. Tyrus e eu éramos ambos escorpiões em nosso caminho, criaturas perigosas cruzando o mais traiçoeiro dos rios juntos. Juntos, podemos picar – mas também flutuar.”


Então, sim, teremos romance na obra… porém ele é bem leve, nada de instalove. Mesmo porque ela e seu par romântico tem muitas preocupações mais importantes que relações amorosas. É esse laço que começa por uma necessidade que poderá mostrar uma humanidade em Nêmesis que ela nunca acreditou ter, e ela se permite questionar e sonhar – por pouco tempo!



“Eu fiz isso por você. Isso foi tudo para você. O universo pode se entregar à minha posse, e ainda vou sentir como se tivesse perdido tudo sem você ao meu lado.”

O livro tem uma construção de mundo interessante, com questionamentos consistentes, mas que finaliza bem, sem um grande plot twist. Gostei da história, mesmo achando que os personagens talvez tenham mostrado apenas suas superfícies, mas acredito que nos próximos volumes eles deverão ser mais bem delineados.

Recomendo a obra para quem gosta de uma ficção científica leve, com toques de romance. Os outros dois livros já foram lançados lá fora, então espero que a editora não demore a trazer suas continuações.

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Título: A diabólica
Autor: S.J.Kincaid
Ano: 2020
Páginas: 400
Editora:  Fantástica Rocco
Gênero: Fantasia / Ficção científica / Jovem adulto / Literatura Estrangeira
Onde comprar: AMAZON
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